A Semana do Zé Povinho

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O Dr. Fernando Costa, contra o que  é habitual, teve na sua participação da passada semana, no programa da Sic Notícias “Expresso da Meia Noite” uma actuação cordata, responsável e amiga do interesse público.
Ao defender uma racionalidade dos gastos públicos, especialmente nas autarquias, foi bastante contra o discurso politicamente correcto de que tudo o que as autarquias fazem está certo. Lembrou que mais do que fundir e eliminar centenas de freguesias, se justificava antes integrar municípios para lhes dar dimensão critica e rentabilizar os seus custos de funcionamento e de investimento.
Zé Povinho esteve totalmente de acordo com várias afirmações que fez naquele programa de reflexão política, e mesmo com a sua auto-crítica acerca de algumas decisões que teve ao longo do seu já longo percurso político em mais de um quarto de século. Merece, por isso, ser felicitado.
Contudo, convém recordar-lhe que não foi apenas nas piscinas que fez investimentos insustentáveis. Pode bem juntar-lhes os vários museus que construiu e que não têm visitantes nem actividade visível, e o próprio CCC que, depois de um investimento tão elevado (comparticipado por uma elevada percentagem de dinheiro de Bruxelas), agora não tem dinheiro que chegue para assegurar um actividade normal.
Mas infelizmente o seu argumento em favor da magreza dos recursos humanos com que se vangloria que tem na Câmara, também pode significar muita ineficiência em termos estratégicos para o concelho, que assim não consegue captar mercado para as empresas locais ou investidores para novos negócios que criem empregos.
O Dr. Fernando Costa está certo nas principais afirmações que fez naquele sábado, mas isso não esconde os vários erros que cometeu e que podem passar por questão tão simples como o asseio da cidade (que devia implicar uma nova estratégia concelhia), a inexistência de qualquer evento que atraia visitantes nacionais e estrangeiros que teria retorno para as empresas e daria visibilidade ao concelho, ou mesmo a falta de informação actualizada e adaptada aos tempos actuais sobre as Caldas da Rainha. Poupa dinheiro nestas coisas, mas perde noutras mais importantes que poderiam ter um efeito multiplicador na economia local.
Zé Povinho, no entanto, espera que a sua voz seja ouvida no que diz respeito à fusão de municípios, poupando-se assim muito dinheiro aos contribuintes portugueses e potenciando-se investimentos com economia de escala.

Zé Povinho gosta muito do ditado  “Bem prega Frei Tomás, faz como  ele diz e não faças como ele faz”.
Isto vem a propósito das declarações feitas pelo prof. António Borges, qual eminência parda, que foi destacado funcionário da Goldman Sachs, tendo ultimamente transitado pelo FMI, antes de ser nomeado pelo actual governo para ser consultor especial para as privatizações e outras funções mais ou menos esquisitas.
Há dias o prof. Borges defendeu num diário económico que os portugueses deviam ver cortados os seus salários um pouco mais a fim de tornar a economia nacional mais competitiva.
Ora o prof. Borges tem pouco autoridade moral para fazer destas afirmações, quando ele, tal como todos os funcionários das instituições comunitárias e do FMI, está isento de impostos sobre o seu salário e ganha a partir dos pagamentos que os Estados nacionais lhe fazem através de participações e juros.
Também não se compreende – e até vários militantes dos partidos maioritários não calaram a sua indignação – que o Estado Português o contrate para esta nova função, a meias com a sua actividade no grupo Pingo Doce. Zé Povinho não percebe mesmo como se podem servir simultaneamente interesses tão diversos e contraditórios.
Neste momento de crise não se entende que quem ganha centenas de milhares de euros livres de impostos possa defender tratamento tão violento para os seus concidadãos.
O prof. Borges transformou-se mesmo na personagem mais detestada nos últimos tempos pelos portugueses por falar de cor sobre tudo e sem assumir responsabilidades governamentais no seu país.