A semana do Zé Povinho

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A-dos-Francos e Foz do Arelho celebraram, na passada sexta-feira, onze anos de elevação à categoria de vila, com cerimónias simbólicas e adequadas às circunstâncias que se vivem devido à pandemia: poucas pessoas, sem grandes discursos e alguns apontamentos dos excelentes jovens músicos que o concelho das Caldas possui. Zé Povinho dá os parabéns às duas Juntas pela forma como procederam às celebrações, até porque contrasta em absoluto com aquilo que vamos vendo pelas terras da nossa região, onde parece que tudo regressou à normalidade e é fácil ver ajuntamentos de pessoas nas ruas ou nas praias.
Custa, aliás, a entender que assim seja. O número de casos de infecção no Oeste não pára de aumentar, a um ritmo praticamente diário, pelo que a forma incauta como alguns dos nossos concidadãos têm agido causa, no mínimo, estranheza e deixa antever o pior.
É por isso que aqueles que têm responsabilidades de gerir a coisa pública devem manter-se prudentes e respeitadores das indicações da Direção-Geral de Saúde, por forma a dar o exemplo à população. A crise que vivemos deixou marcas em todos, mas se não arrepiarmos caminho uma segunda vaga da pandemia pode ter efeitos ainda mais catastróficos, sobretudo entre a população mais idosa. Nesse sentido, Zé Povinho deixa um aplauso aos presidentes de Junta de A-dos-Francos e da Foz do Arelho e também ao presidente da Câmara Municipal das Caldas, que souberam assinalar datas que são especiais para a população, mas mantendo o distanciamento social.

Zé Povinho tem pena que os doentes atingidos pela covid-19 sejam estigmatizados por essa simples razão, havendo mesmo responsáveis que tentam descartar-se dos mesmos de uma forma que não parece muito solidária. Na passada semana, os concelhos das Caldas e de Óbidos foram afectados pela atribuição de uns quantos trabalhadores sazonais que registaram positivo, apesar de estarem assintomáticos, tendo surgido reacções diferentes em ambos os municípios. É pena que assim seja e Zé Povinho gostava de ver mais uma atitude compreensiva, solidária e positiva, no verdadeiro sentido, afirmando que, sim, temos alguns cidadãos residentes infectados, mas que estamos a trabalhar com eles para que consigam rapidamente ultrapassar esta dificuldade.
O mundo é muito ingrato e Zé Povinho recorda-se que no início da pandemia, tal como no passado acontecia aos leprosos, trabalhadores que regressavam da China a uma aldeia da Ucrânia, terem sido apedrejados por serem eventualmente portadores do mal deste ano horrível de 2020. Na altura, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenski, salientou “o perigo de nos esquecermos de que somos todos humanos”.Apesar da maior simpatia que Zé Povinho nutre pelo autarca de Óbidos, Eng. Humberto Marques, não gostou de o ver apressada e atabalhoadamente a tentar descartar-se de uma mão cheia de infectados, por mais “injusto” que isso por ser para um autarca que quer o melhor para o seu território. Injusto, na verdade, é estar a trabalhar no duro noutra terra e ser apanhado pelo vírus. Seria bem mais interessante tê-lo ouvido dizer que vamos lutar em conjunto para ultrapassar este mal. Seria um sinal de esperança e solidariedade para aqueles que estão infectados e um exemplo para o resto da população.