Freguesia do Vau celebra aniversário com requalificação do lavadouro

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A cerimónia, embora restrita, pretendeu mostrar que é possível fazer iniciativas em tempo de pandemia

Os 274 anos da freguesia do Vau foram assinalados com a inauguração da obra de requalificação do lavadouro da Fonte, um espaço identitário da localidade.

Começou a lavar a roupa nos tanques ainda durante a sua juventude, numa prática que era comum às mulheres da localidade do Vau. Hoje, com 65 anos e apesar de ter máquina de lavar em casa, Graciete Rodrigues continua a usar os lavadouros públicos, sobretudo para peças de roupa de maiores dimensões, como é o caso de cobertores ou tapetes.
“Houve uma altura em que não havia tanques para tanta gente, hoje já não é o caso, mas ainda são utilizados por várias mulheres”, conta à Gazeta das Caldas. A vauense não esconde o gosto de lavar roupa à mão nem o orgulho que tem na requalificação daquele espaço. “É uma obra exemplar e que tem muita utilidade”, diz Graciete Rodrigues, salientando que no Verão, são muitos os turistas que vêm de autocaravana passar férias nesta região e que utilizam os lavadouros para lavar a roupa.

Os lavadouros públicos continuam a ser utilizados, quer por pessoas da terra quer por turistas que vêm passar férias à região

Estes lavadouros utilizados há dezenas de anos por Graciete Rodrigues foram construídos em 1967 pelo então presidente da junta, João de Deus, aproveitando um recurso de água natural que ali passa. Volvidos mais de 50 anos foram recuperados pelo atual executivo, presidido pelo neto, Frederico Lopes, com o apoio da Câmara de Óbidos, que financiou a obra, no valor de 44 mil euros.
De acordo com o autarca de base, a requalificação daquele espaço, no centro da localidade, não tem só um aspeto estético, mas também um “sentimento de preservação de um dos edifícios que carateriza a freguesia”, destacando que no futuro deverá ser aproveitado para atividades de lazer e cultura, como uma noite de fados.
Frederico Lopes falou da pandemia, deixando uma mensagem de otimismo à população, de que é preciso dar “lutar e dar sinais positivos”. Numa cerimónia restrita, também o vice-presidente da Câmara de Óbidos, José Pereira, destacou a importância de se assinalar a data, com uma iniciativa concreta, dando um sinal de “confiança” e de que é “possível viver mesmo em pandemia, desde que se tenham os cuidados necessários”.
O autarca destacou ainda o trabalho do atual executivo da junta no que respeita à promoção da identidade local, lembrando uma outra iniciativa – uma exposição fotográfica sobre os hábitos daquela população – que foi um êxito.
Os presidentes da Assembleia Municipal e de Freguesia, Fernando Jorge e Sandra Felix, respetivamente, foram unânimes relativamente à importância da preservação da cultura e do património local. Fernando Jorge lembrou ainda que, enquanto que, o passado foi mais virado para a execução de obras e infraestruturas, “com este executivo regista-se uma aposta cultural mais intensa”. Uma linha de atuação que o responsável considera que deve continuar para futuro.
O Vau foi elevado a freguesia a 12 de janeiro de 1747, tinha então 57 fogos e não ultrapassava as 230 pessoas.