O envolvimento da família no percurso escolar

0
48
Maria do Céu Santos
Maria do Céu Santos

O sucesso do aluno depende em grande parte do envolvimento atento e exigente da família no seu percurso escolar, em constante interação com a Escola, partilhando responsabilidades no processo educativo.
Por essa razão, não faz qualquer sentido a ação disciplinar desligada da colaboração dos pais (e/ou encarregados de educação), considerando que a medida disciplinar proposta pela Escola só terá efeitos pedagógicos se for aceite como justa e adequada pela comunidade escolar. Não o sendo, apenas poderá gerar sentimentos de revolta e mais indisciplina.
A par de muitas famílias empenhadas no processo educativo dos filhos, exigentes com a sua prestação e com a qualidade da resposta da Escola, há muitas outras que revelam indiferença, mesmo quando solicitadas a colaborar, não sendo fácil conquistá-las para esse objetivo fundamental que é a educação escolar dos seus filhos.
Vem esta reflexão a propósito do fenómeno que se tem verificado na sequência do encerramento das escolas, devido à pandemia da Covid-19.
Diz o Expresso, na recente edição de 13.06.2020, que a iniciativa #EstudoEmCasa teve um enorme sucesso de audiência, alcançando uma média de 50 mil pessoas em idade ativa, tendo seis mil mais de 64 anos.
Num dos depoimentos refere-se um avô, de 69 anos, «que vê sempre as aulas ao lado do neto Pedro, de 9, enquanto a mãe, também professora, dá aulas aos seus alunos à distância». Refere o avô em causa: «Há coisas que ainda me recordo. Pergunto-lhe: Pedro, estás a perceber? Isto são frações. Vejo do princípio ao fim. Tento ajudá-lo e eu também gosto de ver».
Este quadro, do avô a apoiar o neto numa ajuda gratificante para ambos, tem sido repetido por alguns pais e encarregados de educação que referem um maior envolvimento da família com os alunos no ensino à distância durante o confinamento.
Sem esquecermos que o encerramento das escolas teve reflexos negativos graves, como o “desaparecimento” de alguns alunos, com impossibilidade de contactar as respetivas famílias, tendo como consequência perdas na aprendizagem e o risco de aumento do insucesso e do abandono escolar, urge refletir um pouco sobre o que nos trouxe de positivo, como este quadro de ajuda intergeracional.
Nos tempos que correm há muitas famílias que, devido às suas exigências profissionais, por muito boa vontade que tenham não conseguem dedicar uma parte do seu atribulado dia ao acompanhamento dos filhos, quer no estudo, quer na elaboração dos trabalhos de casa.
Terá sido esta uma das razões que levaram à proliferação das “explicações” desde o 7.º ano de escolaridade, como alternativa ao apoio familiar [ver crónica de 30 de abril]. Mas os efeitos da pandemia revitalizaram antigos hábitos de interação, de intercâmbio e de diálogo intergeracional que talvez devam ser recuperados.
Se cada família puder dispor dum pequeno espaço de tempo no seu dia para revelar interesse pela atividade escolar dos filhos, questionando-os sobre as matérias dadas, ajudando, se possível, nas tarefas escolares realizadas em casa, eles vão perceber que não estão sós no seu caminho, que é sempre mais fácil percorrer em conjunto.