Uma centena marca presença na reabertura do CCC e conhece pianista Helder Bruno

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O pianista Helder Bruno deu a conhecer temas do seu primeiro álbum e do segundo, que será lançado em breve

O CCC reabriu as suas portas aos concertos no sábado 20 de Junho, com o espectáculo “Transmutação” do pianista Helder Bruno.
Ao todo, uma centena de pessoas assistiu a esta actuação que marca o retorno do centro cultural aos espectáculos. Por todo o lado, estão implementadas as medidas de prevenção, impostas pela DGS e nos auditórios a lotação terá que ser metade da habitual

Logo no foyer do CCC, o público é disposto com a distância de segurança, enquanto aguardam vez para entrar no grande auditório do equipamento cultural. Ao entrar na sala, guiadas pelas assistentes de sala, os espectadores – munidos de máscaras – têm que respeitar as cadeiras onde se vão poder sentar. Apenas foi possível assistir ao espectáculo a partir da primeira e da segunda plateia, as únicas que foram ocupadas neste primeiro concerto. Ao todo, contaram-se mais de cem pessoas a que assistiram à estreia nas Caldas do pianista Helder Bruno. Este trouxe a sua música clássica, pontuada por tons pop, e que arrancou fortes aplausos da plateia. O intérprete, que é também compositor e musicólogo, teve que voltar ao palco para dois encores.
Helder Bruno gravou e lançou em Março de 2018 o seu álbum de estreia “A Presença, Serena e Terna”, com música composta e orquestrada para piano, quarteto de cordas e soprano (Blossom Quartet e Mafalda Camilo), contando também com a participação do cantor Nuno Guerreiro.

Concertos Adiados para 2021

Nas Caldas o pianista actuou a solo, tendo dado a conhecer não só temas do seu primeiro álbum, como também do segundo que lançará em breve e que se intitula “Sob um Céu de Água”. Segundo o músico, este deverá ser dado a conhecer ao público através do lançamento de singles. O pianista concorda com a designação escolhida por um crítico holandês para classificar a sua música: “indie classical”.
Helder Bruno está a dar que falar não só pelo virtuosismo, a execução das suas composições como também pelo à vontade com que comunica com o público, partilhando muitas das suas histórias.
O artista actua a solo desde 2016, mas já tem muito palco, pois actuou com vários artistas como Né Ladeiras, Carlos Zíngaro, entre tantos outros. O talentoso pianista – que viveu uma experiência política na autarquia da Lousã – está satisfeito por poder regressar aos palcos nacionais. No entanto, contou à Gazeta das Caldas que o confinamento o fez adiar, pelo menos, dez actuações. Algumas das quais tiveram que transitar para o próximo ano, como foi o caso da que está prevista para o Funchal.
O compositor, que considera que a sua música se situa entre o que é comercial e erudito, gostou de actuar nas Caldas da Rainha, sobretudo pelas condições técnicas do próprio equipamento cultural.
Entre o público, contaram-se espectadores de várias zonas do país, que acompanham o percurso deste pianista que é também apontado como o sucessor de Rodrigo Leão, dada a versatilidade das suas composições. Há quem diga que algumas das suas canções também fazem lembrar Bernardo Sassetti, enquanto que outros já o apelidaram de “Nyman português”.

Experimentar a receptividade

Segundo o director do CCC, Carlos Mota, foi propositado o recomeço dos espetáculos naquele espaço com um concerto de música erudita. “Quisemos testar as reacções, não só do próprio público como da equipa para ver como todos reagimos às novas regras”, disse o responsável no final do concerto, satisfeito com a reacção de todos a esta “nova normalidade”.
Depois de Helder Bruno, os concertos instrumentais vão prosseguir hoje, 26 de Junho, com a actuação de “O Gajo” que trará uma actuação de viola campaniça. “Foi propositada a escolha de concertos mais calmos e tranquilos para este retomar da actividade”, explicou o responsável. Sobre a actuação do pianista, o director ainda comentou que a adesão do público “foi óptima” e que prova que as Caldas “tem um público interessante e heterogéneo, curioso em vir assistir ao que é uma boa apresentação”. E acrescentou que há nesta região “um público maduro, pronto para um espectáculo, mesmo que seja de artistas que ainda não conhece bem”.
No público estava Maria Virgínia Bastos, que é do Estoril e possui casa na Foz do Arelho. “Aprecio mais os clássicos, mas foi bom ouvir estas novas composições”, disse à Gazeta, lamentando apenas um pormenor. A cada novo tema interpretado pelo pianista, os títulos surgiam na laterais do palco e estes “deveriam estar traduzidas noutras línguas”, referiu a espectadora, acompanhada por um inglês. Maria Virgínia Bastos acrescentou que apreciou a forma como a equipa do CCC fez cumprir as novas regras. “Ninguém impôs nada, apenas aconselhou e colocou à nossa disposição tudo que é necessário para nos protegermos”, rematou.
Carlos Calado veio com a sua mulher de Santarém para assistir ao concerto. “É um artista espectacular”, disse o espectador, que é amigo do intérpete. Carlos Calado e Anaísa Soares estavam satisfeitos com o retomar dos eventos no CCC, equipamento cultural onde vêm com regularidade.
O casal destacou também “a coragem de fazer o concerto nesta fase, pois desta forma o CCC relembra que a Cultura é um bem essencial para todos”. O melómano, que gostaria de ter um equipamento similar ao centro cultural em Santarém, ainda recomendou uma nova actuação de Helder Bruno. O pianista tem um outro espectáculo onde é acompanhado em palco por uma soprano e um quarteto de cordas.

 

Caldas Anima terá espectáculos dentro de portas

No próximo mês de Julho regressar às Caldas da Rainha o programa de animação urbana designado Caldas Anima.
Por causa do novo coronavírus, estes espectáculo vão contar com todas as medidas de segurança e “já não terão como intuito ‘atrair’ os transeuntes para assistir às propostas dado que não se pretende criar ajuntamentos”, explicou o director de programação, Carlos Mota. Os espectáculos nocturnos daquele programa de actuações, que costumam acontecer por norma ao ar livre e em várias zonas da cidade das Caldas da Rainha, vão agora transitar para o interior do CCC, onde serão rigorosamente respeitadas todas as normas da Direção-Geral de Saúde.
Qualquer espectáculo que aconteça nos próximos tempos no grande auditório do centro cultural só poderá ter no máximo 300 espectadores, enquanto que no pequeno auditório as regras ditam que só pode ser preenchida metade da lotação.
“Não podemos correr riscos”, disse o director de programação, que prefere deste modo apostar em apresentações circunscritas ao equipamento cultural.