“O que pedimos nestas eleições autárquicas é um voto de confiança aos caldenses”

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O PS procura, ainda, a primeira vitória em eleições autárquicas nas Caldas da Rainha. É com Luís Miguel Patacho, que se recandidata no próximo dia 26, que o partido ambiciona quebrar o ciclo de poder do PSD no concelho, que dura há 36 anos

Quatro anos depois, Luís Miguel Patacho volta a candidatar-se pelo PS à Câmara das Caldas da Rainha. Garantindo que o programa que levou a votos em 2017 está válido e que até foi copiado por outras candidaturas, o cabeça de lista dos socialistas deseja um novo ciclo político no concelho.

Socialista diz que está a equacionar oferecer uma cópia autografada do programa eleitoral do PS aos concorrentes que, afiança, se inspiraram nas propostas de 2017

Nas últimas autárquicas, o PS subiu ligeiramente a votação, mas a subida do PSD levou a um reforço da maioria do PSD. Passados quatro anos, o que o leva a recandidatar-se?
É a estagnação a que as Caldas chegou. Não é de hoje, não é deste mandato, mas dos sucessivos mandatos do PSD de há 36 anos a esta parte. As Caldas tem vindo a definhar, a perder a centralidade que já teve no passado ao nível da sub-região Oeste norte e sul do distrito de Leiria e levou-nos a este estado de estagnação que vivemos. Porquê? Porque os sucessivos executivos do PSD nunca tiveram uma visão estratégica a médio e longo prazo para as Caldas, fizeram sempre uma gestão casuística do dia a dia, uma gestão corrente dos destinos da Câmara, que levou a este estado de coisas. Apresentei-me em 2017 ao eleitorado com um programa de desenvolvimento sustentado, com uma perspetiva de médio e longo prazo, projeto esse que entendemos que continua válido e atual. Avassalados por uma pandemia tivémos que refrescá-lo sobretudo ao nível das políticas sociais, mas no essencial o programa mantém-se, é muito interessante e a prova disso é que os nossos opositores têm vindo a tirar ideias e a basear-se nele para os seus manifestos eleitorais. Aliás, estou a pensar em dar uma cópia autografada do nosso programa aos nossos concorrentes…

“As Caldas tem vindo a definhar, a perder a centralidade que já teve no passado e levou-nos a esta estagnação”

Luís Miguel Patacho

 

Que propostas concretas tem o PS para apresentar ao eleitorado desta feita?
Falamos, de há quatro anos a esta parte, de apoios à agricultura. o plano de atividades da câmara não tem uma frase de apoio à agricultura, mas agora o presidente da Câmara e candidato, Tinta Ferreira, vem falar de apoio à agricultura. Fala agora da Mata das Mestras, que andámos quatro anos a falar dela, vem finalmente falar sobre esta matéria. Já o Rui Correia, nosso antecessor como vereador, tinha proposto as Caldas como Capital do Humor, finalmente estão a avançar nesse sentido, chamando-lhe Museu do Humor. Falámos em transformar a zona industrial numa zona de acolhimento empresarial para diversificar o setor económico e vêm falar agora numa nova área de localização empresarial, são alguns dos exemplos. O Movimento Vamos Mudar vem buscar até as nossas expressões, vem falar da centralidade que as Caldas perdeu, andamos há quatro a falar de centralidade. Andei quatro anos a falar da falta de proatividade do presidente da Câmara em termos de investimento, até perguntei na altura dos debates quantos quilómetros já tinha feito com o carro, no sentido de saber onde já tinha ido para atrair investimento, que na altura era novo e ele ficou muito surpreendido. O Vamos Mudar também fala numa equipa especializada para desenvolver projetos de financiamento comunitário, nós andamos há quatro anos a falar de um gabinete de planeamento e de projetos no seio da câmara para fazer o tal planeamento a médio e longo prazo. Uma série de ideias inspiradas no nosso programa, o que é fruto da qualidade do nosso programa e esse é o segundo motivo pelo qual me candidato, porque temos um programa sustentado que virá, com certeza, a face das Caldas.

Costuma dizer-se que a cópia é sempre pior do que o original, partindo desse pressuposto acha que os caldenses vão reconhecer nestas eleições que as propostas do PS são as originais?
Espero que sim, o que peço nestas eleições é um voto de confiança aos caldenses. Afirmamo-nos como a alternativa segura, porque temos um projeto desenvolvido, sustentado, com qualidade, amadurecido durante quatro anos, bem pensado, bem estruturado, e a prova está de que os nossos adversários políticos vieram beber algumas ideias ao nosso programa, temos uma equipa muito interessante, relativamente jovem, com experiência profissional nas várias áreas do saber, com experiência política. E temos aqui um legado de oposição credível, com 45 anos. Como dizemos no nosso slogan “Estamos preparados”, este mandato que terminou, pensamos que o trabalho que fizemos quer na assembleia quer na câmara demonstrou, creio que os nossos adversário também o reconhecerão, que mais de 150 propostas pensadas, estruturadas, não populistas, exequíveis e a postura que apresentámos. Sempre que votámos contra, explicámos porquê e apresentámos alternativas. Acho que isso nos credibilizou e achamos que estamos preparados.

Considera que o eleitorado conhece esse trabalho que tem sido feito ao longo destes quatro anos?
Isso é um problema estrutural, e a comunicação social também terá alguma responsabilidade, porque a visibilidade que é dada ao trabalho que é feito na Câmara é pequena face, por exemplo, à que é dada ao trabalho da Assembleia Municipal. Todas as semanas há reuniões, há muitas decisões tomadas. Temos um site e no nosso Facebook transmitimos, enviamos para a comunicação, que dá alguma cobertura. Eu e o vereador Jaime Neto fizemos um trabalho notável, fomos a todas, como se costuma dizer.
Nestas eleições há tem um elemento novo, o movimento independente de Vítor Marques. De que maneira é que isso pode facilitar ou prejudicar a estratégia do PS?
Este movimento, que de independente tem relativamente pouco, pode contribuir para colocarmos fim a este ciclo de 36 anos de PSD à frente da Câmara e que levou ao definhamento e paragem da cidade e do concelho. Vejo como um contributo para ajudar-nos a desgastar o PSD. E, já agora, não é só este movimento. Existem outras forças políticas que também possam desgastar, à direita, o eleitorado PSD. O movimento Vamos Mudar também vai desgastar alguma coisa à direita, porque vem do PSD, encabeçado por uma pessoa que vem do PSD, é presidente de junta eleito duas vezes pelo PSD. Se nos derem o voto de confiança que pedimos, estou convencido que podemos ganhar a câmara e Vamos Mudar pode contribuir para esse desgaste eleitoral do PSD e, nessa medida, vejo como uma oportunidade.

“O movimento Vamos Mudar também vai desgastar alguma coisa à direita, porque vem do PSD”

Luís Miguel Patacho

 

Nunca houve tantas candidaturas à Câmara. Sinal de que há mais participação na vida política ou sinal de maior divisionismo na sociedade?
É as duas coisas. Há um partido da extrema direita que está a entrar no panorama, lamentavelmente, porque não temos recentrado a ética na vida política. Por outro lado há uma maior vontade, fruto do desgaste que o PSD tem trazido à governação, há aqui algum apelo a que a comunidade também se procure associar e pôr fim a este estado de coisas. Depois há também um divisionismo. O Vamos Mudar é um movimento que nasce no seio do PSD, da frustração do candidato do Vamos Mudar, que gostaria de ter sido o número 2 na lista do PSD e, como não lhe deram esse lugar, ele avança pelo seu próprio pé, nasce de uma divisão do PSD, não digo que não entre no eleitorado de outros partidos, do BE ao CDS, alguns dissidentes do PS. ■

O vereador do PS defende o trabalho desenvolvido pelo partido nos últimos quatro anos na vereação

“A Câmara das Caldas tem sido gerida de forma casuística”

Socialista não poupa nas críticas aos sucessivos executivos do PSD na autarquia

O candidato do PS à Câmara das Caldas acredita que o partido pode encerrar o ciclo do PSD no concelho, que é um dos mais longos do distrito de Leiria. “Se não acreditasse não estava aqui. não andamos aqui para aparecer nas fotografias dos outdoors. acredito que isso é realmente possível porque o PSD levou à estagnação das Caldas”.
Luís Patacho considera que a Câmara foi gerida “casuisticamente, no dia a dia, aquilo que ia aparecendo e aqui ou ali uma ou outra oportunidade”, acusando os executivos de Fernando Costa e Tinta Ferreira de falta de estratégia.

Luís Patacho diz que é “difícil” quebrar o ciclo político, num concelho onde a Câmara tem 400 trabalhadores

“Foi feita alguma coisa, mal seria em 36 anos, mas não há um desenvolvimento pensado, estruturado, é isso que nos falta e que fez com que os nossos concelhos vizinhos tenham progredido e nós tenhamos ficado mais ou menos na mesma bitola”, salientando que o caciquismo ajuda a explicar o prolongar do ciclo do PSD nas Caldas.
“Se olharmos historicamente, o PS facilitou nas primeiras eleições autárquicas e um partido que se implanta no início da democracia fortemente, como se implantou o PSD, depois é muito difícil quebrar isso. Há questões ideológicas e sociológicas, as Caldas de uma forma geral é um concelho conservador, mas a verdade é que se cria, ao longo dos anos, um conjunto de amizades, de ligações, de solidariedades, que depois é muito difícil quebrar e inverter esse ciclo. Quando se tem a Câmara e mais de 400 trabalhadores, a visibilidade é muito maior”, advoga o socialista, que pretende atrair eleitorado que, nos últimos atos eleitorais, tem optado pela abstenção.
“As pessoas estão muito dissociadas da política por causa dos ‘casos e casinhos’, como diz o primeiro-ministro, que vão acontecendo na politica, por fenómenos de populismo e perda de ética progressiva. Isso leva as pessoas a absterem-se da sua participação, a algum desgosto relativamente aquilo que vai acontecendo e ao aparecimento de fenómenos de extrema direita”, salienta Luís Patacho, notando que, nos quatro anos em que esteve na vereação, procurou, juntamente com Jaime Neto, “fazer um trabalho sério, responsável”. “Fomos uma oposição firme, pela positivo, para, de alguma forma, procurarmos credibilizar o PS e a oposição que temos vindo a fazer”.
Relativamente ao futuro, o cabeça de lista dos socialistas aponta como prioridades a aposta no termalismo por parte da Câmara, por forma a impulsionar a atividade turística. Na cultura, defende que o Museu da Cerâmica deve manter-se na esfera da Direção Regional de Cultura do Centro. ■