A Semana do Zé Povinho

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Foi com regozijo que Zé Povinho soube que o comissário Nuno Carocha vai voltar a comandar a PSP das Caldas da Rainha numa altura em que a segurança assume um cada vez maior papel na cidade.
Há pessoas que fazem a diferença nos cargos que ocupam. Este oficial, quando passou pela PSP das Caldas há alguns anos, soube fazer essa diferença. Ainda como jovem sub-comissário, trouxe um novo alento à acção da polícia caldense e avançou com vários projectos que se distinguiram pela inovação.
Sensível ao que preocupa a população, o comissário Nuno Carocha irá com certeza ter uma atitude diferente daquela que nos últimos anos a PSP teve em relação às Caldas da Rainha.
Zé Povinho quer ver mais polícias a andar a pé pela cidade, um maior investimento na investigação policial e uma cultura de prevenção forte. Será importante também a relação da PSP com as entidades locais – inclusive a comunicação social – para que todas possam contribuir para um sentimento de maior segurança. Por tudo isto, seja bem vindo senhor comissário.

Em grande número de países desenvolvidos, como em certas instâncias supra-governamentais como a União Europeia, é usual existirem lobbies devidamente registados e reconhecidos que têm um acção mais transparentes junto dos órgãos decisórios.
Em Portugal essa prática nunca mereceu a devida atenção, exercendo-se o lobbiismo de forma encapotada e meia clandestina, ou na pior das hipóteses, através do sistema do amiguismo ou das cunhas.
O primeiro-ministro, Dr. Passos Coelho, foi interceptado fortuitamente numa conversa com o banqueiro José Maria Ricciardi, do BESI, que estava sob escuta judicial por razões ligadas ao processo Monte Branco.
Segundo os media, esta conversa não terá tido qualquer repercussão em termos de responsabilidade criminal, uma vez que o banqueiro apenas queria manifestar a sua discordância com a escolha pelo Estado português da empresa norte-americana Perella como consultora do Estado para as privatizações da EDP e REN.
Segundo o Dr. José Maria Ricciardi “para que não fiquem dúvidas (…) reafirmo que transmiti a vários membros do Governo a minha discordância pelo facto de o Estado ter contratado a firma norte-americana Perella por ajuste directo, quando se exigia, na observância do rigor e da ética, que se elegessem as assessorias financeiras através de concurso público”.
Naturalmente que o presidente do BESI tem todo o direito de manifestar publicamente a sua discordância com a decisão do governo sobre esse concurso, mas não deve é fazê-lo no segredo de telefonemas particulares com responsáveis governamentais.
O Dr. Ricciardi diz que falar com um governante “não é ilícito, nem irregular ou sequer censurável”. É claro que não, desde que qualquer português pudesse fazer o mesmo. Mas o banqueiro sabe que não é assim e que ele tem acessos privilegiados que o comum dos cidadãos não tem.
Para Zé Povinho seria mais lógico que em momento oportuno tomasse posição pública sobre o assunto, assumindo as devidas consequências, em vez de tratar estes assuntos de uma forma que indicia acesso privilegiado aos membros do governo, que a maioria dos portugueses, que têm os mesmos direitos, não dispõem. Por isso, por mais que brade aos céus, o banqueiro incorreu numa falta que Zé Povinho condena.