A poesia pousou nas colectividades, igrejas e escolas

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Dois actores do Teatro da Rainha levaram sessões poéticas a vários espaços das freguesias da cidade. A iniciativa, designada Pouso da Poesia teve início a 11 de Abril e passou pelo Arneirense, Igreja do Espírito Santo, Areco (Coto) e ETEO, tendo atraído centenas de pessoas.

Cerca de 50 pessoas subiram ao palco dos Pimpões para, num ambiente intimista, escutaram a sessão poética proposta pelos actores e músicos do Teatro da Rainha, José Carlos Faria e Nuno Machado. Tratou-se de uma viagem pela poesia da língua portuguesa, num roteiro desde o século XIII (com as Cantigas de Amigo, Escárnio e Mal-Dizer), passando pelos poetas do Cancioneiro Geral, até chegar aos nossos dias.
Neste percurso, entre poesia dita e musicada, desfilaram poemas de Cesário Verde, Jorge de Sena, Sophia de Mello Breyner, Miguel Torga, Ruy Belo, Fernando Assis Pacheco, Reinaldo Ferreira. A viagem teve algumas paragens para falar um pouco da biografia dos actores ou da história de algum dos poemas em particular. Os actores também apresentaram vários poemas que antes já tinham sido musicados por Zeca Afonso. Do espectáculo ainda fizeram parte versos de Carlos de Oliveira, Herberto Helder, Natália Correia, Luiz Pacheco, José Afonso, Cesariny, Mário de Sá-Carneiro ou José Gomes Ferreira.
Os actores prestaram também homenagem a José de Santa Bárbara, artista e designer que desenhou várias capas de discos de Zeca Afonso.
A sessão fechou a iniciativa “Pouso de Poesia”, organizada pelas duas uniões de freguesia da cidade. De acordo com Jorge Varela, esta poderá regressar, vindo a abranger colectividades rurais e urbanas do concelho.
A sugestão dos actores em levar a poesia às colectividades foi bem acolhida pelas duas uniões de freguesias e “os grandes beneficiários foram os caldenses que tiveram a oportunidade de assistir a estas sessões poéticas”, disse o autarca. Numa altura em que se perde tanto tempo nas redes sociais e a ver telenovelas e futebol, proporcionar este tipo de eventos “enriquece-nos e faz de nós melhores cidadãos”, concluiu.
Segundo José Carlos Faria, o objectivo da iniciativa era “fazer algo leve e de partilha do nosso património poético”. O actor e músico contou que o espetáculo está montado e “já há vários pedidos para o levar a outros locais”.