Aos 22 anos, Holly já passou música nos 4 cantos do mundo

0
1591
Notícias das Caldas
Holly: “chegamos a uma idade em que as Caldas nos sufoca… precisamos de sair daqui para conhecer outras realidades e não estagnarmos” | D.R.

Desde 2013 Holly já lançou 13 EP’s (formato mais pequeno que o álbum), 51 beat tapes (compilação de beats) e uma banda sonora. Todos os meses, às vezes semanalmente, o caldense lança um novo som no Soundcloud, a plataforma online onde divulga o seu trabalho. No ramo da música electrónica há mesmo quem diga que é “hiperactivo”. Este confirma e diz que deseja continuar a produzir todos os dias.
Embora recente, a carreira de Miguel Oliveira já atravessou fronteiras. Estados Unidos, Austrália e China são alguns dos países que o jovem de 22 anos já pode riscar do mapa. Amanhã estreia-se na Índia.

Desde os cinco anos que Miguel Oliveira começou a beber das influências do irmão mais velho, Tomás Oliveira. Podemos mesmo apresentá-lo como o irmão do DJ Ride, nome que dispensa quaisquer apresentações no mundo da música electrónica. Melhores amigos, trabalham e trocam ideias juntos. Criaram inclusive a We Many, um pequeno colectivo discográfico que serve não só para exporem os seus trabalhos, como para lançarem músicas de amigos e de músicos que admiram.
Em 2014, em conjunto com Stereossauro (outro caldense), produziram a banda sonora do espectáculo de videomapping “Perdi o Coração em Lisboa”, exibido no Terreiro do Paço, Lisboa.
Embora partilhem conhecimentos e projectos, Holly não é Ride e tão pouco gosta que associem o seu crescimento musical ao peso do nome do irmão ou que façam comparações. “Nunca procurei qualquer associação com alguém. O meu irmão é o meu melhor amigo e como é óbvio recebo influências dele, tal como recebo de outros membros da minha família ou do filme que vi ontem. Mas nunca quis tirar benefício da relação que tenho com ele, pois somos duas mentes criativas diferentes e o que fazemos só a nós nos diz respeito pessoalmente”, afirma.
Mais do que a guitarra clássica, instrumento que começou a tocar aos sete anos, Holly deixou-se influenciar pelo skate. A tábua sobre rodas introduziu-o no universo do hip-hop e do punk hardcore. Tinha 16 anos quando começou a frequentar espectáculos destes géneros musicais, altura que coincidiu com o renascimento do movimento “Caldas da Rainha Hardcore”. Aos 18 decidiu instalar no PC o Fruti Loops (programa de produção áudio) e iniciou a sua experiência criativa, aprendendo por si mesmo, nos primeiros tempos, através de tutoriais no Youtube. Um ano depois lançou o primeiro EP.
Desde então é difícil acompanhar todas as novidades que vai postando no Soundcloud (soundcloud.com/hollyhollys). O último tema – “Tetsujin” – foi lançado no dia 13 de Janeiro, em colaboração com Shintaro, e o EP mais recente –  “Palpitations” – no final do ano passado. Sobre esta “hiperactividade de lançamentos”, o jovem caldense revela: “gosto de estar no meu espaço a fazer música diariamente e chega a uma altura em que os lançamentos vão acontecendo naturalmente à medida que vou acumulando algumas músicas que nunca mostrei publicamente”. Além disso, o facto de não ser “muito crítico” em relação ao seu trabalho, contribui para que termine os temas mais rapidamente.
A pedalada está acelerada e Miguel Oliveira espera poder manter o ritmo por muito mais tempo e continuar a fazer música todos os dias. Até porque não considera a sua actividade como produtor musical um “trabalho”. “Essa é uma palavra muito dura para descrever algo que faço com gosto e porque me faz sentir melhor”.

MÚSICA PARA FAZER PUBLICIDADE A ENGUIAS

Os sons que Holly tem produzido já foram utilizados nas mais variadas situações, muito por culpa das novas tecnologias, que permitem o envio e a troca de projectos em poucos segundos. Chegaram a amigos, rappers, marcas de automóveis, empresas de multimédia, bloggers e youtubers, dançarinos e até… produtores de enguias que quiseram usá-los nos vídeos promocionais do seu negócio.
Ainda que a sua sonoridade seja essencialmente electrónica, Miguel diz identificar-se com todos os estilos. E acrescenta que categorizar a música por géneros é “a mesma coisa que distinguir raças nos humanos. Se gostas de pessoas, gostas de pessoas e pronto, independentemente de serem brancas, pretas, chinesas, ciganas… Para mim na música é igual: gosto de tudo o que é música e todos os estilos me cativam de forma igual”.
De todos os palcos que pisou, Holly não consegue destacar uma única actuação como a mais especial. “Todas são experiências diferentes, em situações e locais diferentes, com públicos diferentes, por isso não há forma de compará-las sequer”, realça.
Com apenas 22 anos, já actuou em quatro dos cinco continentes, em países como os Estados Unidos, China e Austrália. Este fim-de-semana prepara-se para a estreia na Índia e em Fevereiro voará até Nova Iorque (Brooklyn). Até ao momento sem nenhum agente, é Holly quem contacta directamente com as entidades que o convidam. E tem viajado sempre sozinho.
Quando não está em viagem, o jovem caldense divide o seu tempo entre Lisboa e Caldas da Rainha. Inicialmente mudou-se para a capital para prosseguir os estudos, mas este ano fez uma pausa na universidade para “pensar um pouco melhor” nos caminhos a seguir no futuro e concentrar-se mais na música. Apesar da paragem, continua a viver em Lisboa porque “chegamos a uma idade em que as Caldas nos sufoca… precisamos de sair daqui para conhecer outras realidades e não estagnarmos”.
Ainda assim, Holly continua a vir regularmente à sua cidade natal, realçando que foi nas Caldas que conheceu a maioria das pessoas que o ajudaram a moldar a sua personalidade, forma de pensar e até o seu percurso artístico. “Agradeço a todos, desde a minha família de sangue, à família do skate, aos do Caldas da Rainha Hardcore e aos que fizeram parte dos tempos de liceu”.
Sobre a curta (mas em crescimento exponencial) carreira que tem vindo construir, Holly afirma que “ainda há muita coisa para fazer, por isso não vale a pena pensar já nos ‘feitos’ alcançados”. Afinal, “tudo o que até agora conquistei já houve outras 1001  pessoas a fazê-lo antes de mim”.