Artistas com atelier nas Caldas expõem em Lisboa

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Maria Betânia e Ana Cruz Papoila têm oficina nas Caldas e vão expôr numa galeria na capital | DR

Ana Papoila e Maria Betânia vão expor as suas peças cerâmicas, feitas nas Caldas, em Lisboa, na galeria Underdogs

O desequilíbrio de forças entre o construído pelo Homem, os impactos nefastos no ecossistema e o poder regenerador da Natureza são temas da exposição de cerâmica “Wild Fire” que Maria Betânia e Ana Papoila inauguram amanhã, 13 de novembro, na galeria Underdogs, em Lisboa.
As autoras, que têm ateliê de trabalho nas Caldas, criaram uma mostra exposição- instalação, pensada para o próprio espaço da galeria. Além das peças de cerâmica, esta mostra também conta com som que será usado de forma interativa.
“Quisémos explorar o lado decadente do desenvolvimento tecnológico, económico, que não se traduz numa verdadeira evolução social, humana”, explicam as artistas.
Maria Betânia e Ana Papoila trabalham ambas com utentes de instituições de saúde mental em Lisboa mas agora por causa da pandemia têm que manter o apoio à distância.
“Todas as nossas peças são feitas no ateliê nas Caldas da Rainhas, apesar de pontualmente recorrermos a outros ateliês para cozeduras ou outros procedimentos específicos”.
Maria Betânia e Ana Papoila recebem visitas, sob marcação e pequenos grupos em contexto de eventos culturais da cidade.
“Temos sempre um enorme prazer em receber o público no nosso espaço, essa comunicação é algo que valorizamos”. Recentemente, as autoras foram entrevistadas por uma equipa da RTP2 para uma série que a estação pública está a preparar sobre cerâmica. Por causa da escultura artística desta dupla “vieram ao nosso atelier para um dia inteiro de filmagens e recolhas sonoras”. A vinda da equipa de televisão incluiu uma visita à Praça da Fruta.
As ceramistas têm peças onde usam a ironia e o vernáculo, que é típico da louça tradicional caldense e neste momento já se reconhece a assinatura desta dupla cuja obra já foi distinguida com uma menção honrosa na Bienal Internacional de Aveiro.
Respondendo a uma encomenda, a dupla de autoras vai criar uma escultura em grande escala, algo que já ambicionavam a algum tempo e que vão iniciar já no início de 2021.