Câmara e Liga de Amigos não querem descentralização do Museu Malhoa

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Notícias das Caldas
O Museu José Malhoa criado em 1933 integra, actualmente, a rede nacional de museus | N.N.

A Câmara das Caldas e a Liga de Amigos do Museu José Malhoa defendem a promoção da inserção daquele espaço museológico na Rede Portuguesa de Museus. Uma posição que “não está de acordo com a elaboração de qualquer processo de descentralização que confira à autarquia a direcção e gestão do Museu José Malhoa”, refere a minuta da acta, aprovada por unanimidade na sessão de Câmara de 27 de Maio.

Esta posição é uma resposta à carta enviada pela Liga de Amigos, onde mostram a sua preocupação com o facto de, durante a visita do secretário de Estado da Cultura às Caldas (9 de Março), ter sido “alvitrada” a hipótese do Museu José Malhoa poder vir a passar para a esfera de gestão municipal. “A concretizar-se tal perspectiva, estaríamos perante uma evidente e indesmentível despromoção”, refere a missiva.
Os responsáveis mostram ainda a sua apreensão por não vislumbrarem quais os meios que possam garantir disponibilidade de verbas para “aquisição de obras, a sua regular conservação e restauro, o desenvolvimento de investigação, bem como assegurar imprescindíveis competências técnicas e científicas”.
Actualmente o Malhoa é um museu regional e integra a rede nacional de museus. Criado em 1933 e inaugurado no ano seguinte, o Museu José Malhoa beneficia desde 1940 de um edifício próprio, concebido pelos arquitectos António Montez e Eugénio Correia. Foi ampliado em 1950 e 1957 e remodelado entre 2006 e 2008, passando as instalações a contar com um reforço da envolvência natural do Parque, onde estão inseridas.
O edifício, classificado como imóvel de interesse público, foi o primeiro em Portugal a ser construído de raiz para fins especificamente museológicos.
A Liga de Amigos diz que um museu vale sobretudo pelo seu espólio. Consideram que, deste ponto de vista, “transcende, sem qualquer dúvida, a mera dimensão regional para assumir uma importância nacional”. Ali encontra-se a maior parte das obras de José Malhoa que se encontram na posse do Estado, assim como telas de Columbano Bordalo Pinheiro, Silva Porto, Henrique Pousão, entre outros, e uma grande colecção do naturalismo português.