Carlos do Carmo foi eternizado num mural do caldense Daniel Eime

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A obra foi feita em 2013 no Bairro da Graça, em Lisboa

O ano de 2021 começou com a notícia do falecimento do fadista Carlos do Carmo. Gazeta das Caldas, que o entrevistou por duas vezes nos anos 1980, recorda o artista, lembrando o momento em que Daniel Eime o eternizou numa pintura a stencil num grande mural no Bairro da Graça, em 2013
O artista caldense nascido em 1986 e, então com 27 anos, tinha um grande desafio pela frente: pintar o primeiro rosto que não era anónimo. O jovem, que estudou em Lisboa no Chapitô e no Porto na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo, tinha-se especializado na arte do stencil e os rostos de grandes dimensões que criava em paredes de edifícios (e não só) tornaram-se famosos. Um dos exemplos é a cara de uma idosa numa das paredes dos Silos, nas Caldas.
Desta feita, faria uma obra no muro da Calçada do Monte, no Bairro da Graça, com o rosto do fadista Carlos do Carmo desenhado a stencil e que deveria assinalar os 50 anos de carreira do músico. E assim foi. O artista plástico replicou a fotografia que fazia a capa do disco que o fadista iria lançar pouco tempo depois intitulado de “Fado é Amor”.
O resultado final impressiona pela expressividade e pelo rigor, mas também pelo traço artístico característico do autor. O desenho, de grandes dimensões, foi feito em tons de preto, branco e cinzentos e fez capa da revista Ipsilon.
Depois deste primeiro rosto que não anónimo, Daniel Eime já pintou também a poetisa Sophia de Mello Breyner Andersen, em Lisboa.
“Não é muito comum em mim”, assumiu o artista à Gazeta das Caldas, fazendo notar que prefere trabalhar os rostos anónimos. Entre os seus trabalhos mais recentes está o rosto de um homem idoso, nas Caldas, que pretende evocar a memória do avô paterno do artista e que integrou o FALU (onde Eime foi curador).