Cave Story em cassete por uma editora caldense

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A banda caldense Cave Story vai lançar daqui a dias o seu novo álbum intitulado “Wide Wall, Tree Tall”

Uma micro editora lançou uma cassete com temas de uma banda das Caldas. Há novos projetos na calha, entre eles, uma fanzine

Os Cave Story lançaram no final de 2022 o EP “The Town”, em cassete, através da Ticket To Ride Records, uma nova editora independente das Caldas, fundada por Manuel Simões, músico dos Norton.
As canções já tinham sido editadas em formatos digitais mas. na verdade, Manuel Simões gostou tanto dos quatro temas que achou que “era importante que tivessem um suporte físico também”. Assim fez o convite aos Cave Story que gostaram da ideia de ter os seus temas, lançados em outubro de 2021, agora lançados um ano depois, num suporte físico.
“Fez sentido voltar a editar estes temas”, disse Gonçalo Formiga, que é vocalista, guitarrista e produtor dos Cave Story.
Trata-se de um formato “que é acessível e traz consigo alguma nostalgia para quem colecionava música em cassete”, disse o músico. Para o vocalista dos Cave, é também “uma forma de resistência aos formatos digitais”.
Limitada a 50 exemplares e com arte estelar assinada pela ilustradora Ema Gaspar, esta edição acolhe quatro canções dos Cave Story, grupo que entre as guitarras e a eletrónica, recordam como é importante o amor e a presença da família.
Estes são temas que fogem ao registo mais habitual deste grupo mais eletrizante e pós punk ,que caracteriza os registos anteriores.
“The Town” encontra-se à venda na Bandcamp da Ticket To Ride e dos Cave Story, e nas lojas Louie Louie e Flur, em Lisboa, e Matéria Prima, no Porto.
O EP dos Cave Story, agora numa edição física, é também reflexo da vontade da editora caldense em também querer devolver às pessoas o gesto de tocar num objeto que guarda canções.
A primeira edição da Ticket To Ride Records foi o álbum “Heavy Light”, dos Norton, em 2020. Manuel Simões quer criar um catálogo que preserve o formato físico, nomeadamente a cassete, com edições limitadas a poucos exemplares. Peças únicas que, no futuro, pretendem alargar-se ao vinil e também à fotografia, contou à Gazeta das Caldas.
“A música é o mote principal mas não fecho a porta às outras artes”, disse o músico que está também a preparar mais uma cassete, uma fanzine e um livro de fotografia e que espera possam ser editados até ao final do ano. Também quer editar em vinil e diz que tal como a película, são materiais que interessam às novas gerações pois “talvez o digital esteja a saturar”. E recorda ainda que as editoras independentes “nunca deixaram de editar em vinil”.
“Tudo pode acontecer na Ticket To Ride. No fundo, este carimbo é um veículo para transportar a música e a arte em que acredito. Nada me dá mais prazer do que contribuir para isso mesmo”, rematou Manuel Simões.

Cave Story com novo trabalho
“Wide Wall, Tree Tall” é o novo álbum dos Cave Story quarteto formado Gonçalo Formiga (Voz, Guitarra), Ricardo Mendes (Bateria), Zé Maldito (Samplers e Guitarra) e Bia Diniz (baixo). O novo álbum será editado em março e o primeiro single sairá no início de fevereiro.
“Sinto que é uma espécie de recomeço e de renovação, depois de três anos marcados pela Covid…”. Os Cave Story sempre atuaram bastante, antes do confinamento. Como tal, “o regresso aos palcos é algo que ansiamos há muito tempo”, disse Gonçalo Formiga. É no seu estúdio nas Caldas que os Cave Story fazem a produção e a gravação das canções. Já os ensaios decorrem sobretudo em Lisboa ao passo que o processo de composição deste grupo é feito nas duas cidades.
“Neste momento trabalhamos como freelancers mas, no futuro, gostaríamos de nos dedicar apenas à música”, referiu o músico. Alguns dos elementos dos Cave estão ligados às Artes Plásticas, Design de Moda e Styling e como técnicos de som e programadores.
Os dois autores creem que se vive um bom momento na música portuguesa. Acham que a ideia de recomeço paira no ar e concordam com o facto de 2022 ter sido um falso rearranque pois houve poucos concertos.
Manuel Simões e Gonçalo Formiga esperam um 2023 melhor, com mais possibilidades de mostrar o que se faz na música independente em Portugal. ■