Cenógrafo reconstrói a história do Hospital Termal através de colagens

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Jorge Carvalho é cenógrafo e dedica-se à recriação histórica

Construir o Céu, assim se designa a exposição de Jorge Carvalho que resultou de uma residência artística feita no Museu do Hospital. A mostra, que abriu portas a 11 de Maio, é constituída por vários painéis onde o artista aborda a história relacionada com a fundação do Hospital Termal das Caldas da Rainha.

“Sempre me intrigou como seria a povoação antes da vinda da Rainha D. Leonor e da constituição do Hospital Termal”, diz Jorge Carvalho, o autor da exposição Construir o Céu, que é cenógrafo e recriador histórico. Durante vários anos, construiu cenários para o Mercado Medieval de Óbidos e actualmente percorre participa nos eventos medievais que acontecem de norte a sul do país. Pratica esgrima e também se interessa por iluminura e caligrafia antigas.
Durante três meses, Jorge Carvalho veio todas as quartas-feiras ao Museu do Hospital e das Caldas para conhecer melhor a história do início do hospital.
O autor começou por ler os trabalhos académicos do arquitecto Miguel Duarte e da investigadora Lisbeth Rodrigues que se dedicaram a vários aspectos relacionados com a fundação do hospital em 1485. E desta pesquisa resultaram vários painéis onde o cenógrafo reúne materiais, desenhos, colagens e pequenos objectos sobre as diversas fases relacionadas com a fundação do Hospital Termal. Podem conhecer-se aspectos da arquitectura que se mantiveram e de como seria a configuração das piscinas de tratamento termal.
Segundo Jorge Carvalho, a piscina da Rainha ter resistido deve-se ao facto de, a dada altura, esta se destinar a pessoas que sofriam de doenças contagiosas e ter sido encerrada. As abóbadas da piscina “ainda são as originais”, revelou o cenógrafo.
Jorge Carvalho diz que estudou as origens das Caldas da Rainha e descobriu que antes da construção do hospital promovida pela rainha D. Leonor já se “faziam termas nas Caldas e estas eram exploradas por uma ordem religiosa”, disse o autor, acrescentando que até já existia uma capela. Não se conhece muito sobre esta ordem, denominada Rocamador, mas esta existiria em 1112 no reino de D. Sancho I e auxiliava os mais necessitados. Terá durado até ao reinado de D. João II, altura em que se extinguiu sem se conhecer o motivo.

O que se esconde no subsolo

Se pudesse, Jorge Carvalho gostaria de pesquisar o que actualmente se esconde dentro das paredes e no subsolo do edifício actual e, dessa forma, poder conhecer um pouco mais sobre como seriam as termas e o próprio hospital do século XVI.
Se fosse possível, seria desafiante para o autor desmontar a pedra e a cal que escondem os silhares antigos e adivinhar as formas originais que os construtores Mateus Fernandes (pai e filho) deram ao edifício inicial. Os vários painéis que compôs têm recortes, pequenos objectos e até materiais de construção antigos que Jorge Carvalho encontrou nas imediações do Hospital Termal. Podem ser também conhecidas as marcas dos canteiros que colocaram as pedras que formam o edifício que Jorge Carvalho fotografou e colocou nos seus painéis.
Trata-se pois de uma interessante mostra pedagógica, útil para estudantes de vários graus de ensino que queiram conhecer um pouco melhor a história deste hospital. Presentes estão também trabalhos de Dulce Nunes que se referem às termas caldenses.
A exposição Construir o Céu fez parte também da programação do Dia Mundial da Colagem e os visitantes foram convidados a realizar um workshop que interligava a colagem e o Storytelling (contar histórias).
Construir o Céu vai estar patente no Museu do Hospital e das Caldas até 16 de Junho.