Ceramistas das Caldas e de Barcelos representaram o país na Argilla em França

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O ceramista Miguel Neto recebendo a visita das individualidades

Ceramistas das Caldas e de Barcelos estiveram na Argilla em França onde Portugal foi o país homenageado

Os ceramistas Miguel Neto e Francisco Correia, que vivem nas Caldas, assim como Daniel Alonso e Prazeres Cota de Barcelos estiveram em Aubagne (capital francesa da cerâmica e dos Santons), nos dias 12 e 13 de agosto, para participar no evento internacional Argilla France 2023.
Nesta edição, que foi visitada por 50 mil pessoas, Portugal foi o país convidado e esteve representado por ceramistas de Barcelos e das Caldas que são Cidades Criativas da Unesco pelo seu Artesanato e Artes Populares.
Desde junho, e até meados de setembro, que está patente no centro de arte “Les Penitents Noirs”, em Aubagne, a exposição “Barro”, constituída pela mostra “Portugal Cerâmico”, organizada pela AptCVC. Esta chegou agora a França, após ter sido apresentada em várias cidades e vilas cerâmica portuguesas.
Miguel Neto e Francisco Correia não podiam estar mais satisfeitos com a participação nesta iniciativa que decorre alternadamente nas localidades de Aubagne (França) e de Faenza (Itália). “Foi uma ótima experiência e vendemos muito bem”, contaram à Gazeta das Caldas acrescentando que o público era “conhecedor e interessado na aquisição cerâmica”.
Ambos salientaram a partilha de conhecimentos com outros ceramistas, já que estiveram presentes 180 autores de 15 países diferentes. Muitos trabalham as suas peças à roda como estes dois autores que representaram as Caldas. “Apesar de partilharmos a mesma linguagem, todos apresentamos produções diferentes”, salientou Miguel Neto, recordando que a maioria dos participantes eram de Itália, França e de Espanha. “Foi uma boa ideia convidarem-nos, pois serviu para mostrar algum trabalho cerâmico contemporâneo que se faz por cá”, referiu Francisco Correia. Ambos foram embaixadores da região Oeste, divulgando não só a cerâmica mas também os pontos turísticos desta região.
Os dois autores venderam peças entre os 20 e os 250 euros. E ambos conseguiram vender grandes obras.
Para Miguel Neto e Francisco Correia em relação à cidade que escolheram para trabalhar, falta algum apoio para quem acaba o curso e quer iniciar o seu trabalho na cerâmica. Também sugerem que se criem algumas iniciativas como o regresso de uma Bienal de Cerâmica e um Conselho para proteger as artes e ofícios ligados a este setor.
Para Miguel Neto, Caldas poderia continuar a realizar o “Domar o Fogo” que decorreu no centro de Artes e que uniu a cerâmica, a cutelaria e a gastronomia da região. Por seu lado Francisco Correia salienta que há hoje na cidade termal “um saber multidisciplinar que permite diferenciar as Caldas e que está a atrair cada vez mais gente que quer viver por cá”.

Cidades criativas em Faenza
Caldas e Barcelos vão querer marcar presença na Argilla de Faenza (Itália). Segundo a vereadora da Cultura, Conceição Henriques, se tudo correr bem, os dois municípios “pretendem estar presentes, de forma conjunta, na edição de 2024 que se realiza em Itália”.
A autarca caldense esteve em Aubagne, cidade que diz que é similar às Caldas pois também tem o seu mercado diário. “Fazem a feira de cerâmica em volta do mercado, o que cria uma dinâmica interessante na localidade”, disse a vereadora que também considera que faz sentido juntar a venda de produtos regionais, pois “permite aos visitantes conhecer melhor o que se produz em dado território”. Eventualmente, a Argilla de Aubagne poderá até servir de inspiração para eventos nas Caldas. “Em vez de ser só no parque, a mostra mercado poderá surgir conectada com a vida na cidade”, disse. Na sua opinião, as Caldas Cidade Criativa e o Geoparque Oeste “devem interligar-se pois a cerâmica é também “uma geoarte que resulta da transformação da terra e da água”, rematou. ■