CHON celebra 500 anos da Villa das Caldas com artistas da ESAD

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notícias das CaldasO Centro Hospitalar do Oeste Norte e o Museu do Hospital e das Caldas estão a assinalar os 500 anos da Villa das Caldas da Rainha (1511-2011) e da assinatura do Livro do Compromisso pela Rainha D. Leonor (1512-2012) através de um projecto – intitulado Matriz Caldas – realizado em parceria com a ESAD.
A programação cultural foi apresentada no sábado, 8 de Outubro, numa sessão que teve lugar no Museu do Hospital e que contou com uma performance de Luís Simões, artista formado na ESAD, que tomou um banho de argila numa das famosas banheiras de pedra do Hospital Termal.

O projecto Matriz Caldas evidencia que estão a nascer novas ligações entre o Museu do Hospital e várias gerações de artistas que estão a produzir obras, inspirando-se no património do CHON. “São duas datas de grande simbolismo e nada melhor do que celebrá-las com ex-alunos e alunos da ESAD”, disse Dora Mendes, técnica responsável do Museu do Hospital.
Esta responsável salientou o facto de já estarem patentes 14 obras espalhadas pelo espaço museológico, sendo a maioria feitas de propósito para esta temática. Peças antigas, do início da fundação da cidade, convivem agora com instalações actuais, o que tem provocado as mais variadas reacções no público.
“Houve visitantes que apreciaram o contraste e houve quem ficasse chocado com as propostas”, contou a responsável.
De Matriz Caldas ainda faz parte um lançamento de um livro com textos de especialistas de várias áreas, e cuja edição está prevista para o próximo mês de Março. Mário Caeiro, docente da ESAD ligado a este projecto, contou que os artistas convidados estão a trabalhar alguns temas base para a criação artística como
água, corpo saúde, vida e até a temática da própria matriz (rede).
“Os artistas reagem ao facto das Caldas ter nascido a partir deste hospital, de um movimento histórico e cultural iniciado por uma rainha e que vai crescendo, como uma planta a partir desta matriz”, disse o docente.
Mário Caeiro salientou que algumas obras  contemporâneas “encenaram” as que fazem parte da colecção permanente. “Há uma em que se salienta o chão de um quadro que já lá está, ou um vídeo que comenta uma obra que vive ao lado”, rematou.
André Teles, 23 anos, frequenta o curso de Design Industrial e trabalha na organização do Matriz Caldas. Faz assistência de curadoria e está a trabalhar com 27 artistas que vão criar obras para a iniciativa. Conta que está a ser um bom desafio e, como é natural das Caldas, ainda lhe dá mais prazer desenvolver este conceito. “Gostaria que a Matriz Caldas conseguisse trazer públicos a este espaço que não estão tão habituados a museus”, disse o jovem. André Teles conta que nesta fase já podem ser apreciadas 14 obras entre instalações, pinturas e esculturas.

Uma performance em banho de argila

A inauguração de Matriz ficou marcada pela performance de Luís Simões, formado na ESAD. O artista plástico contou ao público que iria realizar uma performance relacionada com uma caminhada que fez por uma praia onde costuma passear na região e onde faz habitualmente banhos terapêuticos de argila. Foram apresentadas as várias fases, desde transformar os pedaços de barro em pó até tomar banho numa das típicas banheiras de pedra do Hospital Termal.
Anabela Santos, 27 anos, mora nas Caldas e apresentou um trabalho em forma de cilindro, feito de um tecido fino onde estão representadas penas e folhas. A artista plástica, formada na ESAD, gostou de participar nesta iniciativa onde há vários autores com diferentes idades e formações, “mas de uma forma ou de outra estamos todos ligados à cidade”.
Eunice Artur possui uma instalação sonora na Sala dos Reis. Quem colocar os auscultadores houve uma voz feminina que suspira. “Este trabalho reflecte sobre a relação que temos com o outro e também connosco”, explicou a artista para quem não foi alheio o facto de na sala designada dos reis estar apenas uma mulher – a Rainha D. Leonor.
Para construir a sua instalação, Ivo Andrade usou vários inaladores que agora ganham nova função: protegem imagens. “São peças de uso quotidiano do hospital e que também poderiam integrar a colecção do museu”, disse o autor, também formado na ESAD e que se encontra a trabalhar em projectos de artes digitais interactivas, no Pavilhão do Conhecimento em Lisboa.
No Museu do Hospital podem ainda ser apreciados os trabalhos de David Casta, Bianca Costa, Teresa Forbes, Bruno Jamaica, Jorge Maciel, Bruno Bogarim, João Ferreira e de Nuno Fragata.