“Como flores que desabrocham na paisagem mais sombria, o rock ‘n roll salva a nossa alma”

0
830
A banda Wild Flowers apresenta um repertório marcado pelas múltiplas influências musicais decorrentes dos diferentes backgrounds dos três elementos

Grupo existe há um ano e esteve em digressão pelo Reino Unido, tendo recentemente lançado o primeiro EP

Jéssica Martins (luso-americana), Joe Mac (estado-unidense) e Natasha Dow (inglesa descendente de goenses) compõem um trio que se dá pelo nome de Wild Flowers. A banda de rock nasceu em agosto de 2022 e, recentemente, lançou o primeiro EP, autointitulado “Wild Flowers”. A banda esteve em digressão pelo Reino Unido, de 17 a 27 de agosto, logo após o lançamento, que decorreu na Arcacen Capeleira e Navalha, a 13 de agosto.
“O três é um número mágico, é por isso que os triângulos e as pirâmides são tão fortes”, contou Natasha Dow, acrescentando que “funciona muito bem ter três pessoas numa banda”, porque se complementam.
Jéssica Martins é a vocalista, assim como guitarrista e compositora, frequentando acampamentos para compositores para aprimorar esta última faceta. Nos Wild Flowers, é ainda a responsável pelo marketing. A cantora pertence também à banda The Booze Brothers. Nos EUA, integrou a banda indie Via Audio, que fez digressões pelas Américas do Norte e do Sul e pela Ásia, abrindo concertos de célebres grupos, como Spoon,
Cake, Jefferson Starship, White Rabbits, Jukebox the Ghost, entre muitos outros. A solo, sob o pseudónimo de Modest Midas, Jéssica fez tournées pelos EUA e pela Europa.
Joe Mac é o baterista, e também possui um longo historial na área, desde que fundou a primeira banda, de punk rock, aos 13 anos. Toca ainda em The Four Horsemen, Jukejoint, The Riff Drifters, The Blues Berries, entre outras bandas, e gosta de todos os tipos de música, desde o punk clássico, country ou blues.
Natasha Dow é a baixista, tem formação em música clássica e piano e pertence a coros de igreja até ao presente, em que toca guitarra na missa em inglês que decorre mensalmente na Igreja de Tornada. Viveu nos EUA, onde foi cientista, tendo-se mudado para Óbidos há 17 anos. Juntamente com o marido, Paul, que a iniciou no rock, fundou a banda de covers “Solid Gold”, pela qual atuou pelo Oeste durante mais de uma década, doando todo o cachet à sua causa de eleição, “Smile Train”. A banda foi a convidada no episódio n.º 400 de “Inesquecível”, o talk-show de Júlio Isidro na RTP Memória. Atualmente, faz parte de The Booze Brothers, The Riff Drifters, Orange Pepperkiss, Sexxy Mess e Forever Now.
Foi Natasha quem, após a morte do marido, decidiu criar a banda Wild Flowers, que, inicialmente, era para ser uma “all-female band”. Convidou Jéssica Martins, mas faltava um baterista, e foi assim que Joe Mac entrou em cena. “Já tocava numa banda com o Joe, onde ele era guitarrista e cantava. Mas também toca bateria e é um músico experiente. Por isso convidámo-lo”, e acabou por ficar. “Tem um conhecimento tão vasto do rock ‘n roll e de como as bandas devem trabalhar! Olha só o que já alcançámos num ano!”, afirmou Natasha, satisfeita.

O EP “Wild Flowers” está disponível no Spotify, e para venda através do site wildflowerspt.com, onde também há ligações para as redes sociais e para a venda de merchandise (t-shirts e totebags), desenhadas à mão por Jéssica e Joe, respetivamente

O primeiro EP foi lançado a 11 de agosto, contendo cinco faixas, entre elas, o primeiro single, “Shady Lady”, estreado a 21 de julho. O disco foi produzido nos estúdios Lefty Nelson’s, no Silos Contentor Criativo, de Nelson Rodrigues, da banda Dead Nelson Trio.
“Cada um de nós teve um período difícil na vida. E havia uma música que costumava tocar com o Joe e a sua outra banda, chamada Wild Flowers, que ressoava fortemente comigo. Como as flores que desabrocham até na paisagem mais sombria e a tornam linda, a música cura tudo. O rock ‘n roll salva a nossa alma. Mesmo quando pensamos que não há esperança, algo bonito pode acontecer. Penso que a banda o provou”, partilhou Natasha Dow.
“É um processo difícil conseguir ser-se contratado quando se é uma banda independente. Não fazia a mínima ideia destas coisas antes de termos iniciado este processo. É mais fácil para os locais que acolhem as bandas trabalharem com um promotor ou um agente, porque estes já têm uma carteira de bandas que indicam”, sendo que, por vezes, chegam a fazer todo o alinhamento, de três bandas, continuou a responsável por contactar aqueles locais. “É muito mais trabalhoso para os responsáveis desses locais estarem a ouvir o que as bandas independentes lhes enviam. Mas tivemos um tour pelo Reino Unido [Inglaterra e País de Gales] muito preenchido. Estamos gratos pelo voto de confiança. Felizmente gostaram de nós, e assim ficámos com as portas abertas para se quisermos voltar”, acrescentou, contando que, em Portugal, é mais difícil conseguir oportunidades pela menor oferta de locais onde tocar. Ainda assim, a banda deu cinco concertos no Algarve, em fevereiro, sendo o próximo em Coimbra, ainda este mês, e, em dezembro, atuará no Communities Unite, onde têm uma forte presença.
Para agora, os planos são “continuar a divulgar o EP e fazer digressões, enquanto trabalhamos e começamos a gravar o seguinte”, referiu Joe. A banda está recetiva a colaborar com outras “de originais” e do “mesmo género”, para bandas de “suporte”, a fim de conseguir dinamizar noites com um alinhamento de duas a três bandas, como é costume no Reino Unido. E Joe é experiente em identificar as bandas que melhor se conjugam. “Cria-se uma atmosfera ótima quando há mais do que uma banda a tocar”, destacou Natasha, que já começou a contactar conjuntos na Tailândia no sentido de apurar se podem ser banda de suporte aquando do tour daqueles.  ■

Na festa de lançamento do EP “Wild Flowers” | Foto de Christy Le Lait