Direcção Regional de Cultura do Centro vai empenhar-se na ampliação do Museu de Cerâmica

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Terminou a 26 de Julho a 14ª edição do Simppetra. Os seis escultores apresentaram aos presentes os seus trabalhos numa cerimónia que contou com muitos convidados entre autarcas e autores de várias gerações que estão ligadas ao Centro de Artes.
Muito impressionada pela qualidade da iniciativa ficou Celeste Amaro, a  responsável pela direcção regional de Cultura do Centro que agora coordena os museus Malhoa e da Cerâmica. Sobre este último a governante, em parceria com a Câmara das Caldas, diz que se vai empenhar pessoalmente para conseguir obter fundos comunitários para a sua ampliação.
Fernando Costa acha que ainda é possível recorrendo ao actual QREN e para poder acelerar o processo vai pedir à Liga dos Amigos daquele museu que lidere o processo.

“Este é o meu último simpósio”, disse o presidente da Câmara Fernando Costa, durante a sessão de encerramento do Simppetra’2012, por se encontrar em final de mandato e já não ser possível voltar a concorrer a autarquia. Mas parece que os últimos desafios que se colocam ao autarca estão relacionados com a cultura e o património, dado que estão em curso  as negociações com o governo para a transição equipamentos e espaços para a Câmara.
O edil deixou claro que está disponível para trabalhar em conjunto com a directora regional de Cultura do Centro porque “temos o grande desafio de ligar os museus da câmara aos do Estado.  Estamos disponíveis para trabalhar em conjunto”. Segundo o presidente da Câmara “nós temos muitas colecções – oriundas da Secla e da Bordalo Pinheiro, por exemplo – e não temos espaço para as colocar”.
Fernando Costa referiu durante a cerimónia o alargamento do Museu de Cerâmica e acha que o seu  Grupo dos  Amigos pode liderar o processo da candidatura com vista ao alargamento e “com todo o apoio da Câmara vamos poder avançar para o projecto de ampliação”.
O edil considera que ainda é possível obter fundos comunitários do actual QREN, que termina em 2013,  e assim “fazer-se a ampliação que foi  prometida por responsáveis antes de si e que afinal não tiveram força para executar. Creio que ainda vamos a tempo. É preciso ter esperança”, disse Fernando Costa, dirigindo-se à actual directora regional de Cultura do Centro.
A participação do Grupo de Amigos neste processo está ainda dependente de uma Assembleia Geral que aquela entidade irá realizar a curto prazo.
“Vou empenhar-me pessoalmente para que a ampliação do Museu de Cerâmica seja uma realidade”. Palavras de Celeste Amaro na cerimónia de encerramento do Simppetra, iniciativa que deixou a directora regional bastante impressionada e a lamentar que os órgãos de comunicação social nacionais não dêem mais destaque a este tipo de realizações.
A delegada referiu que está a trabalhar em estreita parceria com a Câmara Municipal e que, em conjunto, vão tentar ainda obter fundos do QREN para a ansiada ampliação do Museu de Cerâmica.
A CCDR-LVT, entidade que  mudou agora a direcção e por isso “só em Setembro é que saberemos se será possível ou não”, disse a delegada regional comentando que se não for possível, haverá um novo projecto para a obtenção de fundos para o próximo quadro comunitário.
A directora regional espera que o Simppetra possa continuar por muito anos “e era bom que só soubesse que nas Caldas há mais do que cerâmica pois é redutor que a cidade ainda hoje seja apenas conhecida, e de forma jocosa, pela cerâmica popular. Há essa vertente mas a cidade tem muitas outras”, disse Celeste Amaro. Para a delegada “o país deve apostar na cultura e no turismo pois é o que temos de melhor, além do bom clima. É por aí que devemos prosseguir”, rematou.

Simppetra assinala centenário do nascimento de António Duarte

É sempre um momento alto, quando encerra o Simpósio de Escultura em Pedra das Caldas da Rainha. A cerimónia, como é habitual, tem lugar nos Jardins do Centro de Artes onde cada uma dos participantes fala sobre a sua obra e dá a conhecer os princípios que nortearam as suas criações. É sempre um momento para reencontros pois entre os presentes há escultores que integraram as catorze edições desta iniciativa que tem lugar há 27 anos nas Caldas da Rainha.
Um dos seus mentores, foi o escultor caldense António Duarte já falecido, cujo centenário do nascimento se está assinalar este ano e por isso a sessão começou com a inauguração de  “No Feminino”, no seu Atelier-Museu.  Ali podem ser observadas várias esculturas e desenhos sobre a figura feminina feitos pelo autor caldense.
As obras, tal como explicou José Antunes, director do Centro de Artes,  referem-se a várias fases da vida artística deste escultor que foi também professor nas Belas Artes de Lisboa. Em seguida, abriu ao público uma pequena exposição dos trabalhos que foram feitas num workshop paralelo ao simpósio de escultura em pedra e que foi coordenado pelo escultor Vítor Reis.
Fernando Costa, como aliás é habitual, agradeceu aos escultores que colaboraram no Simppetra que após esta experiência “ficam a pertencer à nossa comunidade cultural, tornando-se as Caldas uma cidade que passa a ser vossa”.
Dos 27 anos dos simpósios caldenses o edil salientou o papel de Antonino Mendes e de António Vidigal, alunos de António Duarte e que tiveram um papel importante na constituição deste simpósio e que actualmente tem características únicas no país.
De modo a dar a conhecer a Celeste Amaro, a directora regional de Cultura do Centro, Fernando Costa explicou a génese do centro de artes, dos museus dos escultores caldense António Duarte e João Fragoso. Referiu em seguida que as famílias dos escultores Barata Feyo e Leopoldo de Almeida “perceberam que as Caldas eram um centro da escultura portuguesa e que estava disposta a receber o espólio dos seus familiares que andavam “abandonados” em armazéns ou caves de Lisboa ou Porto”. Para o edil esta “é  uma herança dura e pesada para nós aceitámos e que oferecemos a quem queira ver, estudar e apreciar o espólio destes grandes artistas”.
Fernando Costa quis dar a conhecer à nova responsável que do Simppetra já resultaram mais de 130 peças e que está em curso negociações para que a Câmara passe a administrar o parque e a mata, possibilitando o aparecimento de um parque de esculturas naquele local.
O edil ainda contou que vários dos escultores que passam pelo Simppetra acabam por gostar da região e alguns têm casas no concelho como por exemplo na  Serra do Bouro  ou em A-dos-Francos.

Museu Leopoldo de Almeida vai estar pronto até ao final do ano

O projecto do museu de Leopoldo de Almeida “é diferente que já existem neste Centro de Artes”. Quem o diz é Gravata Filipe, genro daquele escultor, que divide a autoria do novo museu com Artur Rosa. Presente na cerimónia de encerramento do Simppetra, o autor disse à Gazeta das Caldas que a intenção do projecto é que este ”se integre no espírito da época e do modernismo em que Leopoldo de Almeida viveu.”
O Museu contará com um espaço aberto por onde se vão dispor obras, estudos e trabalhos de atelier, até porque “a maioria da sua obra está presente nos espaços públicos”, disse Gravata Filipe.
O Museu  terá outras  funções para além de receber a obra de Leopoldo de Almeida pois haverá grande abertura para a realização de exposições temporárias. Como tal contará com  espaços  polivalentes e minimalistas, compatíveis com todo o tipo de apresentação artística, sobretudo, relacionada com a arte contemporânea.
Gravata Filipe diz que os autores do projecto têm acompanhado as obras do novo museu e que está tudo a correr bem. “Vamos ver se no Natal já teremos museu. Tudo indica que sim”, rematou. A abertura do novo espaço museológico está prevista para 2013.

Natacha Narciso

nnarciso@gazetadascaldas.pt