“Domar o fogo” atraiu centenas de pessoas ao Centro de Artes

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O espaço exterior deu lugar a bancas de comida (ao fundo) e a demostrações de técnicas onde se usa o fogo

O fogo foi rei no evento que durante dois dias atraiu gente, de todas as idades, ao espaço dos ateliês-municipais

“Domar o Fogo” decorreu nos dias 17 e 18 de março, e uniu a cutelaria, a cerâmica e a gastronomia no Centro de Artes. A iniciativa uniu a autarquia à Centra-Associação dos Amigos do Centro de Artes e atraiu centenas de pessoas que quiseram assistir às propostas relacionadas com saberes ancestrais de dois motores económicos da região – a cutelaria e a cerâmica.
“O evento está fantástico e excedeu as nossas expectativas”, disse a vereadora da Cultura, Conceição Henriques, na tarde de sábado, enquanto assistia às sessões de cozedura de cerâmica artesanal, de Raku e de Pitt Barrel, feitas pelo ceramista Miguel Neto e que explicava a todos as diferente fases necessárias para cozer as peças. “É uma alegria participar nestes eventos!”, disse o ceramista que também coordenava quem quisesse fazer a sua própria peça ou até participar na limpeza final das obras, coberta de cinzas.
“Creio que é uma iniciativa onde toda a gente ganha”, referiu a autarca, garantindo também a continuação do “Domar o Fogo”.
No primeiro dia, Álvaro Nogueira também participou executando um forno de papel e, no fim do segundo dia, o escultor e fundidor Renato Franco, fez réplicas de uma espada persa e de uma adaga celtibérica, pertencentes à coleção de Rainer Daehnhardt. Parte desta coleção integra a mostra “Facas com História” que está patente até 3 de abril, no Espaço Concas. Da coleção privada de Rainer Daehnhardt, detentor de uma das maiores coleções de armas antigas da Europa. É também um reconhecido investigador especializado no estudo da evolução do Homem através das armas e da sua utilização. O próprio colecionador esteve nesta mostra onde se conta como a faca foi evoluindo aos longo dos tempos e como foi adquirindo várias funções e incorporando novos materiais e tecnologias.
“Há peças únicas que vale a pena conhecer”, disse o diretor do Centro de Artes, José Antunes acrescentando que este evento “Domar o Fogo” também quis apostar no saber-fazer, dando a oportunidade ao público para conhecer as diferentes fases das artes do fogo.
“O centro deste evento é o fazer e que resulta em peças finais”, acrescentou a vereadora Conceição Henriques. A autarca recordou também que “Domar o Fogo” não esqueceu os mais novos, que durante o evento aprenderam também a executar pequenos instrumentos feitos em madeira.

“Do Aço até à Faca”
O evento contou também com nomes maiores da cutelaria artesanal como Paulo Tuna, The Bladesmith e Carlos Norte, do atelier de cutelaria Lombo do Ferreiro que, inspirados nas peças de coleção de Rainer Daehnhardt, realizaram demonstração ao vivo sobre como criar uma lâmina do princípio ao fim, sob o título “Do Aço à Faca”.
Paulo Tuna, que teve um papel importante na organização da iniciativa, contou que se inspirou nalguns eventos internacionais dedicados a este tema e de ter trazido diferentes ideias, adaptando-as ao Centro de Artes. Este ano uniram-se a cutelaria, a fundição e a cerâmica mas, para o ano, “poderá juntar-se o vidro e a joalharia”, disse o autor que tem ateliê nas Caldas e que reuniu outros cutileiros que trabalham nesta região. Na gastronomia marcaram presença Paulo Feliciano (Casa Antero), Paulo Santos (Forno do Beco) e Archil Shinjikashvili (Geo Wine & Supra) que ofereceram alguns sabores, cozinhados no fogo.
“Foi uma primeira experiência e contámos com bom tempo”, disse Archil Shinjikashvili que trouxe asas de frango, carne de porco e vinho georgiano para o evento.
Além de pratos de fogo, também ofereceram propostas vegetarianas. A fechar o evento, atuou a banda Vigairada. “Domar o fogo” integrou o programa “Caldas, Cidade Criativa do Artesanato e Artes Populares” no âmbito das Caldas na Rede de Cidades Criativas da UNESCO. ■