Escultura une Caldas da Rainha à cidade de Coronel Xavier Chaves no Brasil

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O simpósio de escultura caldense já apadrinha outras realizações, como o Simpósio de Escultura do Município de Coronel Xavier Chaves (Minas Gerais – Brasil). Este último realizou-se no início do ano e teve como convidado o escultor caldense Vítor Reis. O evento brasileiro quis apostar na internacionalização e para tal inspirou-se no congénere que se realiza nas Caldas da Rainha desde 1986.

Esteve em Portugal há alguns meses uma delegação oriunda do município de Coronel Xavier Chaves que fica em Minas Gerais a 180 quilómetros da capital daquele estado, Belo Horizonte. Os responsáveis vieram às Caldas para reunir com a autarquia caldense e com o Centro de Artes pois pretendiam obter informações sobre o Simpetra. “Quando a comitiva brasileira esteve nas Caldas, apoiámos as suas expectativas de internacionalizar o evento, cedemos os nossos contactos e logo se levantou a hipótese de participar um escultor caldense”, contou José Antunes, director do Centro de Artes.
A autarquia propôs Vítor Reis, escultor que já participou em simpósios na Turquia, Argentina, Itália, Montenegro, Taiwan e Espanha, e que acabou por aceitar o desafio.
Coronel Xavier Chaves é uma pequena localidade, com oito mil habitantes e que se caracteriza pela produção de pequena estatuária em pedra. A herança da escultura barroca – que teve como expoente máximo o celebre escultor Aleijadinho – é grande naquela região e, por isso, o edil da cidade, Helder Sávio Silva, quis fazer “um up date na área da escultura e organizar um simpósio pois ele ficou muito entusiasmado por ter contactado com a nossa realidade”, contou José Antunes.
O Centro de Artes colaborou com a comitiva brasileira, dando o apoio que foi pedido.

Os irmãos Vítor e Mário Reis são os autores da nova decoração da Igreja de Alfeizerão

Além de Vítor Reis, na segunda edição do festival participaram escultores da Bulgária, Ucrânia, Espanha e da própria cidade de Coronel Xavier Chaves.
Segundo Sávio Silva, prefeito brasileiro, o evento teve como principal objectivo “valorizar a tradição da cantaria e da escultura em pedra do município” (tal como pode ler-se em portalalone.terra.com.br). Acrescentou ainda que se pretende, através da escultura, criar uma identidade para Coronel Xavier Chaves, “como as que se concretizam nas cidades de Resende Costa, referência na produção com o tear, Prados, famosa pelo artesanato em couro e São João del-Rei e Tiradentes, conhecidas pelo conjunto arquitectónico barroco”.

Uma escultura com símbolos das duas cidades

Assim que surgiu o convite, o escultor Vítor Reis, de 37 anos, propôs-se realizar uma peça de arte pública “que simbolizasse a ligação entre as duas localidades”, disse o autor.
O escultor desenvolveu uma peça de base geométrica, com três planos de cada lado, aos quais aplicou baixos-relevos. Sobre as Caldas colocou, na sua escultura, um elemento que simboliza as termas, uma folha de um plátano (a representar o Parque D. Carlos I) e um lagarto simbolizando a obra que Rafael Bordalo Pinheiro desenvolveu na cidade termal.
De Coronel Xavier Chaves “acabei por escolher a cana-de-açúcar (produção de cachaça), as asas de um anjo barroco  (escultura local) e o mapa de Minas Gerais, assinalando as localidades que visitei”, disse o escultor, acrescentando que a sua peça tem 2,20 metros de altura.
“Foi uma óptima experiência. Adorei aquela zona do Brasil e vivi as festividades do Carnaval que eles organizam antecipadamente”, disse. O facto de se falar a mesma língua permitiu-lhe contactar com muita gente e sentiu que havia grande vontade de partilha.
A região  da cidade de Coronel Xavier Chaves é muito rica na chamada pedra sabão, “material escultórico que se trabalha muito bem e permite óptimo acabamento”, disse. Segundo Vítor Reis, no total haverá cerca de 20 famílias que vivem do trabalho na escultura, que tem também um importante papel turístico.
Durante a estada de um mês no início de 2012, Vítor Reis, trabalhou no parque da cidade, mesmo no centro de Coronel Xavier Chaves, tal como acontece nos simpósios em Itália que o caldense participou.
Vítor Reis visitou todos os portugueses que vivem naquela zona e que tinham muito gosto em revelar-lhe que têm familiares portugueses ou que alguém próximo veio morar para terras lusas.
“Senti-me como se estivesse em casa. Tudo é estranhamente familiar por causa da herança e da referência cultural”, comentou o escultor.
Por causa da parceria efectuada com o Centro de Artes, Vítor Reis diz que em Coronel Xavier Chaves “Caldas da Rainha é uma espécie de Nova Iorque por causa do Simpósio de Escultura”, disse. A organização usou  o logótipo caldense  e “sempre que se falava do evento não faltava a parceria com o Simpetra, agradecendo a grande colaboração por parte do município das Caldas”.
Segundo José Antunes, o Simpósio tem “a máquina organizativa já oleada e as condições criadas para manter-se como espaço de confronto de ideias de vários escultores internacionais”.
A 14ª edição do Simpósio de Escultura em Pedra irá decorrer no próximo mês de Julho e segundo a vereadora Maria da Conceição Pereira seguirá os moldes da edição anterior, que decorreu em 2010.

Natacha Narciso
nnarciso@gazetadascaldas.pt

Vítor e Mário Reis são os autores da decoração da Igreja de Alfeizerão
A decoração da Igreja de Alfeizerão é da autoria de um ceramista e de um artista plástico caldenses. Mário e Vítor Reis responderam positivamente ao convite da empresa caldense R&S Arquitectos e do padre da paróquia alfeizerense e foram os autores de um notável trabalho em cerâmica, mostrando que a contemporaneidade e a religião podem estabelecer interessantes parcerias. “Apesar de nos terem dado algumas sugestões, tivemos bastante liberdade e houve mente aberta quanto aos trabalhos a realizar”, contaram os autores que vivem e trabalham nas Caldas.
A obra foi iniciada no Verão passado e aberta ao publico no final do ano. “Foi-nos pedido um painel cerâmico e como queriam fugir à cerâmica industrial ou ao azulejo pintado à mão propusemos relevos e trabalhos de autor”, contaram os autores que são irmãos neste que foi o primeiro trabalho conjunto. São os autores e executores de toda a obra que contém vários baixos-relevos, uma cruz e vários quadros da Via-sacra.
O painel cerâmico de 15 metros quadrados – que tem trabalho de escultura e de modelação – possui duas cenas bíblicas representadas, o Lava-Pés e a Multiplicação do Pão. Estão representados Jesus e S. Pedro.
No total, a obra tem mais de 500 azulejos, todos manufacturados e agradou à comunidade local e aos visitantes do templo de Alfeizerão.

N.N.