Conceição Cabral apresenta as suas peças, de grande escala, em vidro e cerâmica

“A Insustentável Leveza do Ser” designa a exposição coordenada pela artista Conceição Cabral e que está patente numa unidade fabril do Valado

É num espaço amplo da fábrica de fornos de cerâmica, Barracha, no lugar do Canteirão, no Valado dos Frades, que se encontra a exposição “A Insustentável Leveza do Ser”, coordenada pela artista Conceição Cabral que tem o seu ateliê de trabalho nesta unidade fabril.
O título da mostra, explicou a autora, refere-se “à fragilidade de todo o ser humano e que foi posta à prova durante o confinamento”. Esta artista – que trabalha com igual mestria o vidro e a cerâmica – tem várias obras nesta exposição que surpreende sobretudo pela escala das suas obras. São autênticos pedaços de jardim, onde se imitam várias formas da natureza, feitas em vidro, e que encantam o visitante. Há papoilas e nenúfares de grande escala, algumas apenas decorativas, outras utilitárias, como grandes candeeiros que tiram partido da translucidez do vidro. Surpreendentes são também gigantescas bolas cerâmicas que são bancos de jardim e que atraem pelas cores vibrantes.
Conceição Cabral tirou várias formações no Cencal, teve o seu ateliê em Tornada e tem várias intervenções nos prédios de Agostinho Pereira. No ano passado, a artista apresentou peças numa coletiva que teve lugar no Museu Rainha Sofia, em Madrid.
“É preciso valorizar a cerâmica artística e o vidro e a fazê-los entrar nas galerias”, disse a artista que foi viver para o Valado dos Frades há 11 anos. E que não quis expor sozinha em “A Insustentável Leveza do Ser” e, como tal, convidou mais alguns artistas que aceitaram o desafio de expor neste grande espaço. Um deles é Nelson Figueiredo, artista da Marinha Grande, que trabalha escultura em vidro de grande escala. Este autor formou-se em cerâmica criativa no Cencal e ,em seguida, tirou várias formações em vidro no Crisform na Marinha Grande (que atualmente pertence ao Cencal). Possui o seu próprio estúdio de vidro soprado manual onde cria as suas esculturas que também surpreendem pela escala.
Marca também presença na mostra a ceramista de Alcobaça, Liliana Sousa que tem uma grande peça feita com formas orgânicas.
Formada também no Cencal, esta autora foi a dinamizadora do Atelier Oficina de Artes João dos Santos, no centro de Alcobaça, e atualmente dedica-se à sua produção de cerâmica de autor.
José Vítor Carvalho, de Azeitão, que aproveita materiais recicláveis para criar os mais variados tipos de peça desde modelos femininos até sarcófagos.
Este autor,multifacetado, viveu em Londres e além da cerâmica e também trabalhou em projetos que ligam a pintura à moda.
Maria José de Sousa está a participar com sete peças em cerâmica da série “Na cabeça de uma mulher” e que se dedica ao universo feminino. Presentes estão também obras de Palmira Moreira, de nome artístico Alexina, que se dedica à cerâmica e também à escultura em vidro.
A mostra “Insustentável Leveza do Ser” vai ficar patente na Fábrica Barracha até ao final de dezembro. ■

A mostra é composta por peças de grande escala feitas em cerâmica e também em vidro. Há peças decorativas e outras que são também utilitárias

Algum do espaço da unidade industrial foi transformada em galeria

 

Criação de Nelson Figueiredo, artista do vidro, da Marinha Grande

 

Peça de Maria José de Sousa, autora de Alcácer do Sal que passou pelo Cencal e que já expôs em coletivas nas Caldas e em Óbidos