Festival Books & Movies faz encher espaços alcobacenses ao longo de várias semanas

0
116
Na inauguração, cinco homens-estátua representavam cinco grandes nomes da literatura portuguesa

Festival de literatura e cinema continua a trazer propostas à região. Books & Movies prossege até ao final do mês

Foi num misto de poesia e teatro que arrancou a sétima edição do Books&Movies – Festival Literário e de Cinema de Alcobaça. “Em cada sala um escritor” foi a proposta, com cinco homens-estátua no Museu do Vinho da cidade. Cada um representa um grande nome da literatura portuguesa. Estavam “presentes” Fernando Pessoa, Virgínia Vitorino, Miguel Torga, Florbela Espanca e José Saramago.
Marcava-se assim, a 1 de novembro, o regresso deste festival a Alcobaça, após um ano de interregno devido à pandemia.
Esta é, assim, uma edição especial, que conta com mais de uma centena de atividades. A vereadora da Cultura da Câmara de Alcobaça, Inês Silva, nota que a programação foi feita com o contributo de várias instituições locais, o que resulta num programa variado, com iniciativas que vão além dos livros e dos filmes, que dão título ao festival, mas que com eles se relacionam.

A programação conta com mais de uma centena de atividades

O regresso do Books & Movies a Alcobaça foi preparado desde janeiro, embora sem saber se seria ou não possível realizá-lo para as datas previstas, devido ao contexto pandémico.
A comunidade educativa é um dos públicos-alvo deste festival e, num cenário pré-pandemia, era comum as crianças das várias escolas do concelho assistirem a atividades do Books . “Este ano são os convidados que vão às escolas do concelho para garantir uma maior segurança”, explicou a autarca.
Outra alteração foi a mudança das conversas com os escritores, que costumam realizar-se em esplanadas ou no interior de estabelecimentos comerciais e que nesta edição se realizam na Biblioteca Municipal, numa medida que tem exatamente o mesmo propósito. Estes encontros com escritores pretendem colocar à conversa os autores locais com referências nacionais da literatura.
Nos primeiros dias, o festival tem recebido bastante público. Entre os momentos altos esteve a apresentação de “Margem”, de Vítor Hugo Pontes, uma dança com um misto de teatro, baseado na obra Capitães da Areia, mas que faz uma ligação aos tempos atuais e que proporcionou “uma reflexão profundíssima sobre a exclusão social”.
Na Granja de Cister está instalado o espaço Books & Cookings e no Museu do Vinho decorre o Rockfest, num festival que conta ainda com sessões de marionetas, ateliês e outras atividades para as famílias, além de cinco exposições para apreciar.
Nas conversas com os escritores e apresentações literárias ainda é possível dialogar com Hélia Correia, Tânia Ganho, Mary Bento, Gonçalo M. Tavares, A.M. Catarino, João Tordo, Inês Teixeira, Rita Nabais, Tiago Salazar, Raquel Ochoa ou Carla Veríssimo, entre outros.
No dia 19 de novembro, os amigos José Luís Peixoto e Fernando Ribeiro (vocalista dos Moonspell, que atuam no Rockfest) vão estar à conversa e a apresentar os seus romances.

“O programa desta edição do festival conta com o contributo de várias instituições locais, o que resulta num programa variado”

Inês Silva

O prémio do festival este ano será entregue a João Oliveira, que apresentou um roteiro de viagem intitulado: “Volta ao Mundo – Viagem Musical”. A vereadora da Cultura carateriza a obra como “uma viagem aos lugares onde a música acontece e onde teve origem”.
Na gala de encerramento desta edição irá ser homenageada Isabel Ruth. A gala contará com um concerto inédito do alcobacense Daniel Bernardes baseado na vida e obra da homenageada. “Somos feitos de cultura e precisamos dela!”, exclama a vereadora.
Entre nomes mais conhecidos do grande público, há outros autores da região a aproveitar o festival para promoverem as obras. É o caso de Pedro Miguel Queirós, que viveu “uma coincidência engraçada”. “Já estava combinado passar no festival e, como tal, entendi que fazia sentido lançar cá o meu novo livro”, explicou o autor, que assina como Raul d’minha Alma, pouco antes de entrar no auditório da Biblioteca Municipal de Alcobaça para fazer o lançamento nacional do livro “Se me amas, não te demores”.
A plateia esteve praticamente cheia, sobretudo de leitoras que acompanham este autor, de 29 anos, um dos que mais livros vendeu durante o ano de 2020. Muitas trazem duas e três obras daquele autor, que veio pela primeira vez a Alcobaça, para que este as pudesse autografar.
O autor, que se apaixonou pela escrita já vai na sua sétima obra e contou que a nova história aborda “a velocidade da vida e da necessidade de se aproveitar e viver o momento presente”. Uma das suas personagens vive muito mais depressa que as restantes pois “tudo lhe acontece num período entre 13 e os 14 anos”. Com esta trama, o escritor alerta para o facto de “não devermos adiar a nossa vida, pois, muitas vezes, temos atitudes como se fôssemos durar 200 anos… e a vida curta e deve ser vivida em todos os momentos”, frisou.

Raul d’minha Alma lançou o último livro “Se me amas, não te demores”, no festival Books & Movies

“A minha formação é de Engenharia Mecânica, mas antes já escrevia”, disse o autor, que aos 17 anos publicou o primeiro livro, dedicado à poesia, intitulado “Desculpe Mãe”.
Raul d’minha Alma é natural do Marco de Canaveses e facilmente conquista quem o lê. Até porque, segundo explicou à Gazeta das Caldas, tem como grande propósito deixar os seus leitores “um pouco melhor após a leitura das suas obras e que na sua opinião “passam uma boa mensagem para a Humanidade”. Quando acaba de escrever uma obra, nunca sabe bem o que se vai seguir. E considera-se um autor feliz, dado que as pessoas gostam dos seus romances e, por isso, prevê “continuar a apostar neste estilo onde o amor acaba sempre por ter um papel central.
Raul d’minha Alma vive da escrita desde 2016 e, desta forma, dedica-se de corpo e alma aos seus romances.
Ainda relativamente a “Se me amas, não te demores”, o seu último romance levou-lhe quatro meses a escrever e agora irá promovê-lo um pouco por todo o país.
“Procuro sempre que os meus livros sejam cinematográficos e que seja possível aos leitores visualizar as “cenas” da própria narrativa.
O autor diz que a maioria do público que o lê é feminino. “Mais de 90% são mulheres e que já passaram por períodos menos fáceis”, assinala.
Para o autor, as suas leitoras são pessoas que “valorizam os relacionamentos e sentimentos”. Para Raul d’minha Alma, as suas leitoras valorizam o amor. “Quem me lê são acima de tudo pessoas que querem evoluir”, rematou o autor de livros como “Larga Quem Não Te Agarra”, um dos livros de ficção mais vendidos em Portugal, e que chegou ao Brasil em 2017. Nesse mesmo ano, lançou também “Todos os Dias São para Sempre”, que confirmou Raul d’minha Alma como autor best-seller. Em 2018, publicou “Foi sem Querer que Te Quis”, que também liderou os tops nacionais de vendas. ■

 

Festival inclui propostas para todos os gostos

Encontros com escritores, filmes musicados ou ilustrados e showcookings são apenas algumas das propostas para os próximos dias

Gonçalo M. Tavares é um dos escritores que vai marcar presença do Encontro de Escritores do dia 16 de novembro

Hoje, dia 11 de novembro, pelas 21h30, terá lugar no Museu do Vinho, o Rockfest, um cine-concerto. Vai passar o filme “O Último dos Homens” de F.W. Murnau, que será musicado por Bruno Monteiro (Mr. Gallini), Kevin Pires e Ricardo Soares. Mas esta é apenas uma das muitas propostas do Books & Movies.
Amanhã, às 18h30, na Granja de Cister, há um showcooking por Sandra Santos (nutricionista e atriz) e autora do livro Receitas em Família de Papinha da Xica. E pelas 21h30, no Museu do Vinho há novo Cine-concerto ilustrado do Rockfest. “Azenha” é um espetáculo ilustrado, feito a dois pelos talentosos Filho da Mãe e Cláudia Guerreiro. A música é assegurada pela guitarra de Filho da Mãe e a parte visual pela artista plástica Cláudia Guerreiro.
No sábado, 13 de novembro, pelas 11h30, realiza-se o showcooking “Diabetes, o que posso comer”, com Vera Ruivo, na Granja de Cister, enquanto que no Centro de Interpretação e Educação Ambiental há várias atividades para os mais novos no âmbito da exposição “Os dinossauros regressam a Alcobaça”.
Às 15h00, a Biblioteca Municipal recebe mais um encontro com escritores que contará com a participação das escritoras Hélia Correia, Tânia Ganho e Mary Bento. O cine-teatro de Alcobaça acolhe, às 21h30, o espetáculo “O Primo Basílio – Bailado em II Atos” pelo grupo Dança em Diálogos.

No domingo, haverá um debate sobre o território alcobacense com vários especialistas

O Museu do Vinho recebe a 14 de novembro, às 15h00, uma conversa com Maria Virgínia Henriques sobre o território alcobacense – uma abordagem geográfica. A palestra, moderada por António Maduro e Rui Rasquilho, que decorre por ocasião do relançamento da obra “Um mosteiro entre rios – O território Alcobacense”. Às 15h00 a Biblioteca Municipal de Alcobaça acolherá a sessão “Os livros e o seu poder terapêutico” com Sandra Barão Nobre e Óscar Santos.
Na segunda-feira, 15, as escolas alcobacenses recebem iniciativas relacionadas com contos e marionetas enquanto que às 21h30 há novo cine-concerto, no Cine-teatro de Alcobaça, designado “Surdina” com Tó Trips e que será seguido de conversa com este músico e ainda com o realizador Rodrigo Areias.
No dia 16, às 10h30, a realizadora de animação Regina Pessoa dará uma masterclasse de animação no Centro Cultural Gonçalves Sapinho sobre o processo criativo. No dia seguinte, à mesma hora e local, há uma masterclasse com Abi Feijó e às 18h00, na Biblioteca, dá-se um novo encontro de escritores com a presença de Gonçalo M. Tavares e A. M. Catarino. ■