Filipa Morgado traz serigrafias sobre Ferreira da Silva ao CCC

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Abre hoje ao público a exposição “Subversão Inaudita”, que inclui trabalhos baseados na homenagem ao mestre Ferreira da Silva

Filipa Morgado leva a cabo uma visita guiada à exposição “Subversão Inaudita”, a partir das 18h00, no café do CCC. A arquiteta, que é também artista plástica, é a autora da obra de arte urbana de homenagem a Ferreira da Silva e que se encontra no edifício voltado para o Jardim d’Água.
A nova mostra desta autora inclui séries de serigrafias que foram iniciadas quando a artista terminou a peça de arte pública e fez uma série e que estão à venda na loja da Gazeta das Caldas, entidade que se associou nesta homenagem ao mestre.
A iniciativa teve lugar em outubro em 2020, altura em que este semanário assinalou o seu 95º aniversário, sendo um momento marcante.
Filipa Morgado contou que a pintura mural sobre Ferreira da Silva “tem tido ótimas reações” e que há quem a associe a sua assinatura àquela obra de grandes dimensões na cidade.

Artista pinta tela ao vivo
Sobre esta nova mostra, Filipa Morgado revelou que esta reúne trabalhos “que têm uma carga emocional enorme”. “Alguns deram inclusivamente origem a duplas pinturas”, explicou a arquiteta.
Algumas são obras que, numa primeira fase, foram postas de lado e que agora foram “retrabalhadas” e deram origem a várias novas séries.
“Esta foi também uma oportunidade de reviver o trabalho de arte pública e de voltar a pensar que é preciso lutar pela preservação daquela obra”, contou a artista, enquanto mostra cada um dos trabalhos expostos, explicando as técnicas utilizadas.
A autora está, aliás, a trabalhar ao vivo naquele espaço do centro cultural das Caldas.
Filipa Morgado está a trabalhar numa pintura de grande escala, tal como é habitual no seu trabalho, a preto e branco, no próprio local onde está a exposição. Dá, assim, oportunidade ao público de falar com ela sobre as suas ideias referentes ao trabalho artístico que desenvolve.
“É bom poder sair do atelier e trabalhar ao vivo nas exposições”, contou a artista, habituada a trabalhar nos festivais de arte urbana.

Arte pública nas escolas
“Nunca encarei a pintura como forma de subsistência, é, sobretudo, uma necessidade que vem cá de dentro”, disse à Gazeta das Caldas a autora, que será artista residente na Escola D. João II, nas Caldas, e que vai desenvolver um projeto com alunos e professores no âmbito do Plano Nacional das Artes.
E, por isso, pretende trazer os alunos a esta mostra para que estes possam conhecer o trabalho criativo e as diferentes técnicas usadas nas obras de “Subversão Inaudível”.
Depois, Filipa Morgado quer trabalhar com os estudantes num levantamento das obras de arte pública que se encontram no espaço público da cidade das Caldas da Rainha, com especial incidência nas de cerâmica.
A sua ideia é que a iniciativa possa dar ferramentas aos jovens para se interrogarem sobre a arte “que é de todos” e que está no espaço público que por sua vez também deveria ser cuidado por toda a gente.
Filipa Morgado é, também, a coordenadora do projeto CAU- Cortém Aldeia onde já estão a decorrer residências artísticas. Um dos convidados é o artista Miguel Ângelo Marques, que se formou na ESAD e que se encontra no território a desenvolver o seu trabalho.
“Parte dos eventos e espetáculos que se vão realizar em Cortém também serão apresentados na cidade das Caldas”, rematou a arquiteta, cuja exposição está no CCC até dia 26 de setembro. ■