Fotografias de Clara Azevedo espelham um Hospital Termal cheio de vida

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Notícias das Caldas
A exposição está patente no CCC até ao final de Maio e foi promovida pelo Conselho da Cidade | M.B.R.

Até ao final deste mês está patente no Centro Cultural e Congressos a exposição “Cidade da Água: Hospital Termal das Caldas da Rainha, 1989”, da autoria de Clara Azevedo. A fotojornalista – que já trabalhou no Expresso e no Público e actualmente é a fotógrafa oficial do primeiro ministro António Costa – apresentou no dia 18 de Maio um conjunto de fotografias que captou em 1989 no Hospital Termal das Caldas.

“Este foi um dos primeiros trabalhos que fiz como fotojornalista. Durante dois anos andei pelo país a fotografar com a minha amiga Lúcia Vasconcelos várias termas, umas abandonadas, outras com muita actividade, como era o caso das Caldas”, disse Clara Azevedo, revelando que mais tarde este projecto fotográfico deu origem ao livro “Termas Portuguesas”.

Passados 28 anos, a fotógrafa foi convidada por Jorge Mangorrinha a revisitar o seu trabalho e a selecionar 30 fotografias captadas no Hospital Termal caldense. Esta exposição, organizada pelo Conselho da Cidade, foi integrada no X Congresso da Sociedade Portuguesa de Hidrologia Médica e incluiu a publicação de um catálogo editado pela Caleidoscópio. Conta com as imagens de Clara Azevedo e um texto de Jorge Mangorrinha.
A preto e branco, as fotografias de Clara Azevedo são o espelho dos bons tempos do hospital. É possível revisitar o salão nobre, as salas de inalação, a zona dos chuveiros, as banheiras e piscinas, as salas de espera e repouso, os quartos de internamento e os caixotes onde eram colocados os toalhetes e os lençóis. Mas, sobretudo, estavam lá as pessoas.
Para Jorge Mangorrinha, as 30 imagens “traduzem momentos vivos de terapia e de espera, lembram-nos espaços e usos de um passado relativamente próximo e representam um património humano que já não é recuperável”.
O especialista em termas reconheceu o Hospital Termal como um local de saúde, laboratório e monumento e revelou que 1989 foi uma altura de mudança do paradigma termal. “Os caldenses tinham a ambição de modernizar o seu Hospital Termal, mas esta espera está ainda em espera”, disse, realçando que além do reconhecimento histórico do Hospital Termal das Caldas como o mais antigo do mundo, é necessário colocar os olhos no futuro e reunir todos os esforços para a sua reabertura. M.B.R.