João Gabriel – um pintor de Leiria que se estabeleceu nas Caldas da Rainha

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João Gabriel é de Leiria mas vive e trabalha nas Caldas da Rainha, onde estudou pintura

João Gabriel é pintor. Tem 26 anos, formou-se na ESAD e já é representado por uma galeria em Lisboa. Foi um dos artistas finalistas do Prémio EDP do ano passado, facto que o catapultou para a ribalta e já o fez realizar exposições em Lisboa, no México e em Bruxelas.
O artista, natural de Leiria, tem o seu atelier no Centro de Artes e quer continuar a viver nas Caldas, pela proximidade à capital, para onde já está a preparar a sua próxima exposição individual.

Natacha Narciso
nnarciso@gazetadascaldas.pt

João Gabriel é natural de Leiria e veio viver para as Caldas há sete anos, cinco dos quais para estudar na ESAD onde fez a licenciatura em Artes Plásticas. Quando a terminou sentiu que ainda não tinha aprofundado tudo o que pretendia e decidiu continuar a estudar tendo seguido para mestrado. “Ganhei assim espaço para continuar a dedicar-me à pintura”, disse o autor, que recebeu Gazeta das Caldas no seu atelier no Centro de Artes. É um dos artistas que ocupa os ateliers municipais, que constitui uma preciosa ajuda para quem está em início de carreira.
Quando veio para as Caldas, com 17 anos, pouco ou nada sabia sobre o que era a arte contemporânea. Foi na escola caldense e em contacto com os seus colegas que se abriu a esse universo. João Gabriel destaca a “a troca de ideias artísticas” e o facto de estar no meio de pessoas “que partilham a mesma sensibilidade”.
O artista pinta com tintas acrílicas em grandes ou pequenos formatos e usa papel ou tecido como base para as suas pinturas.
Gosto muito da figuração e de procurar uma ideia de erotismo”, afirmou o autor, acrescentando que este é um tema que tem forte tradição na História de Arte. Pinta sempre a partir de imagens de pornografia gay dos anos 60 e 70 oriundas de filmes que adquiriu na internet e não raras vezes projecta-as na tela para dar inicio à pintura. “É um ponto de partida. Interesso-me por momentos parados e por gestos. É a figuração que me importa”, disse o pintor, que não titula os seus trabalhos, deixando ao observador a interpretação mais livre, sem condicionamentos.
Ao longo do seu percurso de estudante, este autor participou em várias iniciativas organizadas pela ESAD, pela Electricidade Estética e que decorreram no Museu Bernardo e no Museu Malhoa.
Em 2016, João Gabriel foi convidado pelo realizador João Pedro Rodrigues para pintar o cartaz para o filme O Ornitólogo, uma experiência que o artista apreciou, até porque existiam afinidades no trabalho dos dois autores.
Em conjunto com mais três colegas da sua turma, João Gabriel expôs na galeria dos Artistas Unidos, em Lisboa. As suas obras integraram a mostra de desenho “Ficar de Pé”.

Seleccionado para Prémio EDP

O facto de ter sido um dos artistas selecionados para o prémio EDP há dois anos, acabou por dar projecção ao seu trabalho. João Gabriel tinha acabado o seu curso e esse facto foi um marco importante neste início de carreira.
No ano seguinte, em 2018, passou a ser representado pela Galeria Lehmans+Silva (Lisboa) que o ajudam a gerir a carreira a sua carreira, “tratando de tudo o que não é pintar”, contou. Seguiram-se exposições feira de arte contemporânea Art Brussels e na Galeria Mascota, na cidade do México.
João Gabriel aprecia os trabalhos de El Greco, Goya, Velázquez, Balthus, Bonnard e Matisse e dos portugueses Júlio Pomar, Eduardo Viana e Henrique Pousão.

Praça de manhã e atelier à tarde

Sinto-me muito bem aqui”, contou o artista que se refere às Caldas como uma cidade “muito amigável e calma”.
João Gabriel trocou a terra natal, Leiria, pelas Caldas dado que esta se coaduna melhor com a sua personalidade e com a sua necessidade “de se concentrar para trabalhar”. Mudar-se para Lisboa, não está nos seus planos pois “para além dos preços elevadíssimos, está demasiado turística”.
De manhã, o artista prefere estar por casa ou ir à praça comprar frutas enquanto as tardes são reservadas à sua pintura. João Gabriel vê-se a concorrer a alguns concursos internacionais e a realizar residências artísticas no estrangeiro. Gostava, por exemplo, de ir Itália para apreciar as pinturas de grandes artistas que foram feitas propositadamente para locais, tirando partido da própria arquitectura.
Para o artista actualmente vive-se um bom momento em relação à pintura pois é uma arte que “está cada vez mais em voga”. Houve tempos em que se apregoava que era uma arte obsoleta em tempos de artes digitais, mas o que é certo é que “todos os anos há novos autores”, disse o pintor.
Agora vou fechar o ciclo em relação aos Artistas Unidos e voltar a expor no mesmo sítio, em Novembro”, disse João Gabriel que está a trabalhar na mostra individual que se vai designar Retrato de um Rapaz. Uma semana antes, vai participar na Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra, como artista convidado.