Jovens gaeirenses criam agenda cultural para a freguesia

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Gazeta das Caldas
O núcleo social e cultural do JVG juntamente com os músicos do grupo Distância

O entendimento de que a cultura ainda não está suficientemente enraizada no quotidiano da comunidade e que deve ser valorizado o que de bom se faz a nível artístico, levou os Jovens Voluntários Gaeirenses (JVG) a lançar o projecto cultural Cooltour. A apresentação decorreu no passado sábado, 13 de Janeiro, no Convento de S. Miguel, seguido de um concerto de fado de Coimbra pelo grupo Distância.

A sala principal do Convento de S. Miguel foi o espaço escolhido para a apresentação do projecto que pretende valorizar e disseminar a cultura junto da comunidade ao mesmo tempo que promove a identidade dos sítios onde os eventos decorrem. Em cada cadeira estava à espera do espectador uma agenda cultural com a programação do Cooltour para os próximos três meses e que começou, na noite de sábado, com um concerto pelo grupo de fado de Coimbra Distância.
Durante hora e meia, estudantes universitários, envergando as capas negras, tocaram e cantaram músicas populares, de intervenção, serenatas e, claro, despediram-se com a balada de Coimbra.
Momentos antes, Ricardo Duque, presidente do JVG, tinha explicado que todas as actividades são organizadas pela associação, inclusive a agenda cultural. A seguir à música, está prevista, para 26 de Janeiro à noite, também no Convento de S. Miguel, a apresentação do filme “A canção de Lisboa”.
Mas até Março haverá também ateliers infantis, concertos de música coral e erudita e uma feira do livro, a decorrer em vários espaços da vila. Cada evento terá um custo de entrada, ainda que possa ser simbólico, “de forma a podermos financiar a própria actividade e, por outro lado, podermos investir nas futuras edições”, explicou Ricardo Duque à Gazeta das Caldas. De acordo com o mesmo responsável, esta programação trimestral tem um custo de 2500 euros.

Dar alma aos monumentos

Num primeiro momento a associação pretende potenciar a freguesia, mas depois quer alargar o âmbito ao concelho e até mesmo ao país através do trabalho em rede com outros clubes Unesco (de desenvolvimento dos jovens em regiões de baixa densidade populacional) que existem em Portugal.
“Existem muitos monumentos que estão fechados e precisam de ser vividos. O nosso projeto passa muito por dar alma aos nossos monumentos, que são o palco das actividades, e valorizar o que cada um sabe fazer de bem”, explicou o responsável, acrescentando que este tem um cariz inter-geracional.
Ricardo Duque especificou que este projecto está a ser dinamizado pelo núcleo social e cultural da associação. Ao todo o JVG está dividido em cinco núcleos (social e cultural, desportivo e ambiental, preparatório, internacional e da comunicação), envolvendo 86 jovens.
Estava prevista a participação de Anna-Paula Ormeche, responsável pelos clubes UNESCO, mas esta não compareceu por motivos de doença. No entanto, endereçou palavras de parabéns à organização pela actividade, “pela preocupação que tivemos em valorizar aquilo que é o património material e imaterial, pela valorização dos saberes, da memória e da identidade”, informou Ricardo Duque.
Na cerimónia marcaram presença o vice-presidente da Câmara de Óbidos, José Pereira, e o presidente da Junta de Freguesia das Gaeiras, Luís do Coito, que manifestaram o apoio das respectivas entidades à iniciativa cultural.