Laboratório d’Estórias inicia novo ano com libelinha e peça utilitária

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Rute Rosa e Sérgio Vieira criaram a sua marca e é no seu espaço que recebem clientes de todo o território nacional e até vários estrangeiros

Casal de designers investe em marca própria, apostando em trabalho manufaturado em vários materiais na região

O Laboratório d’ Estórias cria peças especiais em cerâmica, dando vida à tradição e às memórias. Fazem-no aliando os saberes tradicionais à contemporaneidade.
A empresa caldense surgiu em 2013 e segue caminho de vento em popa, aumentando as suas coleções de peças decorativas de carácter zoomórficas e vegetalista. Também desenvolve uma outra área, mais utilitária e direcionada à restauração.
Neste início de ano vão lançar duas novas peças: uma libelinha, em cerâmica e metal e que é decorativa e uma outra utilitária, destinada à restauração feita em grés e madeira. Esta última tanto pode ser uma travessa ou usada como prato.
“Apostamos sobretudo na manufactura”, disse Sérgio Vieira, designer industrial que é também docente na ESAD. Com a sua mulher, a designer de cerâmica Rute Rosa, desenham as peças e depois contam com a colaboração de vários profissionais para as executar.
Trabalham com vários profissionais de cerâmica, com fábricas das Caldas e de Alcobaça e com especialistas de outras áreas que laboram com metais, burel e até com o papel e cartão que é usado para as suas embalagens. A larga maioria dos parceiros são da região.
Os responsáveis contam que nos últimos anos foi possível criar “uma interessante rede de quem se interessa por este tipo de projetos que alia a tradição à contemporaneidade”.
Rute Rosa, que antes trabalhou sete anos na fábrica Secla, explica que o Laboratório “valoriza muito os processos artesanais”, sem contudo deixar de recorrer à prototipagem industrial, sempre que esta é tecnologia mais adequada para a execução das novas propostas.
A marca caldense lança duas novas peças por ano, tendo sido a primeira de todas um manjerico em cerâmica.
“Esta teve logo uma grande aceitação”, disse a designer lembrando que o chef José Avillez foi um dos primeiros clientes que adquiriu exemplares para decorar um dos seus restaurantes.
Seguiram-se outras como a alface dos caracóis onde há uma homenagem às técnicas naturalistas caldenses.
O Laboratório d’Estórias trabalha regularmente com ilustradores e escritores “que se ocupam de contar e desenhar as estórias de cada uma das suas peças”. Para as próximas peças, os designers já convidaram o escritor António Mota e a ilustradora que também vive nas Caldas, Mafalda Milhões.
Já surgiram medusas, corvos, ouriços, canários, melros, joaninhas, galos e grilos. Também integra varinas e um cento de peças utilitárias, umas que se destinam a levar alimentos à mesa e outras à degustação de azeite. Umas têm forma de ouriço, outras de cascas de noz. Fizeram em barro piões utilitários, que lembram os idos dias da infância. O Laboratório faz também outro tipo de peças comemorativas, mais formais, como a jarra de homenagem a Camões.

Aposta na internacionalização
A marca já esteve em várias edições de feiras internacionais como a Maison e Objet e, neste momento, “ temos clientes fidelizados que dão estabilidade à empresa”, contou Rute Rosa, especificando que o Laboratório tem hoje clientes de vários países da Europa mas também de outros mais longínquos como da República Dominicana ou até da Coreia.
“Metade da nossa faturação é referente ao mercado externo”, disse Rute Rosa, especificando ainda que o Laboratório d’Estórias tem despertado o interesse de profissionais ligados ao design de interiores. Vários dos seus clientes, também designers “adquiriram as nossas peças para decorar hotéis internacionais”, explicou a responsável .
Na sua opinião, é importante continuar a valorizar os processos de produção da cerâmica caldense, seja recorrendo a ateliês, seja à indústria. Rute Rosa considera até que unidades industriais como a Molde – que abrem espaço para a produzir peças como acontece com o Laboratório d’Estórias – “deveriam ter benefícios por apoiar as pequenas produções”.
A sede do Laboratório d’ Estórias fica próximo da Igreja de N. Sra. da Conceição onde se dirigem muitos clientes da marca.
São recebidos por Sérgio e Rute, com boa conversa e ao sabor do café. E muitas voltam trazendo amigos de outras paragens e “até gostam de partilhar connosco o momento de embrulhar as peças”, disse Rute Rosa.
Outro hábito instituído é enviarem-lhes as fotografias dos locais das suas casas que escolheram para colocar as peças da marca. “É algo que gostamos, que serve para fortalecer as relações e que é importante para todos ”, concluiu a designer. ■