Livro assinala 100 anos da travessia do Atlântico Sul

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O escritor prepara mais dois livros sobre os pioneiros da aviação

Alexandre de Sousa conta a viagem heróica de Gago Coutinho e Sacadura Cabral, por ar, entre Lisboa e Rio de Janeiro.

Em 1992 o almirante Gago Coutinho e o comandante Sacadura Cabral realizaram a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, ligando Lisboa e o Rio de Janeiro. Um século depois a data é celebrada com o romance “Horizonte num mar de nuvens”, da autoria do escritor obidense Alexandre de Sousa.
O autor, que esteve ligado profissionalmente à aeronáutica, como aviador militar e civil, diz ter uma “dívida de gratidão” com os aviadores que desenvolveram técnicas e métodos de navegação capazes de dar ao mundo uma nova forma de se poder viajar e transportar carga entre continentes. “Esta travessia foi o princípio da aldeia global, até então não era possível fazer viagens transatlânticas”, salienta o escritor para quem ainda não há o reconhecimento devido da importância deste feito para o país.
Alexandre de Sousa lembra que Gago Coutinho e Sacadura Cabral eram marinheiros da Armada Portuguesa e por isso o livro faz alusão a “dois marinheiros que conquistaram o ar”.
Na Primeira República fruto de ligações a atentados e outros problemas, a Armada tinha um “fraco reconhecimento” pelo que este feito seria “uma forma de limpar a sua imagem” e levantar o ânimo do povo.
Este livro pretende ser, por isso, uma homenagem aos “dois marinheiros que conquistaram pelo ar e, mais do que isso resgataram Portugal para o mundo”, concretiza Alexandre Sousa, que no seu romance mostra quem eram estes homens, o que sentiram e com que perigos se depararam.
Durante cerca de ano e meio o escritor investigou a bibliografia existente em Portugal mas também no Brasil, país para quem esta viagem também teve uma importância extraordinária”. Foi, aliás, uma editora brasileira quem editou a obra, que já foi apresentada no FOLIO e que ainda este ano deverá ser lançada no Brasil.
Autor convidado da Bienal de São Paulo, em 2022, Alexandre de Sousa foi na altura convidado a editar “O mundo de corda”, um livro de poesia que foi escrito para crianças e que conta com ilustrações da brasileira Ana Laura Alvarenga.
Escrito há meia dúzia de anos, a editora Rota Imaginária considerou que se tratava de um livro com atualidade, no fundo uma alegoria a um mundo que, de repente, pára e é um menino quem lhe dá corda para quem volte a girar.
“É acima de tudo uma mensagem e um desafio para que não percamos a esperança possamos acreditar num mundo melhor, novo, que depende só de nós”, explica o seu autor.
“O mundo de corda” está a ser apresentado nas escolas de Óbidos e Alexandre de Sousa já foi convidado para também fazer apresentações da obra no Agrupamento de Escolas Raul Proença. Também já foi apresentado este ano no FOLIO e na Feira do Livro de Frankfurt (Alemanha). Segue-se o Brasil, país onde, tal como o romance “Horizonte num mar de nuvens”, é candidato a prémios literários e ao Plano Nacional de Leitura.
Na senda dos pioneiros da aviação, o escritor prepara agora obras sobre o padre Bartolomeu de Gusmão e Santos Drummond, ambos de naturalidade brasileira.