Nuno Matos Valente venceu prémio literário

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O escritor premiado, que vive em Alcobaça, é autor de livros infanto-juvenis e também de manuais escolares

Autor que vive em Alcobaça sagrou-se vencedor do Prémio Literário João de Deus com livro “O Segredo da Lagoa Escura” e que se destina aos jovens

O livro “O Segredo da Lagoa Escura”, editado pela Bertrand há dois anos, foi agora distinguido com o Prémio Nacional Literário João de Deus.
A distinção, atribuída pela Câmara Municipal de Silves e  Caixa de Crédito Agrícola Mútuo “Terras do Arade”, será entregue ao autor, Nuno Matos Valente, no próximo dia 8 de março, em São Bartolomeu de Messines, terra onde nasceu João de Deus, personalidade lusa  que se pretende homenagear com a criação deste prémio.
Foi a presidente da Câmara de Silves, Rosa da Palma que ligou ao autor, no mês passado, para lhe  dar a boa nova, de que o seu livro tinha sido o escolhido, entre as 104 propostas que concorreram a este prémio literário, que atribui 10 mil euros ao vencedor.
“Fiquei muito feliz! Estava na escola, no intervalo das aulas, e acho que a lição seguinte até correu melhor”, disse o autor, que é também docente de Artes Visuais. O prémio João de Deus  é atribuído de dois em dois anos, sendo esta a sua segunda edição.
A obra vencedora dirige-se aos jovens e resultou de uma bolsa de criação literária da Direção Geral do Livro. “O Segredo da Lagoa Escura” baseia-se em factos reais, retrata o que se passou durante uma expedição científica, realizada em 1881, à Serra da Estrela.
A jornada, que saiu de Lisboa, mobilizou muitos recursos humanos e materiais, foi organizada pela Sociedade de Geografia e nela participaram cientistas de várias áreas como da Geologia e da Hidrologia.
“O grande impulsionador desta expedição foi o médico Sousa Martins que pretendia verificar se a altitude da Serra da Estrela poderia ter poderes curativos”, disse Nuno Matos Valente, acrescentando que o médico queria aferir se existiriam benefícios em termos de saúde como acontecia em estâncias termais europeias, na Suíça. “Lembremos que  agrande epidemia do século XIX era a tuberculose”, disse Nuno Valente.
A expedição foi liderada por um militar, Brito Capelo, que antes já tinha atravessado várias vezes o território africano.
“Era tal o desconhecimento sobre a Serra da Estrela, que partiram de Lisboa a 1 de agosto, preparados para apanhar neve”, contou o autor.  A jornada incluiu uma sub-secção de sondagens do fundo das lagoas pois havia uma lenda que afirmava que existiam lagoas no cimo da Serra da Estrela e que estas comunicavam com o mar”, referiu o autor, contando que na expedição participaram cientistas da época que iriam confirmar se o facto correspondia à realidade.
“Peguei neste acontecimento da expedição e transformei-o em aventura infanto-juvenil tentando dar-lhe um ambiente ao estilo de Júlio Verne”, sublinhou o autor.
A obra, que  já teve várias apresentações pelo país, acabou por beneficiar de um duplo apoio já que foi feito com uma bolsa da Direção Geral do Livro e agora distinguido com um prémio nacional.
Um dos outros  livros deste autor “O Bestiário Tradicional Português” já vai a caminho da quinta impressão pois a quarta já esgotou.
“Sendo um elemento raro no  nosso meio editorial,  há sempre gente interessada em adquiri-lo”, contou o autor que faz a revisão sobre os “monstros” de Portugal. “É bem possível até que possam surgir iniciativas relacionadas com este livro que continua a contar com o interesse dos leitores”, sublinhou.  Nesta obra, ilustrada pela alcobacense Natacha Costa Pereira, o autor reuniu seres fantásticos que povoam o imaginário nacional. Homem do Saco, Bicho-Papão, Olharapos, Ganchas e Trasgos são apenas algumas das 40 criaturas portuguesas, a maior parte nunca antes ilustradas. O Bestiário foi editado pela Escafandro, uma editora alcobacense que se auto-classifica como a Mais Pequena Editora do Mundo. ■