Óbidos vai acolher a Casa José Saramago

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Gazeta das Caldas
O “Poema que foi curto”, de Armando da Silva Carvalho, foi projectado na parede da Porta da Vila | Fátima Ferreira

O edifício do Pelourinho, no centro de Óbidos, irá transformar-se na Casa Saramago, um espaço que reunirá a obra do Nobel português em várias linguas e dinamizará iniciativas culturais.
A abertura de portas está prevista para 23 de Abril, Dia do Livro.
No próximo ano irão abrir a Casa Ruy Belo, dentro da vila, e a residência Armando da Silva Carvalho, no Olho Marinho, ambas com o espólio dos autores e que funcionarão como residências artísticas.

Na “Viagem a Portugal” José Saramago descreve Óbidos como “uma menina que parece sentada à espera que a chamem para dançar”. Agora, o Nobel português terá uma casa no centro da vila que vai mostrar a sua obra.
“Será o ‘centro cultural’ de Óbidos no sentido em que terá um espaço expositivo e um auditório”, explicou a directora executiva do projecto Óbidos Cidade Criativa da Literatura, Celeste Afonso, acrescentando que será uma transposição, à escala, da Casa dos Bicos, que acolhe a Fundação Saramago. Parte da programação que acontece naquele espaço em Lisboa também passará a ter lugar em Óbidos.
A sua inauguração está prevista para 23 de Abril. A Casa Saramago pretende também fazer a ponte com outras casas-museu e fundações de escritores portugueses e apresentar-se como uma montra do trabalho que estas realizam.

Obidense homenageado no Dia da Poesia

“Poema que foi curto” foi a obra de Armando Silva Carvalho escolhida para ser projectada na parede da Porta da Vila de Óbidos para assinalar o Dia da Poesia, a 21 de Março. Tratou-se de uma homenagem ao poeta natural do Olho Marinho, que faleceu no ano passado, e que esteve integrada nas comemorações efectuadas pelas cidades criativas da literatura, coordenadas por Granada e que decorreram à escala mundial.
Com a escolha da fachada da Porta da Vila, a organização pretendeu, simbolicamente, dar as boas vindas a quem visitou Óbidos neste dia.
Mas esta iniciativa não é um acto isolado, estando inserida num conjunto de acções de afirmação da obra de Armando da Silva Carvalho, sobretudo nas escolas do concelho.
“Quando fizemos a homenagem a Armando da Silva Carvalho no Folio sentimos que veio gente de vários pontos do país para essa homenagem e que queriam fazer parte deste movimento”, disse Celeste Afonso. Assim, a  partir de 28 de Março (dia em que o escritor faria 80 anos) irão começar a delinear como se pode trabalhar o espólio e memórias do autor para dar a conhecer a sua obra, especialmente às pessoas da região.
A Câmara, a Vila Literária e a Junta de Freguesia do Olho Marinho estão também a trabalhar na criação da residência Armando da Silva Carvalho, que deverá ser inaugurada a 28 de Março de 2019, data do aniversário do autor. Localizada no Olho Marinho, irá albergar todo o seu espólio e será residência literária para poetas e tradutores.

Espólio e residência artística de Ruy Belo

De acordo com Celeste Afonso, são muitos os escritores, pintores, bloggers de viagens, jornalistas, poetas ou realizadores, que olham para Óbidos como um “espaço que é proprício à criação”. A residência literária Josefa d’Óbidos está a revelar-se insuficiente face à procura, pelo que será criada outra residência para artistas dentro da vila, a Casa Ruy Belo.
Todo o espólio do poeta e ensaísta natural de Rio Maior (1933-1978) foi cedido à Óbidos Vila Literária, que o está a colocar numa casa que será visitável mas, sobretudo, residência artística. “Não estamos no tempo das casas museu, os espaços têm de ser vividos e proporcionar novas memórias”, considera Celeste Afonso, acrescentando que actualmente estão a ser feitas as obras na casa, assim como o inventário do espólio, que inclui uma grande biblioteca, que estará acessível ao público. Este espaço deverá ser inaugurado em Janeiro do próximo ano.
A responsável destaca que Ruy Belo faz parte da herança literária de Óbidos e que isso é muito importante para criar uma identidade. “É preciso criar memórias e referências, que nos são dadas pelos escritores que por cá passam e escrevem sobre Óbidos mas também temos que recuperar as que já existiam”, concretiza.