Os caminhos das águas

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Em 2004 surgiu um livro publicado por Pedro Vieira de Almeida [sujeito a nova edição em 2010] intitulado “Nove Mil Passos”, cujo tema é a epopeia da construção do Aqueduto das Águas Livres, mandado erguer na cidade de Lisboa, por ordem do rei D. João V na primeira metade do século XVIII.
Como é do nosso conhecimento Caldas da Rainha manteve uma ligação profunda com este Rei, que para cá veio com frequência, na esperança da cura pelas nossas águas benfazejas dos achaques que o acometiam.
A páginas tantas, como era de esperar, o autor faz referência a uma dessas deslocações às Caldas. Com a sua permissão, passo a transcrever:
[…] “aliás, algumas comunidades de clérigos até desejaram mais ataques a Sua Majestade, sem o fazerem finar, de modo a receberem mais generosos donativos para rezarem pelas suas melhoras.
Se desacreditais nas minhas palavras, ide somando os gastos suplementares e indiretos apenas pela decisão do doutor Francisco Henriques em levá-lo a banhos para as Caldas da Rainha. O autor do “Aquilégio” e do “Âncora Medicinal” garantia serem aquelas termas ideais para a cura de paralisias e estupores legítimos, das convulsões, da surdez de causa fria, dos vómitos e debilidades do estômago, dos cursos lientéricos – e de outras diarreias em que o estômago e os intestinos estão relaxados -, da incontinência causada pela laxação da bexiga, da gota, da fraqueza das juntas, dos reumatismos antigos, das vertigens e dos acidentes de gota coral. Tantos efeitos potenciais, em doenças tão distintas, deveriam dar para desconfiar. Mas sua Majestade persuadiu-se que, viajando até às Caldas da Rainha, não somente recuperaria da paralisia, como as águas milagrosas lhe lavariam a senilidade precoce, e às tantas, até seriam um ótimo e mais seguro substituto para o extrato de âmbar.”
Tendo em atenção tanta senilidade precoce que nos rodeia, desejo ardentemente que as águas caldenses surjam de novo com método terapêutico, confiando que possam curar muita gentinha …