Sipo já vai na 27ª edição e recomenda-se

0
183
uan Pedro Garcia, o laureado ACIM/Antena2 do ano passado, deu um concerto na Casa da Música

Já vai na 27ª edição a Semana Internacional do Piano de Óbidos (SIPO), iniciativa de formação que atraiu 30 jovens pianistas de 13 nacionalidades a Óbidos e continua a demonstrar vitalidade.
Fizeram parte do evento, que decorreu entre os dias 29 de julho e 4 de agosto, participantes com idades entre os 12 e os 60 anos, sendo que a maioria foram jovens de vários países e que estão no início das suas carreiras.
Os professores que ensinaram as masterclasses foram Eugen Indjic, James Giles, Boris Berman e Manuela Gouveia, que também atuaram no Festival Internacional de Piano do Oeste, evento paralelo que decorreu em várias espaços do concelho de Óbidos e também no CCC, entre os dias 27 de julho e 10 de agosto.
“É uma grande honra poder contar com a participação de pianistas de vários países e que ensinam nas mais prestigiadas universidades norte-americanas e europeias”, disse Manuela Gouveia, a pianista que organiza o evento desde 1996, através da Associação Internacional de Cursos de Música – Casa da Barbacam – (ACIM), fundada no mesmo ano.
Este espaço, situado junto ao Castelo, além de receber as aulas, também acolhe as exposições de arte, tal como aconteceu este ano com a mostra “Tempo Suspenso”, composta por gravuras de Margarida Lourenço.
Em relação ao público que assiste aos concertos, a organizadora diz que este é variado, mas “infelizmente, não inclui muitas pessoas da região”. Em compensação há pessoas de outras zonas do país e ainda vários estrangeiros que vivem na zona e que não perdem nenhum evento da SIPO, alguns há vários anos. Um fenómeno similar a outros eventos culturais da região.
Nesta edição da Sipo, houve repertório de compositores a partir do século XVII até XXI.
Em destaque esteve também o repertório de um compositor ucraniano contemporâneo, trazido por um dos professores das masterclasses.
“Mostrámos o nosso apoio àquele país através da atribuição de uma bolsa a um estudante de piano ucraniano”, referiu à Gazeta Manuela Gouveia.
“Queremos sempre manter a qualidade quer dos concertos quer dos masterclasses”, assegura a pianista, acrescentando que o apoio da Câmara de Óbidos e Ministério da Cultura “são essenciais” para manter o projeto, mas que é preciso mais apoios para este tipo de iniciativas.
Para a organizadora, “aposta-se cada vez menos na opções artísticas e musicais nas escolas do ensino regular, algo preocupante”. Na sua opinião dá-se importância à formação nas ciências e na digitalização enquanto que “vai diminuindo a aposta cada na formação cultural base”.

Trezentos anos de boa música
Rui Vieira Nery esteve em Óbidos, a 5 de agosto, para uma conferência sobre compositores portugueses, que decorreu no Museu Paroquial de Óbidos.
Segundo o investigador, o piano surgiu em Portugal em 1720 e o país “possui mais de 300 anos de excelente música para piano que vale a pena descobrir”. O musicólogo deu a conhecer o compositor Carlos Seixas (1704-1742), passando, depois, por João Domingos Bomtempo e Vieira da Mota, ambos do século XIX.
Para Rui Vieira Nery, no século XX, surgem compositores “magníficos” como Armando Fernandes, Jorge de Vasconcelos, Fernando Lopes Graça, Jorge Peixinho, António Pinho Vargas, João Pedro Oliveira ou Eurico Carrapatoso.
Naquela conferência, exemplificou com a audição de trechos de temas destes autores. Para o especialista, a SIPO é “um curso extraordinário” que decorre em volta de Manuel Gouveia, “uma grande pianista que consegue trazer grandes mestres e alunos internacionais de piano a Óbidos”, rematou. ■