Teatro da Pessoa está a celebrar o 5º aniversário

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O Teatro da Pessoa participou no projeto Casulos tendo apresentado espetáculos no Museu de José Malhoa e ainda em Figueiró dos Vinhos

O grupo e associação cultural, que tem grupos de crianças, jovens e adultos, nas Caldas e em Lisboa, celebra aniversário com vários projetos futuros

O Teatro da Pessoa – Associação Sociocultural – está a assinalar o seu quinto aniversário. Nas Caldas, o projeto tem funcionado nas instalações do Centro da Juventude e,desde 2018, passou a ter grupos também em Lisboa. Durante este período, o projeto que é coordenado pelas atrizes Tânia Leonardo e Ana Sequeira, já realizou 22 produções, o que inclui trabalhos finais dos vários grupos de expressão dramática (de crianças e de adolescentes) e de teatro amador.
Nas Caldas têm o grupo Amador de Teatro e, em Lisboa, fazem parceria com os Fidalgos da Penha. Ao todo, trabalham com pelo menos 60 pessoas, de várias idades. O Teatro da Pessoa tem um grupo profissional, que integra as responsáveis e convidados. Mesmo na altura do confinamento, “Conseguimos dar continuidade às nossas atividades”, disseram as responsáveis à Gazeta das Caldas.
O Teatro da Pessoa surgiu de outras experiências que Tânia Leonardo foi desenvolvendo nas Caldas há pelos menos duas décadas e onde usa o método da partilha e do princípio da verdade.
A metodologia inclui módulos de exploração do corpo, do espaço, do objeto e depois da criação do objeto artístico.
Em cada sessão são estimulados por jogos, exercícios e técnicas de representação e vão construindo partituras dramatúrgicas. “O que fazemos no Teatro da Pessoa é invulgar”, contaram as responsáveis, que mantêm alunos durante dez anos e que crescem com este método de partilha onde se debate os temas que escolhem trabalhar nas peças.
“É algo único e muito válido para a transformação da sociedade”, disse Tânia Leonardo, dando a conhecer que há vários elementos do Teatro da Pessoa que mais tarde prosseguem para as escolas de teatro. Têm três estudantes na escola Profissional de Teatro de Cascais, nas Oficinas de Lisboa, na ESAD.CR e um na ACT, Escola de Atores. Ao todo, seguiram a profissão pelo menos 15 elementos”, disse Tânia Leonardo. E orgulham-se pelo facto da ativista Andreia Galvão ter feito parte do Teatro da Pessoa, durante oito anos. A jovem do Bloco de Esquerda terminou há pouco o mestrado de Teatro no Conservatório.
Desta associação há vários elementos que hoje fazem parte de grupos de teatro profissionais, incluindo o Teatro da Rainha. “Este é um projeto de pessoas para pessoas, com cuidado pelo outro e onde se valoriza cada um dos participantes”, explicaram.
A Tânia Leonardo e a Ana Sequeira juntam-se Maria Eduarda, também atriz e ligada aos projetos de criação do grupo e ainda Ana Rita Nabais, ligada à produção.
Trata-se pois de um grupo artístico, liderado no feminino, que está a crescer e que, em breve, irá editar as peças que os grupos têm feito nos últimos cinco anos. “Todas são documentais de problemáticas de diferentes gerações e que podem ser trabalhadas por outros grupos de teatro ou até escolas”, referiram as autoras.
Em 2013, Ana Sequeira, formada em Teatro na ESAD entrou para um dos grupos de teatro coordenado por Tânia Leonardo e hoje é uma das guias dos grupos do Teatro da Pessoa.
A associação cultural tem vários parceiros como o Museu Malhoa onde desenvolveu o projeto Casulos, tendo apresentado ateliês e espetáculos nas Caldas e também em Figueiró dos Vinhos. Têm também desenvolvido atividades nas escolas, em parceria com este Museu, levando obras do pintor naturalista caldense e desenvolvendo atividades em seu redor. Este tipo de projeto já está a ser apresentado a outros espaços museológicos.
O Teatro da Pessoa desenvolveu também, em fevereiro, uma performance sobre a exposição “A verdade Dói” que aborda a questão da violência sobre as mulheres e que também envolveu as esculturas de exterior. “Fizemos ainda alusão ao trabalho da artista Orlan que, em 1977, esteve nas Caldas e participou nos Encontros Internacionais de Arte”, disse Tânia Leonardo recordando que a artista plástica francesa fez apresentações radicais, medindo, áreas da Casa da Cultura com o próprio corpo. O Teatro da Pessoa, que ainda não tem sede, tem em mãos um novo projeto de criação do grupo profissional e um projeto de programação para a zona Oeste, sem esquecer o decorrer do ano letivo e as estreias dos seus grupos de crianças, adolescentes e de amadores, das Caldas e de Lisboa. ■