Uma peça sobre a solidão e a família no sábado no CCC

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Custódia Gallego tem um dos principais papéis em “Maria, a Mãe”

O CCC acolhe, a 3 de julho, “Maria, a Mãe”, escrita por Elmano Sancho. O autor, que também integra o elenco com Custódia Gallego, falou com Gazeta das Caldas sobre a peça dedicada à perda e ao luto

“A família, a solidão, o envelhecimento, a perda e o luto. E a figura da Mãe, claro.” Serão estes os principais temas que a peça “Maria, a Mãe” aborda, segundo Elmano Sancho que é o seu autor, encenador e que também integra o elenco.
No cenário, no próximo sábado, dia 3 de julho, vai estar a “Sagrada Família”, uma caixa retangular de madeira onde se encontram as imagens de José, Maria e Jesus.
É um pequeno oratório portátil, que tem numa zona lateral escritos os nomes dos assinantes que pretendem acolhê-la em casa e seguir os ensinamentos da família de Nazaré.
Trata-se de um culto remonta ao século XV e existe de forma residual em algumas aldeias do país. “Este oratório é o elemento cénico comum aos três textos que integram A Sagrada Família de Elmano Sancho: José, o pai; Maria, a mãe; Jesus, o filho”, explicou o autor .
A peça foi escrita em 2018, na sequência da atribuição da bolsa de criação artística e de dramaturgia atribuída pela Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das bibliotecas.
“Em 2019 e em 2020 reescrevi-a, adaptei-a para depois poder encená-la. O texto original é mais extenso do que a versão cénica”, acrescentou o responsável por esta peça que já foi apresentada no Cine-Teatro Avenida, em Castelo Branco, no Teatro Diogo Bernardes, em Ponte de Lima, no Teatro das Figuras, em Faro, na Casa das Artes de Famalicão.
Depois do Centro Cultural de Congressos das Caldas, esta proposta de arte dramática voltará a ser apresentada no Teatro Municipal Baltazar Dias, no Funchal.
Em outubro, “Maria, a Mãe” regressará aos palcos pois já tem mais datas previstas para essa altura.
A escolha dos atores para o elenco, é feita “por intuição”. À medida que vai escrevendo o texto, “imagino as vozes e os corpos que poderão habitar o universo retratado. Os nomes acabam por surgir, naturalmente, no desenrolar do trabalho de escrita e investigação, tornam-se uma evidência”, esclareceu o encenador que, em 2011 representou no palco do CCC, com os Artistas Unidos, o espetáculo “Não se Brinca com o Amor” de Alfred de Musset.
Durante o confinamento, o próprio encenador foi várias vezes para São Martinho do Porto pois é nesta localidade oestina que passa férias habitualmente.

O autor e encenador da própria peça, também integra o elenco

Um ator que também escreve e encena
Gazeta das Caldas quis ainda saber o que prefere fazer: interpretar em palco ou encenar. Elmano Sancho sublinhou que são duas funções completamente diferentes. “Direi, talvez, interpretar, porque sou, essencialmente, um ator que também escreve e encena”, informou o responsável que considera que a peça “Maria, a Mãe” é a que possui maior significado. E isto porque esta criação dramática lhe permitiu “explorar a família, tema que queria abordar há já algum tempo”.

“Estive em S. Martinho, onde passo férias, durante o confinamento”

Elmano Sancho

“Reescrevi a peça e adaptei o texto a uma versão cénica”

Elmano Sancho

Este ator, formado na Escola Superior de Teatro e Cinema, completou a sua formação em escolas de Espanha, Brasil e de França.
Em 2014 trabalhou na Siti Company (Anne Bogart), em Nova Iorque, como bolseiro da Fundação Gulbenkian. É bilíngue em francês e fala fluentemente espanhol e inglês. É formado em Economia e em Tradução.
Sendo um dos mais conhecidos atores portugueses no estrangeiro, Elmano Sancho tem sido distinguido com vários prémios não só como intérprete mas como também como encenador.
Somam-se nomeações e distinções a nível nacional e internacional que significam “o reconhecimento do esforço, da dedicação, do trabalho e da pesquisa”.
Elmano Sancho pretende continuar a trabalhar na trilogia familiar. Apresentará “Jesus, o Filho de 15 de setembro a 20 de outubro de 2022 no Teatro da Trindade e em 2023 “José, o Pai”.Entretanto, a digressão de “Maria, a Mãe “continua em 2021 e a das “Damas da Noite, uma Farsa de Elmano”, em 2021 e em 2022. E o criador já tem em mente mais projetos que vão subir ao palco em 2023.