Videomapping no Hospital Termal fechou o festival Amourphous com chave de ouro

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Gazeta das Caldas

O Balneário do Hospital Termal foi transformado numa gigantesca tela de videomapping na noite de 1 de Julho. O Largo do Hospital Termal ganhou nova vida com DJs e VJs de todo o mundo a apresentarem ao vivo os seus trabalhos. Este foi o culminar do Festival Amourphous, que colocou as Caldas no mapa internacional das performances audiovisuais. Marco Telmo, da organização, diz que ao longo dos três dias a edição de estreia terá contado com a participação de mil pessoas.

Durante duas horas, nove artistas de vários países usaram o Balneário do Hospital Termal como se fosse uma tela. Fizeram-no com um projector muito potente que iluminou com os jogos de luz que cada autor planeou no seu portátil as fachadas daquele edifício.
Cada artista apresentou 20 minutos de Vjaying, dando assim a conhecer a sua linguagem e o seu estilo de trabalho. Foram apresentados coloridos efeitos, sobretudo abstractos que permitiram ao público outros pontos de vista sobre o Balneário Termal.
Neste espectáculo participaram dois DJs, um norte-americano e um português e sete Vjs, oriundos da República Checa, Argentina, Inglaterra, Portugal e Alemanha.
“Foram precisos seis meses de produção para realizar a edição de estreia do Amorphous AV Fest”, disse Marco Telmo, um dos nove elementos que fazem parte  da equipa Reaction AV.
O serão esteve fresco e o público não aderiu em massa a esta apresentação. Dezenas de pessoas preferiram ficar ao fundo da Rua da Liberdade ou espalharam-se pela rua que conduz ao Museu do Hospital e das Caldas, cortada ao trânsito durante o decorrer do espectáculo.
A festa teve continuação em seguida na Casa da Cultura. Todos os VJs e DJs fizeram apresentações e despediram-se desta edição de estreia.Os autores estrangeiros elogiaram a hospitalidade e a boa gastronomia local e prometeram regressar para futuros eventos.

Ex-casa da Cultura ganhou nova vida

Nessa semana, na quinta e na sexta-feira, o Festival Amourphous tomou como sede a ex-Casa da Cultura. Os seus vários espaços deram lugar a locais de apresentação de performances audiovisuais, concertos e de exposição.
A meio, mesmo na zona do Céu de Vidro, foi criado um bar e, ao ar livre, foi criada uma sala de concertos onde se realizaram várias actuações de DJs.
“Disponibilizámos dois projectores para cada um dos autores visuais que estão no festival e possibilitámos a todos experimentar fazer micromapping sobre as peças de ceramistas caldenses”, disse Cláudio Sousa, outros dos elementos da organização explicando que no interior de uma das salas da Casa da Cultura estiveram obras de Ana Sobral e Carlos Enxuto que foram “micromapeadas” por muitos artistas.
Segundo o organizador, entre o público que visitou o festival, “notámos muitos curiosos e interessados nas projecções que acabavam por ficar para conhecer outras propostas de VJ e de DJ”. Este é um admirável mundo novo, onde é necessário dominar as novas tecnologias e os softwares relacionados com o vídeo.
No primeiro andar estiveram em exibição trabalhos finais de alunos do curso de Multimédia da ETEO. “Eles montaram um pequeno showroom com os trabalhos finais deste ano, que vão desde curtas-metragens até pequenos trechos publicitários”, disse Cláudio Sousa, acrescentando que dois dos elementos da organização do festival serão júris daqueles estudantes na apresentação final que vai ter lugar na ETEO.

Evento foi espaço de reencontros

A italiana Simona Noera, 36 anos vive há uma década em Praga. Faz parte do colectivo Kinocirkus e ficou encantada com as Caldas e com os organizadores do evento. “Têm uma boa atitude”, disse a artista que corre mundo a fazer paresentações vídeo. O festival nas Caldas foi ainda “uma óptima oportunidade de rever amigos e a fazer outros novos”, referiu a artista. A VJ acha que a cidade caldense tem óptimos espaços para este tipo de eventos. ”É interessante para nós poder actuar neste tipo de sítios. É bom levar novas linguagens a espaços tradicionais”, afirmou.
Simona Noera ficou instalada na residência de artistas no centro de artes e numa ida ao supermercado, perdeu-se para os lados do edifício da EDP. A italiana deixou-se impressionar pelos prédios abandonados situados em frente. “Estão cheios de grafitis e ficam mesmo à entrada da cidade!”. E questionou-se sobre o que se terá passado para os prédios estarem assim naquele estado. Desde 2010 que a VJ se dedica ao videomapping e a outro tipo de instalações interactivas.
No evento participou também a checa Katerina Vazacova que trabalha em imagem no mesmo colectivo artístico, sediado em Praga. A artista de 35 anos, também estudou Media e trabalha nas áreas de Som e de Vídeo. Achou as Caldas “uma cidade muito bonita” e crê que esta tem muito potencial no que diz respeito aos eventos audiovisuais. “Adorei o Parque, a arquitectura e a forma como os caldenses receberam”, referiu Katerina Vazacova.  “Como venho do centro da Europa tudo aqui nas Caldas foi novo para mim”, rematou a artista que vai querer regressar.
Diogo Malenho e Frederico Pimpão pertencem ao colectivo Error 43 onde os seus elementos se dedicam à arquitectura, à pintura, à robótica e ao som e imagem. São arquitectos de Lisboa e dedicam-se ao VJaying. Foi aliás em Amesterdão que conheceram os responsáveis pelo festival caldense.
Para os dois, o videomapping “permite às linguagem artística sair dos museus e ser apresentada em espaço aberto na cidade”. Contam que já actuaram em Moscovo perante uma plateia de 60 mil pessoas e acham que faz sentido que as Caldas possa receber eventos deste tipo. “É melhor fazer cá do que em Lisboa onde já há demasiadas iniciativas”, disseram os autores. Estes também ficaram alojados no Centro de Artes e acham que “todas as cidades deviam ter estas condições para os artistas ficarem nos sítios e poderem interagir com a população”, remataram os autores que contribuíram para o videomapping final.