A equipa da década do Caldas SC

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A equipa formada pelos jogadores mais utilizados pelo Caldas na segunda década deste século

No dia em que termina a segunda década do Século XXI, Gazeta das Caldas recorreu aos seus arquivos para construir a equipa da década do Caldas SC, a partir da lista de jogadores mais utilizados pelos alvinegros entre 1 de Janeiro de 2010 e 31 de Dezembro de 2019. Nos 18 eleitos há oito jogadores que compõem o plantel actual, o que é um dos indicadores da estabilidade que tem feito do Caldas uma das equipas mais sólidas do Campeonato de Portugal.

O critério para a escolha dos 18 jogadores que caberiam numa ficha de jogo foi o número de jogos disputados pelo Caldas na década de 2010, com uma única excepção. Apenas Ricardo Campos – 27º da lista – não reunia as partidas necessárias para entrar nesta “convocatória”, mas como é necessário um segundo guarda-redes, o antecessor de Luís Paulo ocupou o lugar que, na lista, era de Miguel Guerra como o 18º classificado.

Mas vamos ao 11 “titular”. Na baliza, Luís Paulo assume sem surpresa a guarda das redes, com 241 jogos efectuados desde a temporada 2012/13.

Na defesa surge outra excepção à regra da escolha pelos mais utilizados e é Juvenal. No Caldas desde a temporada 2014/15, o lateral-direito é o 12º jogador com mais partidas disputadas, mas troca com Januário, que está directamente acima na lista, pela necessidade de compôr um sector defensivo. Juvenal é o lateral de raiz mais utilizado pelo clube alvinegro nestes últimos 10 anos e deixa no “banco” outra das referências do clube nesta posição, André Jesus, ao qual sucedeu.

Se no centro da defesa o número de jogos de Rui Almeida e Militão não deixa dúvidas – o actual capitão é mesmo o jogador com mais presenças nestes 10 anos –, na esquerda a presença de Diogo Clemente nos 18 eleitos complicava a escolha para o lugar. No entanto, o número de jogos de Farinha, já próximo dos 200, e as actuações como lateral-esquerdo desde a temporada transacta, fizeram a escolha recair sobre o dono da camisola 25.

Da defesa para a frente havia várias configurações tácticas possíveis e a opção foi mesmo encaixar os jogadores do topo da lista num dos sistemas de jogo mais utilizados pelos alvinegros nas últimas temporadas, no caso um meio-campo a quatro com um pivot defensivo e outro ofensivo, apoiados por dois médios interiores. Na base do sector estão três jogadores que têm sido garante da estabilidade da equipa sob o comando de José Vala e que, juntos, totalizam 580 presenças. André Simões é o único jogador que soma partidas em todas as temporadas deste intervalo temporal. A ele juntam-se Paulo Inácio e André Santos.

Restam os três maiores goleadores do Caldas nesta década, que se juntam numa mistura entre plantéis da primeira e da segunda metades da década. João Tarzan, apesar de ter um impressionante racio de golos por número de jogos, foi muitas vezes utilizado com total liberdade para deambular pelo campo, pelo que surge como pivot ofensivo do meio campo, no apoio a Sabino e João Rodrigues. Esta foi uma dupla que na primeira metade da década revelou um excelente entendimento e uma forte capacidade goleadora. Os três jogadores valeram ao Caldas quase 150 golos, mais de um terço dos 428 registados pelo clube neste período, em pouco mais de cerca de 340 jogos.

No total, o Caldas utilizou nesta década 113 jogadores, em nove temporadas completas mais duas metades, o que corresponde a uma média de 11,3 jogadores por ano, ou 10,3 por temporada. Estes números são reflexo da política de estabilidade na construção dos plantéis, com muitos jogadores a permanecerem no clube por longos períodos de tempo, o que tem sido um dos segredos do sucesso do clube que se mantém nos campeonatos nacionais há mais de meio século.

Todas as equipas precisam de um treinador e José Vala, desta vez, não foi o autor das escolhas mas sim o escolhido, como o técnico que mais vezes se sentou no banco do Caldas ao longo da década, o que fez em 136 ocasiões.