Alto rendimento no desporto e na escola

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A coordenadora da UAARE, Alexandra Sampaio, com as alunas Madalena Fortunato, Andreia Fialho e Madalena Silva na sala Aprender+ | DR

A Unidade de Apoio ao Alto Rendimento Escolar (UAARE) da Escola Rafael Bordalo Pinheiro ajuda os alunos atletas a melhorarem o rendimento na escola e no  desporto. Fomos saber como funciona

Foi no ano letivo 2015/16 que a direção da Escola Rafael Bordalo Pinheiro se apercebeu das dificuldades que enfrentavam os alunos atletas de alto rendimento na relação entre a sua atividade desportiva e escolar. E o responsável foi uma figura bem em voga atualmente, o ciclista João Almeida.
A diretora Maria do Céu Santos recorda que a escola nem sabia, na altura, que aquele aluno tinha estatuto de alto rendimento. Soube-o quando João Almeida foi convocado para o Campeonato da Europa e, no mesmo dia da competição, tinha um exame do 12º ano.
“Estudei a situação e encontrei o decreto-lei 275, que protege e ajuda os alunos neste tipo de situação”, recorda a diretora. Apercebeu-se, então, dos apoios que este tipo de alunos tem à disposição, incluindo épocas especiais de exames.
O caso levou a escola apresentar à Direção-geral de Educação uma candidatura ao programa UAARE, através da do professor Manuel Nunes e com o apoio da Federação de Badminton, que providencia, entre outros aspetos, alojamento para os alunos deslocados.
Além de João Almeida, que terminou nesse ano o seu percurso, a escola já tinha mais alguns alunos nas mesmas condições, nomeadamente na modalidade de badminton. Foram referenciados outros atletas na região que pudessem integrar a unidade, que abriu no ano letivo 2018/19 com 24 alunos de 12 modalidades diferentes.
Apesar de se tratar de um grupo de alunos, a UAARE não é uma turma. De resto, os alunos estão colocados em diversas turmas entre o 7º e o 12º ano, nos cursos que escolhem.
Atualmente coordenada pela professora Alexandra Sampaio, o papel da UAARE é gerir a relação dos alunos atletas com a escola, nomeadamente na compatibilização dos horários das aulas com os treinos, mas sobretudo com as provas, que muitas vezes obrigam estes alunos a faltar.

Foi o coincidir de um exame e uma prova internacional do ciclista João Almeida que chamou a atenção para a situação dos alunos atletas

Alexandra Sampaio realça que, se no início este não foi um processo fácil, hoje em dia “qualquer professor da escola sabe o que é a UAARE e o que é um aluno UAARE”.
Quando os alunos estão fora, podem aceder a conteúdos que são disponibilizados online através de equipamentos móveis e da plataforma Teams. “Estes foram os primeiros alunos a terem ensino à distância, ainda antes da pandemia”, nota Maria do Céu Santos.
De volta à escola, estes alunos têm ainda acesso à Sala de Estudo Aprender+, que foi equipada com o apoio da autarquia e tem professores que são destacados para essa tarefa.
Todo o processo é articulado entre a escola, o aluno, os encarregados de educação e a entidade desportiva que representam. De resto, no início do processo todos têm que assinar um documento a assumir esse compromisso.
Maria do Céu Santos destaca que os resultados têm sido muito positivos, tanto a nível desportivo, como académico. “Acima dos 90%. Estes são alunos muito focados e trabalhadores, porque estão habituados a coisas difíceis”, sublinha. De resto, todos os alunos finalistas têm entrado no ensino superior nas suas primeiras opções e na primeira fase.
O desempenho da UAARE da escola caldense tem sido elogiada pelo coordenador nacional, Vítor Pascoal, que este ano lançou um desafio à escola: receber uma aluna de Leiria, que está na Noruega a jogar andebol. Tem aulas síncronas com a restante turma, mas online. Além disso, por se tratar de uma aluna do ensino profissional, terá que realizar prova de aptidão profissional e estágio.
Alexandra Sampaio realça que a UAARE caldense é a única do programa que funciona “à la carte”, ou seja, os alunos podem receber apoio presencial ou online.
Os alunos têm ainda acesso a trabalhar com a psicóloga da escola, Dina Nogueira, que todos os meses reúne com todos os alunos atletas. “É importante perceber as necessidades que eles têm e sentirem-se acompanhados e aprenderem a gerir os objetivos e a ansiedade”, refere a psicóloga.


Atletas valorizam o conforto que a UAARE lhes dá nas duas vertentes

Gazeta das Caldas teve oportunidade de conversar com três dos 20 atletas estudantes que compõem a UAARE no ano letivo corrente, e todas destacam o conforto que integrar a unidade lhes dá tanto no plano desportivo, como escolar.
Madalena Fortunato, atleta de badminton, estuda no 11º ano de Economia e diz que o primeiro impacto positivo são as condições que passou a ter ao nível do treino. “Passámos a ter facilidade de poder treinar de manhã, e de fazer remarcação dos testes. Mesmo que não precise de faltar, se tiver competição e muitos treinos perto do teste posso alterar a data”, afirma.
Mas o que Madalena Fortuna mais nota de diferente é ao nível do apoio. “Agora os professores estão sensibilizados para a nossa vida. Sempre que vou a uma competição tenho professores a perguntar se está tudo bem, ou se preciso alguma coisa”, conta. A atleta realça ainda que, quando vai a competições internacionais, o tempo que está fora pode levar a que se perca um pouco na matéria em relação aos colegas que ficaram. “Mas quando chego temos o apoio dos professores para revermos a matéria”.
Andreia Fialho é atleta de kempo e aluna do 12º ano, no curso CT2 e afirma que tem sido “um grande privilégio fazer parte do grupo da UAARE, pelo grande apoio que temos por parte dos professores”.

Alunas destacam disponibilidade dos professores para os apoiar

A atleta dá como exemplo uma ida a uma competição no estrangeiro no 10º ano que a obrigou a remarcar testes a várias disciplinas. “Os professores deram-me fichas para fazer e, quando voltei, disponibilizaram-se para dar apoios extra para rever toda a matéria. Andreia Fialho realça que esse conforto lhe dá uma “preparação mental muito melhor”, tanto para os momentos em que tem que se focar na escola, como nos que é preciso dar mais atenção à atividade desportiva.
Andreia Fialho já sentiu necessidade de recorrer à sala de estudo Aprender+ num momento em que sentiu dificuldades a matemática e diz que foi uma mais-valia, que lhe permitiu tirar a nota desejada.
Madalena Silva, atleta de voleibol, é colega de turma de Andreia Fialho e diz que a grande diferença que nota é que, antes da UAARE, se sentia “um pouco sozinha nesta reação entre a escola e o desporto”, enquanto agora tanto professores como colegas de turma percebem e apoiam quando as dificuldades surgem.
Tal como Andreia Fialho, Madalena Silva teve necessidade para levantar uma nota, a física e química, e a sala Aprender+ foi uma preciosa ajuda. “Por causa da pandemia, no regresso aos treinos tivemos trabalhar mais, para recuperar o tempo que estivemos em casa. A professora fazia vídeos no Youtube para me explicar, foi bastante interessante, e tive o resultado que pretendia no exame”, conta.
Madalena Silva joga na Lusófona, em Lisboa, quatro vezes por semana mais os jogos. O fato de ter que se deslocar torna complicado gerir os horários, o que acaba por ser bastante facilitado por integrar a unidade.


Os rostos da UAARE

Diogo Daniel
Para-badminton
Joana Figueiredo
Kempo
Madalena Fortunato
Badminton
Maria Malta
Futebol

 

 

 

 

 

Andreia Fialho
Kempo
Pedro Portelas
Badminton
Tomás Sacramento
Badminton
Margarida Botelho
Badminton

 

 

 

 

 

Marta Salvador
Futebol
Ana Rita Gomes
Kempo
Rita Campos
Andebol
Beatriz Santos
Futsal
Miguel Reis
Badminton
Maria Inês Couto
Dança Desportiva
Afonso Rebelo
Equitação
Carolina Reis
Ténis

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Diogo Tomás
Kempo
Madalena Silva
Voleibol
João Tomás
Kempo
Henrique Nascimento
Ginástica