BTT: David Santos fez o pódio e ganhou etapa na prova mais dura do país

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David Santos propôs-se a fazer a prova de BTT mais dura que conseguisse encontrar como promessa pelas melhoras na saúde do filho

Obidense fez a prova mais dura em Portugal em promessa pela recuperação do filho e esteve em grande plano

 

David Santos foi terceiro classificado da geral na TransPortugal – MTB, uma das mais duras provas de BTT que se realizam no país e que atrai muitos corredores do estrangeiro. O obidense propôs-se a realizar a prova numa promessa que fez pela recuperação do filho e ganhou mesmo uma das etapas, a derradeira.
O obidense foi um dos destaques da edição deste ano da prova, que tentou realizar apenas pela segunda vez, depois de em 2022 não ter conseguido chegar ao final. A TransPortugal é, como o nome indica, uma prova que atravessa o país em oito etapas de grande dureza, a começar em Chaves, Trás-os-Montes, e a terminar em Vilamoura, no Algarve, com 930 quilómetros percorridos em trilhos de floresta, de montanha e estrada de gravilha, com um acumulado de elevação acima dos 14 mil metros.
O que torna o feito ainda mais valioso é que David Santos não chegou a esta prova por ser um atleta habituado a estas lides, mas num desafio pessoal de superação. Esta aventura começou porque o filho do atleta nasceu com um problema ao nível do fígado, que obrigou a dois transplantes. David já praticava BTT, mas apenas por lazer. “Decidi que se ele ficasse bem ia fazer a prova mais dura que encontrasse em Portugal. Toda a gente dizia que era das mais difíceis de concretizar no país, e mundo, e foi assim que decidi participar”, conta.
Em 2022 não conseguiu completar a prova. “Voltei para casa e preparei-me melhor”, conta. Desde então foi acompanhado por um nutricionista ligado à área, o que ajudou imenso, “porque trabalho, tenho uma vida normal”, acrescentou. Os treinos têm que ser encaixados no tempo livre, que foi preciso criar. Às 4h30 está de pé para começar a treinar uma hora depois, e às 9 horas já está a trabalhar. “Em agosto procurei a ajuda de uma treinadora espanhola muito profissional, o que me deu uma bagagem gigante e permitiu um crescimento muito grande enquanto atleta”, sustenta.
David Santos diz que a preparação foi mesmo mais difícil que a própria prova, “pelo foco que se tem que ter, a dedicação”, mas também porque pouco tempo antes da prova esteve doente e teve algumas mazelas, no joelho e num tendão. “Fiz fisioterapia até à última e tinha pessoas a dizer-me para não ir”, conta.
O resultado foi a recompensa por todo o esforço empregue e dedicação a esta causa nobre que abraçou. “Saiu um pódio, terceiro lugar à geral e ganhei a última etapa. Tive mais pódios durante as oito etapas e fui a melhor velocidade média de vários dias”, salienta, lembrando que tem 40 anos, saía atrás de competidores mais velhos e ao mesmo tempo dos mais jovens, num grupo com “muitos ex-ciclistas e pessoas que andam bem e estão muito bem preparadas”.
A primeira etapa cumpriu “um pouco a medo, não consegui fechar no top 10, mas depois foi sempre a subir”, diz, realçando o primeiro pódio em etapa com o terceiro lugar na Serra da Estrela.
A vitória na etapa final “foi a cereja no topo do bolo”, até porque está atualmente a residir no Algarve. “Foi espetacular porque foi a sensação de realização do sonho e ser no último dia, com família à espera e os obidenses todos a torcer, foi uma sensação brutal”, remata.
Agora, o atleta já tem outras provas em vista: “gostava de tentar uma em Marrocos, e quero provas mais pequenas em Portugal, como em agosto no Gerês”. ■