Diogo Daniel é exemplo no parabadminton

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Diogo Daniel tem 20 anos e é internacional português de para badminton desde os 16

Experimentou modalidade num campo de férias. Agora vai estar no Mundial.

O caldense Diogo Daniel é um exemplo de superação no desporto adaptado. Com 20 anos acabados de completar, está apurado para o Mundial de parabadminton, que vai disputar em Tóquio, de 1 a 6 de novembro.
A modalidade surgiu na vida do atleta, em 2011, um pouco por acaso. “A minha mãe levou-me ao campo de férias da Federação Portuguesa de Badminton. Os monitores disseram que eu tinha algum jeito e desafiaram-me para vir para um clube”, conta. E assim fez. Começou a praticar no MVD e, em 2015, foi à primeira competição nacional.
Aí deparou-se com uma questão. “Era algo frustrante porque estava a competir com pessoas sem limitações e os outros jogadores sabiam que podiam explorar o meu lado esquerdo”, recorda. Mas não foi isso que o travou e o esforço e persistência foram compensados.
Em 2018, surgiu a possibilidade de se tornar atleta de para badminton, depois de uma avaliação que permitiu comprovar que a limitação que Diogo Daniel tem no braço esquerdo se enquadrava nos parâmetros das competições internacionais.
Nesse mesmo ano fez a primeira internacionalização, em conjunto com Beatriz Monteiro, que tem sido parceira de aventura desde esse ano. Após o primeiro torneio, em Dublin, que ficou marcado na memória com a chegada aos oitavos de final, Diogo Daniel já esteve em torneios noutros países europeus, na América do Sul e na Ásia. Tem agora os mundiais na mira, assim como o apuramento para os Jogos Para olímpicos de Paris 2024. Este ano garantiu a primeira medalha, com um terceiro lugar em Espanha.
Como qualquer atleta de alto rendimento, Diogo Daniel tem treinos bi-diários e acompanhamento de ginásio, nutricionista, fisioterapeuta e psicólogo, integrado num programa da Federação Portuguesa de Badminton e do Comité Olímpico de Portugal.
Mas o desporto adaptado tem dado a Diogo Daniel mais do que os resultados e as experiências internacionais.
“Tem-me ajudado a ser um pouco mais ambicioso, no badminton e também para a minha vida, para o meu curso”, atira. E tem-no ajudado, também, a lidar com a sua limitação física… e a com a limitação cognitiva de algumas pessoas.
“Ainda este ano estive na apanha da fruta e tive um episódio desagradável, de uma pessoa que me tentou rebaixar por causa da minha limitação. Eu não me encolhi, respondi e demonstrei que conseguia e a pessoa acabou por reconhecer que foi incorreta comigo”, conta, acrescentando que “a limitação está muitas vezes na cabeça das pessoas”. “Eu posso não fazer uma coisa em 5 minutos, mas posso fazê-la em 10 e até posso fazer melhor”, conclui.
Diogo Daniel já participa em ações do COP de angariação de atletas de novos atletas para o desporto adaptado, algo que gosta de fazer para lhes mostrar que podem ter abordagens diferentes.