Foi-se o sonho, fica a realidade

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Gazeta das Caldas
O público não faltou à festa da Taça e o jogo correspondeu, mas o Caldas ficou pelo caminho

Dois erros deitaram por terra o sonho da repetição da história encantada na Taça de Portugal. Tristeza pela derrota não pode contaminar o que ainda falta de uma longa temporada

Campo da Mata, Caldas da Rainha
Árbitro: Anzhony Rodrigues, AF Madeira
Assistentes: Luís Freitas e Nuno Pereira
CALDAS 1
Luís Paulo [3]; Militão [3], Rui Almeida (C) [3] e Pedro Gaio [2] (Januário [3] 42’); Passos [3], Paulo Inácio [3], Simões [3], Leandro [3] (Ricardo Isabelinha [2] 69’) e Cascão [3] (Iuri Gomes [2] 65’); Farinha [3] e David Silva [3]
Não utilizados: Rui Oliveira, Marcelo, Bernardo Rodrigues, André Santos
Treinador: José Vala
GAFANHA 2
Luís Silva; Marcelo Dias, Simão Fernandes, Ricardo Mango e Evandro Gomes; Gavin Niese e de Jesus; Bruno Fernandes (Vítor Pisco 71’), Homero Calderón (Miguel Anjos 57’) e Ruben Filipe (Sheriff Mohammed 78’); Tavares
Não utilizados: Palha, Marcelo Moreira, Pedro Ladeira, Djô Djô
Treinador: Fábio Pereira
Ao intervalo: 0-2
Marcadores: Tavares (7’ e 18’) e David Silva (84’ gp)
Disciplina: Amarelos a de Jesus (25’ e 67’), Simão Fernandes (50’ e 81’), Januário (65’), Vítor Pisco (74’), Simões (74’), Evandro Gomes (85’), Nuno Silva (86’), Luís Paulo (90’+2) e Tavares (90’+2). Vermelho por acumulação a de Jesus (67’) e Simão Fernandes (81’)

Acabou o sonho do Caldas na Taça de Portugal. Equipa e adeptos acreditavam que o clube poderia escrever nova página bonita da sua história na competição e o final deste capítulo foi duro de enfrentar para o grupo de trabalho, como era facilmente perceptível nos semblantes carregados no final da partida.
O Caldas estava avisado para o poderio do Gafanha e este revelou-se quase de forma instantânea. Os primeiros minutos mostraram uma formação compacta e agressiva na disputa de bola. Ao segundo pontapé de canto conquistado a equipa da Série B comprovava o seu poder concretizador, mas o lance era evitável. O Caldas recuperou a bola e tentou sair a jogar, mas o passe de Rui Almeida foi interceptado por Evandro. Com o Caldas descompensado na saída, Tavares ficou com bola e espaço na cabeça da área e atirou sem hipóteses para Luís Paulo.
O Caldas reagiu. David Silva e Farinha repartiram cinco remates em cinco minutos. “Cheirava” a golo e ele não demorou, só que na baliza contrária e novamente com um erro à mistura. Gaio foi desarmado por Bruno Fernandes, que fez uma diagonal para o interior da área e serviu Tavares para uma finalização cheia de classe, em rotação e com o calcanhar.
A diferença de eficácia era clara e ficou mais na seguinte jogada. Livre à entrada do meio campo ofensivo, Rui Almeida lançou Cascão à esquerda, centro para o remate de Passos que esbarrou no braço de Mango – penálti claro que ficou por assinalar –, a recarga de Farinha esbarrou em Nuno Silva, mas Cascão insistiu e Passos viu novamente Mango tirar-lhe o golo, agora em cima da linha.
O Gafanha terá percebido a sua sorte naquele lance e começou a segurar a vantagem de dois golos. O Caldas deixou de conseguir entrar com tanta facilidade na área do adversário. José Vala sacudiu a equipa ainda antes do intervalo, com a troca de Gaio por Januário, e de sistema de jogo. A presença de um terceiro avançado abriu a defesa adversária num lance de David Silva, que rematou mal quando tinha Farinha bem colocado.
Apesar de ter mais gente no ataque e de até conseguir alguns lances no último terço de terreno, o Caldas mantinha-se, na segunda parte, pouco objectivo na definição dos lances. E com a sorte de costas voltadas. Que o diga Januário, que viu a bola devolvida pela barra num livre, com Nuno Silva batido.
Depois vieram as expulsões – fruto da agressividade competitiva dos visitantes – e o reforço do ataque no Caldas. Foi já recuado a lateral que Farinha conseguiu desequilibrar e ganhou a grande penalidade que fez a equipa voltar a sonhar nos últimos cinco minutos. Mas o Gafanha defendeu demasiado bem. O Caldas conseguiu “apenas” cinco cantos até final da partida, mas não os aproveitou.
Pode ter acabado o sonho da Taça, mas há ainda uma realidade para viver, de um ainda longo e duro campeonato no qual os objectivos serão sempre diferentes, mas não menos importantes.

Gazeta das Caldas
David Silva

MELHOR DO CALDAS
DAVID SILVA 3
Na melhor fase ofensiva do Caldas só não esteve num dos lances, funcionando como pivot, municiador e finalizador. Acabou por fazer o golo de honra de grande penalidade.

 

 

Iuri Gomes

IURI GOMES, JOGADOR DO CALDAS
FOCAR NO CAMPEONATO
Sofremos dois golos muito cedo no jogo. Reagimos bem, tivemos oportunidades para empatar e depois para reduzir. As expulsões deram-nos ainda mais volume de jogo, reduzimos mas infelizmente saímos derrotados. Era um objectivo porque na época passada a Taça movimentou a cidade e trouxe muito apoio ao clube. Temos que nos focar no campeonato, onde podemos trazer muitas alegrias aos caldenses. Estou a gostar de estar aqui, fui bem recebido. Infelizmente comecei a época com uma lesão, estou a voltar e espero que seja sempre a melhorar.

JOSÉ VALA, TREINADOR DO CALDAS
A TAÇA JÁ PASSOU
Vínhamos a ser coesos defensivamente de facto pecámos nesse aspecto. Foram dois erros e dois golos do Gafanha. Não estamos satisfeitos, mas tenho quer dar os parabéns aos jogadores porque fizeram tudo para chegar ao empate. Sabíamos que é uma equipa que quando se apanha a ganhar se torna difícil, porque tem jogadores rápidos e muito agressivos na procura da bola. Temos que pensar no campeonato, a Taça já passou.

FÁBIO PEREIRA, TREINADOR DO GAFANHA
SOFRER NA SEGUNDA PARTE
O Caldas tinha uma história recente muito bonita na Taça, e quero deixar-lhes os parabéns por isso, porque foi um grande exemplo do que podem fazer as equipas do CPP. O Caldas ia tentar honrar essa história, mas entrámos muito fortes. Tivemos que sofrer na segunda parte e por isso os meus jogadores estão de parabéns. Agora é esperar pelo próximo adversário.