Qualidade do peixe e atendimento personalizado são atrativos

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O mercado conhece ao sábado o seu dia mais movimentado

São cada vez menos, mas os compradores gostam da experiência de compra no Mercado do Peixe

Os compradores regulares do Mercado do Peixe são cada vez menos, mas gostam de lá ir e elogiam a experiência de compra. A qualidade do peixe, a diversidade e o facto de terem um atendimento personalizado são dois dos grandes atrativos. Mas frisam que o aumento do movimento permitirá melhorar cada vez mais o mercado.
Maria Carvalho, que é caldense, vem uma vez por semana ao mercado, depois de ir à Praça da Fruta. “A qualidade do peixe é o que me faz vir. Peixe só compro aqui, porque não tem comparação em termos de frescura e qualidade”. Este equipamento “é fundamental e devia haver mais chamadas de atenção para o mercado”, defende, referindo que deveria haver uma maior articulação entre as duas praças. “É preciso criar mais condições, por exemplo, de estacionamento”.
Elísio Couto, das Caldas, vem “às vezes” ao mercado porque “o produto é bom, não é barato, mas é bom”. Considera que “para a cidade a existência do mercado é uma mais-valia”.
Para Paula Carvalho a ida ao Mercado do Peixe faz parte da rota de sábado, com paragem também na Praça da Fruta e no talho. “Venho todas as semanas, porque o peixe é de muito boa qualidade e venho sempre ao mesmo sítio, telefono a perguntar o que há e a encomendar, depois venho buscar e levo mais ou menos coisas, o que não é possível noutro tipo de comércio, esta relação muito personalizada, é algo muito positivo, é uma experiência divertida e afetiva, que nos faz bem”, conta. Considera que a maioria das pessoas “gosta desta experiência”, mas que a falta de poder económico não contribui.
Só que o Mercado do Peixe é também um importante ativo para os negócios de restauração. A Mimosa é um exemplo. A tradição do peixe fresco na ementa vem dos tempos em que a Praça do Peixe era às suas portas, com mais de 20 vendedoras. “Não compro um peixe que não seja na Praça do Peixe”, afirma Celeste Agostinho, conhecida como Letinha. Todos os dias, menos à segunda-feira, a rota é simples: uma ida às duas praças para abastecer produtos para confecionar as refeições. No mercado escolhe o peixe que quer e depois é-lhe entregue no restaurante. “O mercado é uma mais-valia”, exclama, elogiando a qualidade do pescado. A relação com as peixeiras e com o peixe fresco ficou próxima. Estas pediam-lhe para cozer o peixe e, no fim do mercado, arrumavam as bancas e iam almoçar na Mimosa, antes de seguirem de volta para a Nazaré e Peniche. “Não tem comparação com agora”, frisa. Para dinamizar o espaço, não sabe o que poderia ser feito. “Não é uma praça bonita, mas está limpa”, realça.
Na Maria dos Cacos o foco são produtos diferenciados direcionados para um segmento de mercado que não se importa de pagar pela qualidade. E, nesse sentido, o Mercado do Peixe é uma mais-valia óbvia. “A qualidade do peixe e a diversidade da oferta, que não existe nas grandes superfícies, onde encontramos o que vende mais”, são factores chave na escolha pelo mercado (que vai em linha com a ideia de consumir produtos do comércio local), explica o chef Ricardo Filipe, que todos os dias vai ao mercado escolher o peixe, que depois vai buscar para confecionar. “O produto é excelente e é trabalhado de uma forma artesanal, como ninguém o faz, são incríveis”, frisa.
Também José Santos, do restaurante Vale Velho, do Coto, vem praticamente todos os dias buscar peixe fresco para confecionar no restaurante. “Este peixe não se encontra nas grandes superfícies”, afirma.
“O mercado faz sentido, somos uma cidade próxima do mar e cada vez temos que comer mais peixe”, nota José Santos. ■