Pera Rocha e Maçã de Alcobaça vão ter 95,6 milhões de euros do PRR

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Plano quer aumentar a produção através das tecnologias e da produção de conhecimento

Consórcio que envolve 21 empresas de produção pretende implementar projeto de modernização do pomar e das centrais fruteiras

A Pera Rocha do Oeste e a Maçã de Alcobaça estão de mãos dadas num projeto que pretende melhorar e alavancar ainda mais a produção dos dois frutos potenciando a sua valorização pela produção livre de químicos e com resíduos zero.
O projeto Atlantic Portuguese Apple – Oeste Fruta 4.0 concorreu a verbas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e foi um dos 64 selecionados a nível nacional, contando com uma dotação orçamental de 95,65 milhões de euros.
Armando Torres Paulo, dirigente da Associação Nacional de Produtores de Pera Rocha, disse na apresentação do projeto, que o que se pretende é introduzir “inovações disruptivas no Oeste e adaptar as culturas aos desafios atuais e das próximas décadas”.
O dirigente disse que esta agenda mobilizadora começou a ser desenhada em março deste ano, quando a ministra da Agricultura, Manuela Pintado, “foi ter connosco para nos desafiar a apresentarmos um projeto ao PRR.
Este projeto parte da necessidade de encontrar novas formas de comercializar a produção regional, que “está pulverizada”, realçou Armando Torres Paulo, que atribuiu esse facto a não existir “uma estratégia regional, que pretendemos constituir”, acrescentou. O investimento tem, ainda, como objetivo alavancar a fruticultura da região para o futuro, dando “o salto com novos instrumentos, como a robotização, conhecimento, painéis solares, insetos, incidindo sobre o nosso pomar e as centrais fruteiras”.
A aplicação do projeto beneficiará toda a região Oeste, entre as serras dos Candeeiros e Montejunto e o Oceano Atlântico, desde norte de Alcobaça a Torres Vedras.
A estratégia para a aplicação do programa assenta em quatro eixos distintos, aplicados do campo ao garfo, a começar no pomar, que tem que ser “melhor, mais resiliente”, afirmou o dirigente. Isso será atingido com a introdução de tecnologia. Pretende-se obter uma melhoria ao nível das plantas e da sua relação com o ambiente, procurando controlar as doenças através de soluções naturais ou biotecnológicas direcionadas ao resíduo zero, “aumentando a qualidade produtividade baseada em critérios de eficiência e no uso de recursos por meio de ferramentas baseadas em inteligência artificial e na robotização”, pode ler-se no projeto.
O segundo eixo relaciona-se com a conservação da fruta, que tem que garantir por um período de até 10 meses a manutenção da qualidade da fruta. Neste campo pretende-se aplicar tecnologia de monitorização dos diversos parâmetros de qualidade dos frutos e da composição das atmosferas.
O terceiro eixo é a forma de chegar ao consumidor e Armando Torres Paulo falou em concentração. “Queremos construir uma central fruteira e um entendimento para exportar e valorizar os subprodutos”, disse Armando Torres Paulo. O objetivo, neste âmbito, é criar massa crítica “para fornecer de forma contínua os operadores nos países do centro da Europa”, com um produto consistente e uma imagem comum, que permita que a região seja reconhecida internacionalmente como um player relevante. Pretende-se, ainda, criar um conjunto de iniciativas que promovam a concentração da oferta, com uma estratégia comum de atuação ao nível da produção e da comercialização, permitindo ganho de escala e competitividade.
Finalmente, o quarto eixo aponta ao conhecimento, que deve ser “incorporado e disponibilizado a todos os produtores”, sublinhou o dirigente.
O consórcio integra 52 parceiros, encabeçados pela OesteCIM e pelas duas associações de produtores, tem ainda 21 empresas produtoras, 13 entidades académicas e 11 empresas tecnológicas.
Com o programa, o consórcio pretende criar 120 postos de trabalho e acrescentar 85 milhões de euros de valor ao setor, essencialmente através da exportação.
Dos 95,56 milhões de euros de investimento, 49,4 milhões serão direcionados à produção, 33,9 milhões para a investigação e desenvolvimento, 6,8 milhões para a divulgação e promoção, 5,8 milhões para a qualificação e internacionalização e 0,6 milhões na capacitação de recursos humanos.