25 de Abril

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Notícias das Caldas

Escrevemos hoje ainda sob o efeito inenarrável de um atentado ocorrido no Sri Lanka onde foram assassinadas cerca de três centenas de pessoas em hotéis e igrejas católicas, tendo morrido um português inocente. Há dias na Nova Zelândia outro assassinato, desta vez contra muçulmanos, tendo morrido cerca de meia centena de pessoas.
Ligamos isto com o 45º aniversário do 25 de Abril, porque achamos que esta data e os acontecimentos que se lhe seguiram, reconciliaram-nos com o mundo e os desígnios mais singelos e positivos dos tempos em que vivemos.
Isto tudo porque, para além dos actos gratuitos de violência, seja individual como de Estados ou de grupos organizados, parecia desde então que o mundo caminhava num sentido mais positivo e cooperante.
A queda de muitos muros físicos que dividiam o mundo, deram-nos muita esperança e acreditámos em certo momento que se estava no caminho desejável de um planeta mais justo e equilibrado.
Contudo, esta década também nos tem feito refletir que do muito que pensávamos irreversível, não o é tão facilmente, uma vez que a miséria que ainda ocupa muito desse mundo mas também uma certa fome mais cultural e de sentimentos, bem como de certas alterações populistas nas lideranças políticas, pode levar ao surgimento de novos muros mesmo físicos, já que os mentais provavelmente nunca desapareceram.
O 25 de Abril para os portugueses, e apesar de bastantes contrariedades e momentos difíceis por que passámos, parece ter estabilizado Portugal num sistema político e social em que nos reconhecemos mais positivamente, apesar de alguns escolhos deixados pelo caminho.

Apesar de continuarmos a ser um país tendencialmente menos rico e menos próspero que muitos outros mais desenvolvidos, temos em contrapartida muitos aspectos positivos que outros nos reconhecem e que nós, perdulariamente, muitas vezes não notamos ou reconhecemos. Não são apenas os sucessos económicos quantitativos que podem dar sentido à vida dos povos, quando existem muitos outros valores que realmente dão um sentido mais válido a essa vida.
O 25 de Abril de 1974 abriu-nos as portas e cabe-nos, com as nossas capacidades e inteligência, desbravar os novos caminhos da qualidade de vida, da inovação social e tecnológica, do gosto pelo viver com mais justiça e por saber apreciar aquilo que nos rodeia, ou seja, ter e dar um sentido à nossa existência.
Quando comemoramos os quarenta e cinco anos em que os militares, logo seguidos pela maioria da população, deram o pontapé num regime autoritário e caduco, que se impunha pela violência e pelo silêncio, aspectos que as jovens gerações acham inconcebíveis, podemos dizer que sim, valeu a pena!
Perderam-se ainda muitas oportunidades para estarmos melhor, mas também podíamos ter caído na tentação de voltar para trás e certamente iríamos estar pior, como aconteceu com muitos outros países.
Por muito que tenha custado e que continue a custar no presente e no futuro, achamos que vale a pena o que vivemos hoje e achamos que iremos vencer os novos desafios e ser no futuro um país ainda mais belo pelo que tem e que muitas vezes não sabemos reconhecer.
Mesmo entre as perplexidades que vêm dos Estados Unidos, de alguns países europeus e de certas tendências emergentes em países que julgávamos estáveis, como do Brasil, estamos certos de que o mundo irá na próxima década voltar desejavelmente aos valores da civilização mais inteligentes que nos habituámos a vivenciar.
Por todo este sentido positivo que damos às nossas vidas, achamos importante comemorar este 25 de Abril com os 45 anos de democracia e liberdade que pudemos viver!