Caldense produz viseiras para profissionais do Centro Hospitalar do Oeste

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Pedro Ventura vai continuar a produzir as protecções até “serem precisas”

O engenheiro mecânico Pedro Ventura está a produzir viseiras para os profissionais de saúde que trabalham no Centro Hospitalar do Oeste. Recorreu à internet para imprimir um modelo simples que permite proteger os que estão na primeira linha do combate ao novo coronovírus. Já criou 90 viseiras e à Gazeta das Caldas diz que o seu trabalho de impressão 3D é para continuar.

Quando a pandemia originou a quarentena, o caldense Pedro Ventura imediatamente se prontificou a ajudar. É licenciado em Engenharia Mecânica (ISEC) e, depois de ver visto uma publicação no grupo do Facebook “Movimento Maker – Portugal”, que se dedica à impressão de modelos de viseiras e criado pela “Prusa”, uma empresa de impressoras 3D, o caldense arregaçou as mangas e rapidamente aprendeu a imprimir viseiras, contribuindo assim para a protecção do pessoal de saúde.
Inicialmente, fê-lo seguindo um vídeo no YouTube, do canal “3D Printing Nerd”, onde o modelo lhe chamou a atenção “pela simplicidade dado que é necessária apenas uma peça, dando a possibilidade de produzir mais viseiras”.
Pedro Ventura segue um modelo de um maker sueco que utiliza acetatos para a protecção propriamente dita, sendo apenas necessário fazer uma furação das folhas com um simples furador (utilizando a furação para folhas A6, em ambas as extremidades da folha).
O caldense, de 27 anos, explicou, ainda, que o criador deste modelo tem várias versões para os diferentes tipos de furação que existe mundialmente.
Ao todo, o engenheiro mecânico já imprimiu 90 viseiras e agora aguarda a chegada de mais material para continuar o seu trabalho. Até agora, contou, já fez para os hospitais das Caldas da Rainha e em breve as suas viseiras vão chegar ao hospital de Torres Vedras. Algumas das suas peças foram entregues à PSP de Caldas da Rainha.
“Depois destes locais não sei onde conseguirei entregar mais viseiras, pois não tenho forma de as distribuir”, contou o caldense, que procurava o seu primeiro emprego quando a pandemia provocou o confinamento.
Um dos obstáculos a esta tarefa é que tem havido alguma quebra de stock nos acetatos e no filamento de plástico, utilizado para impressão, “o que também dificulta a produção e consequente entrega de mais unidades”.
Até ao momento Pedro Ventura recebeu uma pequena ajuda por parte da Papelaria Jardim, tendo esta oferecido cerca de 20 acetatos para produção das protecções.

APOIOS LOCAIS

Entretanto um amigo, Miguel Subtil, pediu-lhe um pequeno número de viseiras para uso próprio, tendo arranjado mais acetatos e ofereceu também várias dezenas.
Foi, depois, contactado via Facebook por um outro caldense, Miguel Santos, “que também se disponibilizou para ajudar a imprimir mais viseiras”.
Pedro Ventura agradece igualmente a Emanuel Chamusco, proprietário do Caldas Bar (que fica em frente à Rodoviária), pois o empresário contribuiu monetariamente para esta causa.

 

VIABILIZAR O PROJECTO

À Gazeta, Pedro Ventura acrescentou que estes apoios surgiram por vontade própria dos intervenientes, que sabendo o seu destino, tomaram também a iniciativa de ajudar.
“Aproveito para deixar um agradecimento da minha parte a quem ajudou, pois sem eles não seria possível a continuidade deste projecto”, disse o engenheiro mecânico.
Sobre este período que agora estamos a viver, condicionado por causa do novo coronavírus, Pedro Ventura afirmou que “é algo inédito, para o qual ninguém estava preparado e certamente afectou, e continuará a afectar, toda a sociedade, independentemente de estatutos e por tempo indeterminado”.
Na sua opinião, será algo que, mesmo depois de este estado de emergência acabar, “levará certamente alguns anos a estabilizar, tanto a nível económico como social, pois bastará um pequeno deslize e os casos poderão explodir novamente”, acrescentou o jovem.
Para o engenheiro mecânico esta é “uma situação muito difícil para todos”, afastando as pessoas dos amigos, família, das actividades do dia-a-dia. No entanto “se todos nós contribuirmos, seguindo as indicações dadas pelas entidades responsáveis, estaremos ‘livres’ mais rapidamente”, rematou este caldense solidário.