“É preciso ter gosto por aquilo que fazemos, especialmente em enfermagem onde prestamos cuidados directos”

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Todos os anos o hospital das Caldas recebe dezenas de estagiários, muitos deles oriundos da Escola Superior de Enfermagem, do Instituto Politécnico de Leiria (IPL). Gazeta das Caldas falou com quatro estudantes do terceiro ano, que estagiaram nas especialidades de Obstetrícia e Pediatria e dá a conhecer as suas experiências e expectativas de futuro.
O profissionalismo dos enfermeiros, a coesão no trabalho e a proximidade aos utentes são alguns dos elogios que as jovens estudantes fazem ao hospital caldense.

A bata é branca como a dos outros profissionais de saúde, mas ao peito, uma inscrição faz menção à Escola Superior de Saúde, do IPL. São estagiários e estão no Hospital das Caldas a aprender in loco como tratar dos doentes nas diversas especialidades.
Cláudia Pires, de 21 anos, está desde segunda-feira na Urgência Pediátrica. Natural de Vila de Rei (Castelo Branco) a jovem frequenta o terceiro ano do curso de Enfermagem em Leiria. “As expectativas são altas, espero não me desiludir”, contou a jovem que gosta particularmente da área da Pediatria e que chegou uns dias antes para tirar o curso de Suporte Básico de Vida, com outras colegas estagiárias.
Depois da experiência no hospital, Cláudia Pires irá para a Unidade de Saúde Familiar (USF) Bordalo Pinheiro, por um período de dois meses e meio. Veio uns dias mais cedo para tentar arranjar casa. Já está instalada, mas confessa que não foi fácil encontrar um local para viver pois as rendas altas e a pouca oferta dificultam a vida dos jovens que durante os quatro anos andam com a “casa às costas”. “É muito bom termos estágios de Norte a Sul do país, o problema é andarmos a saltitar…”, conta a estudante que, em três meses, já mudou de casa três vezes. De Leiria, onde tem casa alugada, foi para Penafiel, depois Tomar e agora está nas Caldas.
Para Cláudia Pires, esta experiência no terreno é importante e foi, inclusivamente, um dos motivos que a levou a escolher o curso no IPL. “O facto do plano curricular estar bastante organizado e termos estágios desde o primeiro ano, cativou-me a escolher Leiria em primeiro lugar”, explicou à Gazeta das Caldas.
Os estágios nos hospitais ajudam os estudantes a ter a certeza de que é esse o rumo profissional que querem seguir. “É preciso ter gosto pelo que fazemos, especialmente em enfermagem onde prestamos cuidados directos”, diz a jovem que sempre quis seguir esta profissão.
Quando acabar o curso Cláudia Pires tenciona procurar trabalho por todo o país. Diz que o estrangeiro não está nos seus planos, mas admite emigrar se não conseguir emprego cá.

“Senti-me muito bem acolhida”

Também a frequentar o terceiro ano de Enfermagem, a caldense Carolina Sousa, de 20 anos, está a começar o seu estágio no Centro de Saúde das Caldas, depois de ter terminado, na passada sexta-feira, dois meses de formação no hospital. Esteve no serviço de Pediatria e não poupa elogios aos profissionais com quem trabalhou e por quem se sentiu muito bem acolhida.
“Acho que o funcionamento do serviço é muito bom e são muito coesos nos cuidados. As famílias e as crianças são bem recebidas e há uma grande parceria de cuidados entre enfermeiros e os pais”, opinou.
De acordo com Carolina Sousa, este é o primeiro ano que trabalham por turnos e fazem o mesmo horário que o enfermeiro orientador, ou seja, seguem uma escala mensal com os horários das manhãs, tardes, noites e as folgas. Por exemplo, na passada sexta-feira, a jovem esteve a trabalhar o turno da manhã, entre as 8h00 e as 16h30. Reconhece que o da noite, entre as 24h00 e as 8h30 é o mais difícil porque sente-se mais o cansaço.
A estudante chegou ao hospital em Fevereiro e, durante este período, no serviço de Pediatria ajudou no tratamento de muitas bronquiolites nas crianças.
Desde o primeiro ano que os alunos do IPL fazem estágios e Carolina Sousa já esteve nos hospitais de Tomar, Leiria e Caldas da Rainha, onde passou por várias valências. Começou por Medicina, depois Ortopedia e Cirurgia e, este ano, está a estagiar nas especialidades de Pediatria, Obstetrícia, Psiquiatria e também ao nível dos cuidados primários prestados no Centro de Saúde.
A enfermagem foi a primeira opção da jovem quando quis ingressar no ensino superior. Carolina, desde cedo que se lembra de querer ajudar o outro e sentir-se prestável. “Sempre tive muito interesse em saber o que fazer e actuar em situações de doença”, conta a estudante, que se mostra satisfeita com o curso.
No futuro gostava de tirar a especialidade em Obstetrícia, encontrar trabalho em Portugal e, de preferência na zona, até porque, garante, gostou de estagiar no CHO. “Preferi estagiar aqui [nas Caldas] do que, por exemplo, no Hospital de Leiria, que é muito maior, porque não há tanta confusão, há uma maior proximidade e os profissionais são muito bons”, explica.
Como trabalham por turnos os jovens estudantes nem sempre conseguem conciliar os horários, mas sempre que têm há folgas juntam-se para sair ou beber um café.

Trabalhar num grande hospital

Ao contrário de Carolina Sousa, Inês Fernandes, sonha em trabalhar num hospital grande, de referência. A jovem de 21 anos, natural de Pombal, já estagiou nos hospitais Garcia da Horta (Almada) e Amadora-Sintra, antes da experiência no CHO. “Em termos de contacto com os doentes é semelhante, mas nos hospitais grandes há mais diversidade de escolha”, conta.
Relativamente ao estágio no hospital caldense, considera que correu bem, tendo gostado das especialidades de Obstetrícia e Pediatria. “Enriquece-nos conhecermos todas as variáveis que a enfermagem tem”, considera a estudante que gostou particularmente de ver a forma como os enfermeiros lidam com as crianças e famílias, diferente do que presenciou quando estagiou em Medicina e Cirurgia.
Inês Fernandes partiu no início da semana para uma nova aventura: estagiar no hospital de Santarém, mas antes tem que conseguir arranjar casa. Nas Caldas, sentiu algumas dificuldades em consegui-lo pois queria uma casa próxima do hospital porque não tem carro e tinha que fazer turnos.

Aventura no estrangeiro

Depois de um Curso de Especialização Tecnológica (CET) em Gerontologia, Beatriz Balsas decidiu tirar o curso de Enfermagem, onde frequenta o terceiro ano. No hospital das Caldas estagiou nos serviços de Obstetrícia e Pediatria e considera que os enfermeiros são muito acessíveis. “Põem-nos muito à vontade e demonstram disponibilidade também para fazermos os procedimentos”, disse a estudante, acrescentando que há um grande contacto com as famílias e que o foco é sempre direcionado para o utente.
O futuro da jovem leiriense de 23 anos deverá passar pelo estrangeiro. No sábado partiu para Córdoba (Espanha) de Erasmus, onde permanecerá durante dois meses. Depois gostaria de emigrar para a Noruega. “No estrangeiro há outras condições de trabalho e será também uma aventura pessoal”, conclui.