CDS-PP/CALDAS – O estatuto da oposição

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O cumprimento do “Estatuto” da oposição, não se avalia pelos “artigos” ou “alíneas” do documento em si, mas pela forma como é considerada e tratada, de facto, essa oposição.
E consideramos por isso existir um caminho a percorrer, no sentido de ultrapassar uma mentalidade segundo a qual, o facto de existir uma maioria absoluta de eleitos, que não necessariamente de votos, corresponde a um poder absoluto.

O desinteresse da maioria face à oposição, nomeadamente pelas suas ideias e propostas e isso que está em causa, é evidente quando por exemplo essas propostas são, algumas delas, aprovadas por unanimidade, o que seria indício de concordância, mas é-o apenas aparentemente, porque de facto jamais têm concretização. Fica claro que a aprovação, com os votos da maioria, tem o intuito simples de tentar silenciar o assunto, fazendo-o esquecer, enquanto se faz de conta que é tratado, com adiamentos sucessivos, porque a intenção, nunca foi a de executar.
Paradigmáticas são também as propostas feitas pela oposição, em sede de discussão anual das “Grandes Opções do Plano” e do “Orçamento”, cuja sinalização é aceite, sempre com a suposta intenção de ser atribuída a respetiva verba, posteriormente, em fase de introdução do saldo do ano anterior, intenção que não existe de facto e que como tal, nunca tem concretização.
Por outro lado, ficam as inúmeras questões colocadas e aparentemente aceites, cujas respostas se adiam “ad ternum”, sem explicações plausíveis ou minimamente aceitáveis.
Inexplicável é também a mentalidade, segundo a qual não devem ser atribuídos pelouros a vereadores da oposição, mediante a disponibilidade dos mesmos, sabendo-se e sendo óbvio, que não é humanamente possível, a distribuição de todo o trabalho necessário num Município como Caldas da Rainha, por apenas três pessoas a tempo inteiro e outra a meio tempo, quando se sabe que no passado, o mesmo trabalho já foi executado por cinco pessoas a tempo inteiro. Obviamente, fica prejudicado o Município e as populações, por insuficiente atenção e dedicação.
Estamos perante um jogo de “faz de conta”, em que se ouve simpaticamente a oposição, para de seguida se fazer de conta que ela não existe.

Rui Gonçalves
Vereador do CDS-PP na Câmara Municipal de Caldas da Rainha