A importância do setor cooperativo nos vinhos

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Vinho das adegas cooperativas tem vindo a melhorar de qualidade nos últimos anos

O cooperativismo tem, no setor do vinho, um exemplo de boas práticas, com produtos de referência nesta área

No Oeste existem onze adegas cooperativas. Entre elas está a maior adega cooperativa do país no que à produção diz respeito. Trata-se da Adega de São Mamede da Ventosa (Torres Vedras), que anualmente produz dezenas de milhões de litros de vinho.
Mas a cooperativa mais antiga que ainda trabalha é a de Arruda dos Vinhos, fundada em 1954. A mais recente é a da Labrugeira (Torres Vedras), que data de 1973.
O Cadaval destaca-se pelos seus vinhos leves, que são uma marca da região. A Vermelha (Cadaval) também ganhou fama pelos seus vinhos leves, mas nos últimos anos tem vindo a diversificar a sua produção (com tintos, sangrias e até azeite!).
No Oeste, há ainda a descobrir as cooperativas da Carvoeira, a de Dois Portos e a da Azueira, assim como a Cooperativa do Bombarral, cujas instalações foram adquiridas por uma empresa (Condado Portucalense), mas que se mantém ativa através do negócio do vinho leve à pressão que é vendido em barris de inox de 30 litros. Só que agora, em vez de comprar as uvas aos sócios, a adega compra-as à Condado Portucalense. Além destas, é também de uma cooperativa do Oeste que sai a famosa Aguardente da Lourinhã.

Adega de Alcobaça replantou vinhas e reforça aposta na qualidade

Alcobaça modernizou vinhas
Em Alcobaça, o trabalho de replantação das vinhas de um grupo de associados, com castas com maior interesse para os vinhos que a cooperativa queria produzir (e simultaneamente com maior volume de produção) começaram a ser vinificadas há três anos.
“Estamos a entrar na velocidade cruzeiro do produto dessas vinhas, com um input de qualidade que é fatual em termos de reconhecimento quer no consumidor privado, que é o mais difícil de conquistar, quer em concursos internacionais”, conta o enólogo Rodrigo Martins. A replantação dirige-se para os vinhos Levada e Montes, feitos exclusivamente com estas vinhas novas. “Eram as marcas que queríamos projetar como as de qualidade mais elevada e que podem criar valor para a cooperativa”, justifica.
A Adega de Alcobaça tem produzido meio milhão de litros nos últimos anos. A dimensão, que pode parecer um handicap, é considerada pelo enólogo uma vantagem. É que esta já foi uma das maiores adegas em termos de volume a nível nacional, mas hoje em dia pode ser comparada a um pequeno produtor, “com as coisas boas, como o conhecimento direto dos produtores e a possibilidade de intervenções mais cirúrgicas”, e outras menos boas, como o volume não ser muito grande.
“Não somos uma adega de volume, o único caminho é a aposta nos engarrafados de referência, que criem valor para um volume tão pequeno de vinho”, explica o especialista. Daí que o objetivo não passe por aumentar a produção. “O caminho passa por tentar quebrar a imagem negativa dos vinhos da cooperativa que, felizmente, a cada ano que passa tem vindo a melhorar e não podemos dar passos atrás”.
Rodrigo Martins acredita que com a entrada do novo quadro comunitário de apoio, no primeiro trimestre de 2021, haverá a possibilidade de voltar a melhorar a produção e o marketing, com a criação de um website com loja online, “que são coisas que no curto prazo serão obrigatórias para a adega”.
Uma das novidades mais recentes foi o lançamento das embalagens push up. “É uma embalagem muito fácil de colocar no frigorífico e de levar para um passeio, para um piquenique ou para a praia. Está associada a um estilo de vida descontraído, de consumo mais fácil, sem grandes preconceitos”, revela.
Para o futuro, a estratégia prevê tirar partido do que existe, como por exemplo, a História. “O facto da Ordem de Cister se ter instalado aqui e os monges agrónomos terem trazido know-how da Burgonha para produzir vinhos cá torna-nos únicos e temos de começar a pensar em perfis de vinhos que se faziam há 800 anos, os palhetos e os claretos, que estão muito na moda e o mercado externo está ávido para consumir”. Por outro lado, há a intenção clara de ligar os vinhos à música e aproveitar o (vizinho) Museu do Vinho, que é o maior a nível nacional. “Diria que ainda não conseguimos tirar proveito real desta proximidade, mas no curto prazo será um recurso a ser melhor explorado. Faz parte da ambição da casa estar cada vez mais próximos do museu”.
Os vinhos licorosos e as aguardentes são o ex-libris desta adega. “As pessoas olham para nós como produtores de excelência de abafado e aguardentes vínicas velhas, ambos sob a marca Frade”, realça. “Tem sido a nossa bandeira para abrir alguns mercados e queremos continuar a apostar nesses produtos que, felizmente, têm uma imagem oposta à imagem historicamente negativa dos vinhos das adegas cooperativas”, afirma Rodrigo Martins. ■