Atelier do Doce investe no futuro e na valorização do passado

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Rui Marques na sala que conta a história da empresa e das suas raízes

Empresa investiu mais de dois milhões de euros na reestruturação da fábrica, em tecnologia e na ampliação da loja

O Atelier do Doce concluiu mais um projeto de investimento que incidiu na modernização dos processos de fabrico e também no contacto direto com o cliente, através de uma nova ampliação da loja mas também com a criação de uma sala com história, que é a antecâmara de um futuro museu.
A empresa foi criada em 2006 pelo casal Rui Marques e Catarina Saraiva, mas dando continuidade aos negócios das famílias de ambos. Essa história está salvaguardada num mural pintado com a recente ampliação da loja – que agora conta com serviço de take-away e cafetaria. O mural alude às árvores de fruto, atividade da família de Rui Marques, mas que dão bolos, numa ligação às raízes da família de Catarina Saraiva. Incluída na pintura, de forma quase subliminar, está a frase “doce como tu”, que se complementa com outra, “doce como nós”, que se pode ler ao lado, no acesso à nova sala que conta a história desta ramificação que desembocou no Atelier do Doce. Ali há uma linha do tempo e maquinaria que foi utilizada no fabrico de pastelaria desde os tempos de juventude do pai de Catarina. A sala, num piso superior, é envidraçada e deixa ver o interior da fábrica.
“Sentíamos necessidade de ter esta sala, porque as pessoas tinham vontade de visitar a fábrica e assim podemos expor o nosso fabrico de forma muito simples, sem invadir o trabalho e o espaço de fabrico”, conta Rui Marques. Atualmente as visitas são em grupo e sempre acompanhadas por alguém da empresa, que explica o que se está a passar.
A linha do tempo foi deixada em aberto, a guardar espaço para um futuro que a empresa continua a escrever, 17 anos após a fundação. E parte desse futuro foi garantido com um recente investimento, superior a dois milhões de euros, para transformar o Atelier do Doce rumo à indústria 4.0.
“Alterámos todo o layout do fabrico, para cumprir as normas de qualidade que aí vêm. Também precisávamos de mudar os balneários e o refeitório, que eram bons, mas muito pequenos, e essa alteração era necessária também para aumentar a loja”, conta Rui Marques.
As mudanças na disposição da fábrica surgiram no sentido de racionalizar o processo produtivo. “Antes as pessoas passavam por todo o processo de produção, agora temos as pessoas definidas por setores. Temos pessoas que só fazem receitas e outras que só fazem os bolos”, conta o empresário. As mudanças permitiram “profissionalizar mais as pessoas, que hoje são responsáveis pela gestão do stock, pela rastreabilidade dos ingredientes”, refere Rui Marques, mas também ter os colaboradores mais focados nas suas tarefas.
As obras ao nível das infraestruturas foram acompanhadas de investimento em nova maquinaria, sempre a pensar na qualidade dos produtos. Há um robot que faz cortes de bolos com uma lâmina supersónica. “Pedimos para cortar um bolo em 12 fatias e faz um corte perfeito. Vendemos muitos bolos fatiados, porque grandes insígnias têm que saber o stock de fatias que entram”, refere Rui Marques. Outra máquina, “que é como uma bimby gigante”, explica, faz cremes em vácuo, o que permite trabalhar a temperaturas mais baixas e ter um produto menos transformado. “Também temos uma máquina para produzir os tachinhos, um produto cujo processo precisávamos de mecanizar, sem estragar a receita original”, acrescenta o empresário.
As intervenções realizadas nas instalações da empresa, no Casal do Amaro, na freguesia de Alfeizerão, permitem à empresa colocar-se num patamar “diferente”. “Temos clientes a quererem coisas novas. Com um deles, da Bélgica, vamos brevemente fazer o lançamento de um croissant rol”, adianta Rui Marques. O Atelier do Doce pode ser famoso pelas suas bolas de Berlim, mas a empresa trabalha muito em inovação de produto. Estes croissants são uma nova tendência de mercado e a empresa quer acompanhar essa vanguarda. Dos novos produtos, destaque também para as novas formas de apresentar receitas tradicionais, como foi este verão com a salatina, um cheesecake confecionado com base no doce conventual salatino, ou ainda o torrado de amêndoa, que deu origem a um gelado. Mas também há inovação nas famosas bolas de Berlim, como a recheada com um creme salgado de alheira.
Toda a dinâmica que a empresa tem imprimido leva ao crescimento do volume de negócios. No ano passado o Atelier do Doce superou os 3 milhões de euros em vendas. Este ano perfila-se como o melhor de sempre em faturação. “Apesar de termos perdido uma grande venda de bolas de Berlim que era muito significativa no nosso volume de negócios, estamos a crescer na ordem dos 15% este ano, só no fabrico”, sublinha Rui Marques.
Os investimentos não ficam, no entanto, por aqui. A empresa está a investir atualmente no aumento da capacidade da sua central fotovoltaica. E, no futuro, o objetivo é dinamizar a sala de história. “Queremos que dê toda a volta à fábrica e que funcione mais como um museu, com entrada paga, que mostre como surgem os nossos produtos e que enalteça o nosso trabalho”, concluiu. ■