Bombarral garante investimento de 53 milhões de euros em parque de diversões

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Notícias das Caldas O 39º aniversário do 25 de Abril foi comemorado de forma especial este ano no Bombarral, com a cerimónia de assinatura de um compromisso entre a autarquia e promotores estrangeiros para a construção de um parque temático de diversões na Quinta do Falcão, junto à saída da A8 (Bombarral norte), num investimento de quase 53 milhões de euros.

Tal como a Gazeta das Caldas noticiou em Dezembro de 2010, a autarquia cedeu o terreno de 38 hectares onde irá ficar esta infra-estrutura. Está prevista a criação de 320 postos de trabalhos directos e são esperados cerca de 500 mil visitantes por ano. O raio de influência previsto abrange algumas zonas de Espanha e espera-se o afluxo de turistas de outros países europeus, nomeadamente do Reino Unido.
O parque de diversões do Bombarral pretende ser ecológico, adaptado às características do terreno e integrado na paisagem, “fazendo uso e valorizando as condições geomorfológicas, ambientais e culturais da zona onde se insere”, refere o projecto da Sky Towers.

O parque tem previsto como principais atracções um conjunto de áreas de entretenimento, desde equipamentos de recreio, a restauração e cinemas, para além de um conjunto de actividades complementares.
Uma das suas características será a utilização de tecnologias viradas para elementos virtuais em 4D e inteligência artificial. No total vão ser instalados 28 aparelhos de diversão, um dos quais irá acompanhar a linha de água existente no local e que o projecto prevê requalificar.
Para além do caldense Manuel Remédios, a empresa Sky Towers fez-se representar pelos investidores ingleses John Flynn, Christopher Flynn e Hartley Booth. Este último foi ministro nos governos de Margaret Thatcher.
O 25 de Abril, que anualmente é comemorada com dignidade naquela vila, fica marcada por este compromisso que irá trazer ao concelho um projecto estruturante que poderá mudar para sempre o Bombarral e a região. Presente na cerimónia, o director regional de Economia, Ricardo Emílio, destacou a importância deste investimento, que considera ser “um projecto âncora para o Bombarral, para a região e para o país”.
O documento contém o termo de aceitação da minuta do contrato, aprovada pela Câmara, dando a conhecer as condições e os termos em que o negócio se irá realizar. A concessão do terreno será por um período de 60 anos, recebendo a autarquia 200 mil euros de entrada, aos quais acrescem uma renda anual de 100 mil euros e 5% de receita anual sobre os lucros de exploração.
O presidente da Câmara, José Manuel Vieira, acredita que o parque “será em breve uma realidade e para isso contamos com a imprescindível colaboração de todas as entidades envolvidas na certeza que este investimento é um bem do país e não só da região Oeste e do Bombarral”.
No entanto, referiu que ainda são necessários alguns ajustamentos no projecto, e também ao nível do PDM do concelho (com a de desafectação dos terrenos da Reserva Agrícola Nacional), o que não evitou que “tivéssemos feito a vontade ao investidor, transmitindo-lhe o documento solicitado e que lhes permitirá avançar com a sua parte no processo”.
O autarca explicou que o contrato foi assinado por solicitação dos promotores que entenderam “ser necessário que a Câmara lhe entregasse um documento que permita manter activo o processo financeiro para a viabilização do negócio”.
O edil acrescentou que autarquia está neste momento “a cooperar com os investidores na elaboração da avaliação de impacto ambiental e do mapa de ruído, de modo a poder ser enviado com celeridade, o processo completo para conferência de serviços na CCDR-LVT”.
Segundo o autarca, só com a colaboração de Ricardo Emílio (Director Regional de Economia de Lisboa e Vale do Tejo), de Luís Reis e Madalena Silva (Associação para o Investimento e Comércio Externo de Portugal) e do político bombarralense Feliciano Barreiras Duarte, é que foi possível “acelerar um processo que por regra demora largos anos a concluir”.
Ricardo Emílio garantiu “que tudo será feito ao nível da Administração Central para levar este processo para a frente”. O responsável quer que a primeira pedra do novo parque de diversões seja lançada nos próximos cinco meses.
Manuel Remédios, que é também o arquitecto responsável pela elaboração do projecto, fez um enquadramento sobre o surgimento da ideia da criação de um parque de diversões na região, afirmando que se trata de “uma peça fundamental para se conseguir uma oferta turística com maior potencial”. Na sua opinião, este é um investimento de muito pouco risco “mesmo nos dias que correm”, até porque “as avaliações feitas garantem-nos o sucesso do parque”.
Manuel Remédios contou à Gazeta das Caldas que uma técnica de turismo da autarquia levou os investidores à Gruta Nova da Columbeira e estes ficaram muito entusiasmados com a possibilidade de integrar este património arqueológico num percurso que ligue o parque de diversões. Esta é uma das poucas grutas portuguesas com ocupações do paleolítico médio e uma das duas em território nacional que forneceu testemunhos arqueológicos atribuídos ao homem de Neanderthal (30.000 anos a.C.). P.A.