Boxes da ESOESTE levam produtos da região à casa dos consumidores

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Vitor Almeida e Cátia Branco com uma box ESOESTE, o negócio que nasceu com a pandemia e quer chegar a todo o país | DR

Fazem mais de 3000 quilómetros por semana para entregar centenas de cabazes (box) de produtos da região Oeste aos consumidores. O negócio que surgiu com a pandemia está a crescer e quer chegar a todo o país.

Cátia Branco e Vítor Almeida, dedicavam-se à produção e comercialização de fruta, sobretudo maçã e pera Rocha, no concelho de Óbidos, que escoavam pelo mercado nacional e para o estrangeiro. Em março ainda tinham fruta nas camaras frigoríficas e encomendas para dar resposta, mas a pandemia levou ao fecho das fronteiras e os camiões tiveram que ficar no armazém, ao mesmo tempo que o casal pensava em alternativas para escoar o produto. Fazer cabazes de fruta foi a solução encontrada, complementada com os legumes e outros produtos que os produtores da zona também não conseguiam escoar. Nasciam assim as boxes ESOESTE.
“Inicialmente colocávamos tudo dentro dos cabazes, sem qualquer arrumação. Hoje em dia já não é nada assim”, conta Cátia Branco, dando nota da melhoria feita ao nível da apresentação da embalagem. Deixaram de ser “um desenrasque de escoamento de produto para ser um meio profissionalizado”, explica a também enfermeira.
As entregas começaram por ser feitas na região Oeste, mas um pedido de uma grávida de Queijas, levou-os a ponderar a distância e contactar os amigos que tinham em Lisboa para saber se também eles estariam interessados em receber os seus produtos. A resposta foi positiva e começaram por entregar 40 cabazes na capital.
Em finais de abril, já tinham alugado uma carrinha para as entregas e, numa delas, já noite fora, Vítor Almeida foi interpelado com várias perguntas sobre o seu negócio. Só o viria a saber mais tarde, mas o cliente era jornalista da equipa do programa da Cristina (nas manhãs da SIC), que, passado pouco tempo, contactou-o para fazer uma reportagem sobre a empresa. Após a apresentação na televisão, as encomendas passaram dos 40 para 240 cabazes por semana, o que levou o casal a ter que alongar o período de entregas entre terça e sexta-feira.

O projeto que começou em março com três pessoas já duplicou o número de trabalhadores

Também começaram a estreitar a ligação com influencers (celebridades digitais) que os ajudam a divulgar o produto nas redes sociais, sobretudo no instagram. “Hoje é lá que estão as pessoas”, conta a empresária, acrescentando que quem segue de perto as redes sociais dá muito enfase às influencers. “Se elas dizem que o produto é bom, as pessoas querem comprar e até perceber de onde vem”, refere, especificando que o público alvo da box ESOESTE são mulheres com idades compreendidas entre os 25 e os 53 anos.
O projeto que começou com o casal e a mãe de Vítor a dar uma ajuda, cresceu e atualmente já conta com seis as pessoas a trabalhar. Nos meses de Verão o consumo dos cabazes diminuiu em Lisboa mas, curiosamente, receberam pedidos para fazer as entregas no Algarve e Gerês (onde os clientes estavam de férias), que declinaram. Em Setembro retomaram a atividade normal e atualmente a ESOESTE entrega, em média, 150 boxes por semana em Lisboa e 40 na região Oeste.
Em cada cabaz há uma atenção especial com o cliente, o que cria uma relação de continuidade. “Tentamos que haja um contacto direto com o cliente e personalizamos a box, sabemos o nome dos filhos e dias de aniversários e oferecemos sempre um miminho”, conta Cátia Branco, dando como exemplos a oferta de um saquinho de sal de Rio Maior, de esses das Caldas ou de bolos de ferradura.

Em cada cabaz há uma atenção especial com o cliente

Durante o processo, o casal de empresários percebeu que podia agregar às suas frutas e legumes produtos de outros parceiros locais, como é o caso de um padeiro que faz pão de forma artesanal, o queijo da Flor do Vale (Valado de Santa Quitéria), ou os kits para gin da Infusa (Óbidos). Recentemente convidaram a influencer Catarina Fernandes, que é a embaixadora da marca, para vir à região e visitar as suas explorações e as dos parceiros, identificando todos eles. “O perfil da Box que queremos passar é o de que se correr bem para nós, corre bem para todos os que estão connosco”, realça Vítor Almeida.
A box base tem um preço de 23,99 euros e inclui cerca de 15 quilos de produtos. Há ainda uma caixa maior, denominada mensal, por 39,99 euros e uma mais pequena, a mini-box, com seis a sete quilos, por 15 euros. Recentemente criaram os preparados de sopa, que consiste num conjunto de produtos frescos, com a respetiva receita.
Em seis meses de funcionamento, a empresa sediada no Parque Tecnológico de Óbidos duplicou o número de trabalhadores. O próximo passo será ter uma caixa personalizada e conseguir garantir entregas em todo o país.